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A rentrée dá cabo de mim

por Marisa Furtado, em 02.09.15

Nos últimos dois anos tenho-me apercebido que Setembro é para mim o que Janeiro parece ser para o resto das pessoas: um mês de mudança, de resoluções, um virar de página, um começar de novo e isso, aparentemente, traduz-se numa vontade estranha de fazer desporto. Detesto exercício e tudo o que envolva a obrigatoriedade de calçar uns ténis e roupa de licra e suar durante 1h, porém após o verão tenho sempre uma vontade súbita de fazer qualquer coisa, de me mexer, de cuidar da minha saúde.

Há quase dois anos inscrevi-me num ginásio ao pé da minha antiga casa para fazer Pilates, porque é de facto uma actividade – a única talvez? – que eu gosto, mas rapidamente percebi que não ia conseguir levar aquilo a bom porto. Ter de estar subjugada a horários chateia-me. Naquele caso ter de ir para o ginásio das 20h às 21h era meio caminho andado para não ir. Chegava a casa às 19h/19h30 ia para o sofá fazer tempo e perdia imediatamente a vontade de voltar a sair, e como era só duas vezes por semana se faltasse um dia ficava cheia de pesos na consciência porque isso significava que só tinha mais um dia para ir – o que nunca me demoveu, atenção! Nunca levei muito a sério os meus pesos de consciência - e, por cima disto tudo, as aulas apesar de terem começado bem, rapidamente descambaram. Eram raras as vezes em que estava em sintonia com a professora. Ou terminava os exercícios primeiro, ou tinha mais dificuldade e demorava mais um bocadinho e quando finalmente terminava um exercício já ela estava quase a meio de outro e a cereja no topo do bolo era a música. Era quase sempre os grandes êxitos do Pedro Abrunhosa… nada contra, mas para além de não ser nada o meu estilo de música – ouvir alguém a declamar poesia com música de fundo não é a minha onda – não era propriamente o que estava à espera quando me inscrevi no Pilates. Fazer exercícios ao som de “Hoje é o teu dia” tirava-me a pica toda, por isso desisti, voltei à minha normal vida sedentária e entretanto passaram-se quase dois anos e a vontade voltou. Merde! Desta vez com razões mais concretas que vão para além de uma vontade de fazer qualquer coisa só porque sim.

Para o ano faço 30 anos. 30! Sempre tive uma ideia muito romantizada dos 30: que era uma década de viragem, em que as mulheres são mais bem resolvidas que aos 20, mais decididas, mais senhoras do seu nariz, mais determinadas, com uma noção mais clara daquilo que querem. Não sei se é ou não mas agora que estou ali quase a chegar à estação dos intas parece que desceu em mim uma noção de que o meu corpo não vai ser sempre igual e sempre ouvi dizer que é a partir dos 30 que as coisas começam a mudar para pior. Tudo desce, nada sobe, tudo fica mais flácido, nada fica mais rijo a não ser que façamos algo para contrariar essa triste realidade. Para além disso agora que começo a pensar na maternidade um pouco mais a sério dou por mim a valorizar muito mais a prática de exercício e um estilo de vida mais saudável, não só para me sentir melhor comigo e não desatar a engordar sem qualquer tipo de controlo mas, também, para dar o exemplo. Um bom exemplo.

Posto isto, dirigi-me ao Solinca para saber as condições que tinham para me apresentar. Não foram más, que não foram, estava à espera de preços na ordem dos 50/60€ e afinal nem chega a 40 mas, e há sempre a porra de um mas, tem de ser com fidelização de 12 meses. Isto não seria problema se a) eu não tivesse más experiências anteriores no que toda a desistências. Ao fim de 5/6 meses farto-me e b) se não tivesse andado por essa internet fora a ler testemunhos de gente que também se inscreveu neste ginásio e quando quis cancelar foi o cabo dos trabalhos, com advogados ao barulho e tudo, mesmo cumprindo as regras deles – avisar 30 dias antes do término do contrato. Enfim, é todo um mundo de chatices que não me apetecia nada ter. Sim, bem sei que estou a ser derrotista, ainda nem comecei e já estou a pensar em desistir mas a verdade é que uma pessoa nunca sabe o que lhe pode acontecer na vida. E se eu precisar daquele dinheiro para outra coisa? Como é? Vou ter de continuar a abrir os cordões ao Solinca e virar as costas a tudo o resto? Hum? É isso? Mas afinal quem é que manda no meu dinheiro? Já me estou a irritar vêem? E por aí, há alguém que frequenta, ou já frequentou, o Solinca? A experiência é boa ou foi um casamento que terminou mal?

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publicado às 12:00

Desporto. Tem mesmo de ser?... #4

por Marisa Furtado, em 04.02.14

Ontem fui à minha segunda aula de pilates - a primeira após a inscrição no ginásio - e saí de lá rejuvenescida e agradavelmente surpreendida. Lembram-se de todas as expectativas que saíram goradas da primeira aula? Pois que agora, que ia com a mente aberta, foi tudo o que estava à espera da primeira vez! Uma sala pequena, turma reduzida - éramos 8 -, a professora era a mesma mas estava muito zen, sem microfone, e a música, desta vez, foi muito calma, tudo à base de instrumentais. Houve tempo para acompanhamento individual e para explicar o básico: como se respira, onde colocar o peso do corpo, que movimentos devem ser acompanhados de expiração ou inspiração, como encontrar o nosso centro... foi tal e qual os vídeos que via em casa mas ao vivo. No final da aula, e ainda surpreendida com a súbita mudança de registo, fui falar com ela e disse-lhe que tinha ficado um pouco assoberbada na semana anterior, que me tinha parecido tudo demasiado acelerado e que mal consegui acompanhar os exercícios. Ela lá me explicou que aquilo onde tinha estado era uma aula aberta para qualquer pessoa, inscrita no ginásio ou não, experimentar. Por isso foi uma coisa mais genérica, mais mexida só para dar às pessoas uma noção rápida daquilo que é o pilates.
Gostei infinitamente mais da aula de ontem, saí dali bem disposta, cheia de energia e com a certeza de que a minha inscrição não foi um erro. Confesso que cheguei a pensar que me tinha precipitado e que não me ia conseguir adaptar àquelas aulas em fast forward e que tinha de encontrar outra modalidