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Ter um gato também é isto #10

por Marisa Furtado, em 28.08.15

 

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 9 de Agosto de 2013 / 27 de Agosto de 2015

 

Dois anos e picos depois de termos ido buscar esta bola de pelo cheia de personalidade, depois de muitas mordidelas - muitas delas deixaram cicatrizes -, depois de um par de chinelos de borracha roídos até não sobrar nada em apenas uma noite!, depois de uma infecção de pele que também nos contagiou, de um valente ataque de diarreia que nos cagou, literalmente, a casa toda, de horas a gritar "Kubrick não!" para o tentar demover de comer a árvore de Natal e de rasgar os embrulhos, de um sem fim de comportamentos vergonhosos no veterinário; depois de muito dinheiro gasto em vacinas, teste de despiste de FIV e FeLV, brinquedos, arranhadores, uma cama de rei, teste para saber se tinha Tinha - ou ring worm, em inglês -, shampoo, ampôlas e antibiótico para curar a doença, testes para saber se a Tinha já tinha passado, esterilização, comida; dois anos e picos depois de preocupações desmesuradas, como quando fiquei com o coração do tamanho de um pinhão quando o deixei no veterinário para ser esterilizado, depois de muitos, muitos pêlos sacudidos de tapetes, mantas, peças de roupa e lençóis, depois de algumas chávenas partidas, de muitos exercícios de criatividade para o levar a fazer o que nós queremos - entrar na transportadora, dar-lhe medicamentos, cortar as unhas -, depois de muitas sestas no sofá enrolado no meio de nós, de muito ronron, às vezes quase imperceptível, mas está lá!, de muitas turras e muito mel logo de manhã em jeito de bom dia, de muitas, não, todas!, as refeições com este emplastro sentado no meio da mesa a olhar para nós, de muita companhia, tanta que às vezes não lhe reconheço a característica mega independente dos felinos - está sempre, sempre, sempre onde nós estamos -, de muitas tropelias que nos deixam horas a rir, de viagens de carro que começam sempre com miados desesperados e altíssimos mas que dez minutos depois dão lugar a uma valente soneca que só termina quando o carro pára; dois anos e picos depois de muitos ataques de carinho repentinos que derretem qualquer coração, de muitas 'patinhas' feitas nos meus pijamas polares, de muitos miados que agora conseguimos decifrar - tem quatro diferentes: "quero mimo", "quero brincar", "pára com isso!!!" e "quero fiambre!" -, de um entendimento que só quem tem animais de estimação entende, não é só o miar, cada olhar, cada expressão está, também, carregada de significado... dois anos e picos depois de tudo isto já não nos conseguimos imaginar sem ele. Sem esta bola de pelo que consegue levar quase sempre a melhor, que todas as manhãs nos vem pedinchar fiambre ao pequeno-almoço e que dá tanta, tanta vida à nossa casa.
É por saber a alegria que um animal de companhia traz à nossa vida e o quão gratos nos ficam pelas mais pequenas coisas que compreendo quem os defende e quem lhes dá voz - como é o caso do nosso Nuno Markl e de um dos meus comediantes favoritos, o Ricky Gervais - e é por isso também que ontem fiquei tão feliz por saber que demos mais um passo em direcção à criminalização de quem os desrespeita. Não consigo entender quem abandona os seus animais de estimação nem quem os maltrata. Não compreendo o que leva alguém a ter um cão que mantém fechado numa varanda horas a fio, seja verão ou inverno. Não consigo perceber quem abandona os seus amigos felinos, que valorizam tanto o espaço, a casa onde vivem, porque de repente se aperceberam que largam muito pêlo e têm unhas muito afiadas e que nada disso é conveniente numa casa com um sofá tão caro ou com uns cortinados tão bonitos. E também não consigo perceber aquelas pessoas que se insurgem contra quem defende os animais "porque as pessoas são mais importantes e há tantas crianças a passar fome e tantos velhotes abandonados sem ninguém fazer nada". Como é lógico uma coisa não invalida a outra. Quem defende os direitos dos animais não é indiferente ao sofrimento humano, mas o sofrimento humano também não pode ser usado como argumento para não se defender o bem-estar daqueles que não têm voz e que não pediram para ir para casa de alguém que não tem sensibilidade para perceber que um cão ou um gato dá trabalho e requer responsabilidade. Não são bonecos que se podem descartar, deitar fora, à mínima tropelia, não são objectos que possam ser deixados à beira de estrada à sua sorte ou que possam ser atirados para o outro lado de um portão porque já não presta, porque dá muito trabalho, porque vamos de férias e levar o cão ou o gato atrás é uma seca e uma prisão. Alguém que fecha os olhos e é indiferente a tudo isto não pode ser boa pessoa. Não pode. 

Adoptar um animal é um acto de bondade que deve ser encarado com grande responsabilidade e com a consciência de que é para a vida. Mesmo quando fazem cocó em casa, mesmo quando nos roem os sapatos, mesmo quando se zangam e nos dão uma dentada, mesmo quando ficam doentes e precisam de cuidados médicos que só nós lhes podemos providenciar. 

Espero que esta nova lei seja cumprida eficientemente e, também, que não fique por aqui. Espero que seja o início de uma nova era em que o bem-estar dos animais deixe de ser renegado para segundo plano e que quem os mal trata deixe de sair impune e de continuar a ser tratado como um cidadão normal. Porque não é.

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publicado às 11:47

Ter um gato também é isto #9

por Marisa Furtado, em 04.08.15

Aquilo que mais me stressou no dia da mudança de casa foi, sem dúvida, a logística do gato. Sabia que ia ter alguns desafios pela frente:

1 – enfiá-lo na transportadora – pânico!;

2 – mantê-lo fechado não sei quantas horas num dos quartos da casa antiga enquanto os senhores das mudanças nos desmontavam os móveis;

3 – mantê-lo fechado não sei quantas horas num dos quartos da casa nova enquanto os senhores das mudanças nos montavam os móveis e os do MEO nos instalavam os serviços de tv e net, com a agravante de, desta segunda vez, ele ter de estar fechado num sítio que não conhecia, com cheiros, disposições e sons novos. Andei uma semana a sofrer por antecipação com este assunto mas as coisas acabaram por correr bastante bem. Por isso a minha dica para quem possa estar a passar pelo mesmo é só uma: relaxar.

No nosso último dia de férias foi um romance para o conseguir pôr dentro da transportadora. Foi coisa para demorar mais ou menos 40 minutos! A certa altura já estava desesperada, a suar em bica e a ponderar deixá-lo lá pronto, queres ficar ficas. Antes adorava a transportadora, não se chateava nada de lá estar dentro, mas agora odeia-a com todas as forças. Tentei tudo: enrolá-lo numa manta, pôr a comida dele na transportadora, mandar-lhe os ratinhos favoritos lá para dentro… nada resultou. Assanhou-se todo, bufou-me e rosnou-me não sei quantas vezes. No final, e já em desespero, abrimos o frigorífico para ver o que nos tinha sobrado de comida, mandámos um bocado de paio para dentro da caixa, ele foi a correr desvairado atrás do paio e foi essa a nossa oportunidade de o trancar! Cheguei ao fim desta odisseia mental e emocionalmente desgastada. E só de saber que podia ter de passar pelo mesmo filme novamente, agora com a agravante de ter pessoas estranhas em casa a fazer barulho, deixou-me com os nervos em franja.
Na semana que antecedeu a mudança deixei-lhe todos os dias a comida dentro da caixa transportadora para ele se ir habituando a estar lá dentro e encarar a coisa com normalidade, li algures que isso podia ajudar. E ajudou! Quando chegou a altura deitei uns grãozinhos de ração lá para dentro – não lhe queria dar muita comida porque podia enjoar no carro –, ele espreitou meio desconfiado, dei-lhe um empurrãozinho no rabiosque e lá foi ele. O primeiro desafio estava superado. Faltava o outro, que era deixá-lo fechado no quarto na casa nova durante sei lá quanto tempo depois de já ter estado 3h fechado na casa antiga. Só o queria soltar quando os senhores das mudanças se fossem embora e quando já não houvesse portas abertas para a rua, mas  tendo em conta o tempo que demoraram a tirar as coisas da outra casa temia o pior.
Quando chegámos à morada nova preparei o quarto onde ele ia ficar com as coisinhas todas – comida, água, caixa de areia, brinquedos, a caminha – e 1h depois voltei lá para ver como estava. Estava na maior! Muito carente mas cheio de vontade de sair e começar a explorar o resto da casa. Antes de nos mudarmos falei com um veterinário e uma rapariga de uma loja de animais e os dois aconselharam-me a apresentá-lo gradualmente à casa. “Cada dia uma divisão nova.” Acredito que resulte e seja necessário para gatos muito nervosos e assustadiços mas não me parecia que fosse a melhor abordagem para um gato tão impaciente e destemido como o meu. Acho que ia ser muito cansativo para toda a gente. Pois isso, 4h30 depois, quando já não estavam pessoas estranhas em casa, abri a porta e deixei-o explorar à vontade dele. Hoje, 4 dias depois, já está perfeitamente ambientado! Só a cozinha é que está a ser um desafio maior. Entra sempre muito rasteirinho, a cheirar tudo e assim que ouve um estalido dá um salto e volta para trás a correr. Mas com tempo a coisa vai lá.

 

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Novo sítio favorito para as sestas de final de dia. 

 

 

 

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publicado às 10:58

Mudanças report

por Marisa Furtado, em 30.07.15

Em quatro dias já conseguimos embalar, transportar e arrumar na casa nova toda a nossa roupa, decoração, pequenos electrodomésticos, o recheio da dispensa e alguma loiça. Queremos que os senhores das mudanças só nos levem mesmo a mobília e uma ou outra caixa que seja mesmo muito pesada para nós ou que não nos caiba no carro durante este processo – que serão certamente as do resto da loiça e dos livros. Não só lhes reduz substancialmente o tempo da mudança como para nós é muito mais fácil só termos de arrumar livros e pratos na casa nova assim que a mudança estiver concluída, em vez de darmos por nós e termos tudo de pantanas. Tem-nos saído do pêlo! Actualmente moramos num 3.º andar sem elevador que sempre me custou horrores a subir mas agora, que tenho de subir e descer aquelas malditas escadas com caixas pesadíssimas nos braços vezes sem conta, estou-lhes a desenvolver o ódio nada saudável. É uma alegria sempre que chego à nova morada e só ter de depositar as coisas no elevador!
Apesar de estes dias estarem a ser muito cansativos sabe-nos bem começar a ver a casa nova a ganhar vida com as nossas coisinhas. É uma sensação muito boa. Quem está a adorar tudo isto é o senhor Kubrick, que agora tem todo um mundo de caixas e caixinhas onde se pode esconder e esticar o seu lombinho de 5kg.

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Mal sabe ele o que o espera...

 

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publicado às 10:38

Ter um gato também é isto #8

por Marisa Furtado, em 21.07.15

Assim que o Kubrick veio fazer parte da família a primeira regra que lhe impus foi nunca passar as noites no nosso quarto. Tinha o resto da casa por conta dele mas o quarto dos donos estava interdito. Sempre resultou, nunca nos arranhou a porta a meio da noite para entrar, de vez em quando vai lá miar à porta às 8h da manhã aos fins-de-semana mas depressa se cala.
Actualmente estamos de férias num T1 que ele já conhece, é o terceiro ano que o trazemos para cá, e, até agora, a regra das noites sempre se tinha aplicado também aqui sem stress. Só que este ano baixou nele um espírito do demónio e a coisa já não está a correr tão bem. Na primeira noite fechámos a porta do quarto e ele ficou com o resto da casa para ele. Passadas três horas desatou a arranhar a porta do nosso quarto de tal maneira que parecia que do outro lado estaria um touro. Mas não, continuava a ser o nosso gato de 5kg. Levantei-me - sim, porque o meu homem NUNCA ouve nada. Dá imenso jeito... - e fui fechá-lo na sala/kitchenet para não o ouvir. Pensava eu. Aguentou-se até às 6h da manhã, hora em que começou a dar à pata novamente e em que eu o deixei entrar no quarto e passar as restantes horas da manhã ali connosco. Ora isto foi assim durante toooooda a primeira semana de férias, com a agravante que à medida que os dias passavam mais vezes por noite tinha de me levantar para o mandar calar. Assim que abria a porta do quarto lá estava ele, do outro lado da porta da sala, com o olhar mais triste do mundo tipo gato das botas do Shrek. Não é que tal coisa me comova, que eu às 3h30 da manhã quero é dormir descansada, não quero cá saber de gatinhos manipuladores.

 

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Ao fim de uma semana achei que estar a acordar três vezes por noite nas minhas férias! já era demais e cedi. Pronto. Sou uma fraca. Esta última semana que cá vamos estar o Kubrick vai dormir connosco. Já é a segunda noite e, de facto, é um descanso. Está a noite toda a dormir connosco, não faz barulhos, não desata a fazer sprints pela casa de madrugada... problema: dorme aos meus pés, umas vezes encolhido, outras todo esticado como se isto fosse tudo dele. Portanto quando me quero esticar dou com os pés nesta massa peluda que não se mexe nem por nada e pronto, lá desperto eu outra vez porque quero mudar de posição e não consigo. Aaah, como é bom dormir com animais no quarto!... Claro que o meu homem dorme a noite toda como um pequeno querubim. Nada o incomoda, graças a Deus. Como dorme todo esticado a ocupar todo o espaço livre que encontra o gato não consegue estar ao pé dele. Já eu que durmo em posição fetal sou uma óptima candidata a parceira de cama de um felídeo. Raisparta.
Resta-me esperar que não se habitue a esta nova vida e que quando regressarmos a nossa casa, onde ele vai reaver o sítio favorito para bater as suas sestas, aka, o cadeirão da sala, tudo volte ao normal. 

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publicado às 10:42

Ter um gato também é isto #7

por Marisa Furtado, em 07.06.15

Ter um gato, ou um cão. Na verdade, qualquer animal de estimação. É estarmos a viver a nossa viagem de sonho, e a adorar cada minuto, mas volta e meia lembrarmo-nos do nosso amigo de quatro patas tão longe e ficarmos com o coração apertadinho. Tem ido todos os dias uma pessoa tratar dele, mas não consigo evitar pensar se ele estará bem, se terá saudades nossas, se anda a beber água suficiente, se ainda tem os ratinhos favoritos para brincar  ou se já os enfiou todos debaixo do móvel da sala, de onde eu os tirei antes de me ir embora. Sei que quem não tem animais não entende isto, mas eles são parte da nossa família e é impossível não lhes sentir a falta. Tenho imensas saudades do meu Kubrick, sinto falta do festival de festas que lhe faço todas as manhãs e das maluquices dele, a correr a casa toda e chegar ao pé de nós com um dos ratinhos favoritos na boca, a pedir brincadeira. Ter um gato, ou um cão, ou qualquer animal de estimação, é das melhores coisas.

 

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publicado às 14:21

Ter um gato também é isto #6

por Marisa Furtado, em 09.04.15

Como lá em casa as janelas que estão ao nível rasteirinho do gato são de vidro fosco todas as manhãs, antes de sair de casa, coloco a cadeira do nosso quarto em frente à janela para o sr. Kubrick se conseguir empoleirar e, com todo o conforto, ver o que se passa do outro lado. Adora! Sempre que me ouve a mexer na cadeira lá vem ele a correr com a cauda para cima, todo confiante, para olhar para a rua e ver o que andam a fazer os seus amigos pombos – é obcecado por pombos.
Ontem quando saí de casa deixei-o lá e quando cheguei à rua olhei para cima e lá estava ele… a olhar para nós!* Partiu-me o coração ir trabalhar e deixá-lo ali, sozinho no terceiro andar, a ver-nos ir embora. Se já fico toda piegas com o gato nem quero imaginar quando for mãe e tiver de deixar a minha cria na escola pela primeira vez. Dra-ma!

 

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Gato mimado à janela.

 

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Gato de olhos arregalados a olhar para um pombo acabadinho de pousar no parapeito da janela da sala.

 


 *Agora que penso melhor, e tendo em conta o feitio do sr. gato em causa, aposto que estava a pensar qualquer coisa do género: irra, estava a ver que não. Alone, at last! Partei!!!

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publicado às 10:52

Ter um gato também é isto #5

por Marisa Furtado, em 08.12.14

Feriado. Acordar às 9h e pouco. Abrir a porta do quarto e dar com o gato ali sentado, encostadinho à ombreira da porta, a olhar para mim como quem diz "estava a ver que não". Empurrar o gato que entretanto quer entrar no quarto mas não pode porque o homem ainda está a dormir. Fechar a porta e levar uma dentada no tornozelo direito. Ir à casa de banho fazer um xixi e ter o gato sentado no bidé a olhar para mim, porque ter um gato também é nunca mais ir à casa de banho sozinha. Abrir a janela da varanda para apanhar a roupa que tinha estendida. Fechar a janela para o gato não ir para a varanda, porque ter um gato também é viver com o pesadelo de eles se atirarem do parapeito e se esbardalharem lá em baixo. Apanhar a roupa com o gato a olhar para mim e a miar do outro lado da janela. Dar comida ao gato. Tomar o pequeno-almoço. Esticar-me no sofá da sala com o portátil no colo e preparar-me para ver Klhoe and Kourtney take the Hamptons, que apesar de ser feriado também é segunda-feira e nenhuma das opções de programas televisivos me agrada. Chamar o gato que vem a correr ter comigo e se manda para cima da minha barriga recém-cheia de café com leite. Assim que se vê em cima da manta polar do sofá desata a fazer patinhas e liga o motor dos ronrons. Derreto-me e faço-lhe festinhas. Perder 10 minutos até encontrar um link decente para ver a série, sempre com o gato ali. Encontro o link e aconchego-me no sofá. O gato salta do sofá e começa a andar pela sala, claramente à procura de alguma coisa para fazer. Salta para a mesa de centro e começa a mandar as velinhas ao chão. "Kubrick!" Apanho as velas e volto para o sofá. O gato salta da mesa e vai-se pôr ao pé dos presentes de natal enquanto olha para mim, claramente a desafiar-me. "Kubrick não." Chega-se mais um bocadinho. "Kubrick!" Começa a comer a árvore de natal. "Shhhhhht!" Pára de comer a árvore e olha para mim com uma expressão esquisita. Engasga-se e começa a tentar vomitar. Engole e fica bem. Volta a abrir a boca em direcção aos ramos. Ainda só vi dois minutos da série. Pego no gato, ponho-o fora da sala e fecho a porta. Mia baixinho. Ouço-o a saltar para cima da mesa da entrada. Silêncio. Dois minutos depois plimplimplimplim. Todas as moedinhas que estavam em cima da mesa da entrada vão parar ao chão, que o meu homem tem uma carteira mas não a usa, que é muito melhor andar com os trocos nos bolsos e esvaziá-los para cima da mesa da entrada quando chega a casa. Abro a porta da sala irritada. Vejo o gato em cima da mesa com a pata em cima da última moeda. Olha para mim e empurra lentamente a moeda até ela cair. Salta da mesa e vai para o chão brincar com as moedas. Pego nas moedas e ponho-as na tacinha onde guardamos as chaves. Volto para a sala e fecho a porta. Ouço o gato a miar à porta do quarto. Ouço o correr dos estores. O homem sai do quarto estremunhado, vem ter comigo à sala, dá-me um beijo e pergunta porque é que tinha a porta fechada com um ar muito admirado. Vai tomar o pequeno-almoço e o gato vai atrás dele. Já sabe que vai receber bocadinhos de fiambre de frango, o interesseiro. 1h depois de acordar posso, finalmente, ver a série.

 

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Quando quer consegue ser muito chatinho e dasafiador mas já não imagino a minha vida sem esta bola de pêlo. 

 

 

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publicado às 10:38

Dear kitten...

por Marisa Furtado, em 21.10.14

Estou viciada nestes anúncios da Friskies! Adoro quando dão vozes aos animais, quanto mais inteligentes e pretenciosas melhor, é a minha fraqueza não há volta a dar, e a forma como o fizeram aqui foi absolutamente genial. É só a coisa mais fofa de que há memória em publicidade deste género. Esqueçam o blablabla Whiskas saquetas. Este é bem melhor.

 

 Há mais aqui, aqui e aqui.

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publicado às 14:30

Ter um gato também é isto #4

por Marisa Furtado, em 29.04.14

Domingo. Acordo com um barulho estranho. Levanto-me para ver o que se passa e o que se passa é isto:


 





Esta foi uma daquelas raras situações em que subir foi mais fácil que descer. Fui encontrá-lo a andar de um lado para o outro na calha sem saber como descer, por isso tive de ser eu a ajudá-lo. Pensava que ia sair daquela situação toda a arranhada e sem um braço, que os gatos quando estão em apuros não confiam em ninguém a não ser neles próprios - como eu os compreendo -, mas até nisso esta bolinha de pêlo me surpreende. Estiquei a mão para o agarrar pela barriga - que é só a coisa que ele mais odeia no mundo inteiro -, assim que se sentiu seguro inclinou-se para a frente, pôs as patinhas no meu braço e deixou-se levar. Quando aterrou no meu colo ficou muito quieto a olhar em frente, como que em estado de choque. Imediatamente a seguir arrependi-me de o ter ajudado. Daqui a uns dias vamos para fora e o Kubrick vai ficar em casa sozinho, com uma visita diária para tratar dele, e eu já estou a imaginar duas longas-metragens na casa de banho. Filme n.º1: subir para ali e ali ficar um dia inteiro por não conseguir descer; filme n.º2:  num acto de desespero mandar-se cá para baixo à maluca e magoar-se. Claro que há sempre a hipótese de deixar a porta fechada, mas queria evitar isso para a casa de banho não ganhar humidades. Devia tê-lo deixado descer sozinho para perceber como é que resolvia a coisa! Mas não. Sou um coração mole e fui logo ajudá-lo - não sem antes tirar umas fotografias para a posteridade! Ter um animal de estimação é quase o mesmo que ter um filho. Uma pessoa nunca está descansada.

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publicado às 10:15

Dramas da vida doméstica

por Marisa Furtado, em 14.03.14

Na sala: ele a ver o Tottenham-Benfica, eu esticada no sofá de portátil no colo e o gato no cadeirão a dormir. Reinava a calma no lar. Até o Benfica marcar.


- GOLOOOOOOOOOOO. - Levantou-se, deu uma corridinha pela sala e um murro no cadeirão. O desgraçado do gato, que até ali estava a dormir muito descansado, dá um salto com os olhos todos pretos.


- Olha... estás a assustar o gato... 


- E em Inglaterra é tudo sempre nossooooo!! Tudo a saltaaaaaar, tudo a saltaaaaar! - de braços no ar, aos saltos.


- ...


- O que é que estamos a precisar de ver? - para mim, com os olhos muito abertos.


- Não sei. (suspiro) O resumo do jogo?!


- Não!


- ...


- Estamos a precisar de ver... tudo a saltaaaaaaar, tudo a saltaaaaaar.


 


O futebol transforma o mais charmoso dos homens num verdadeiro hooligan. Só espero não fazer figuras semelhantes quando sei que há promoções na Zara.

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publicado às 10:12


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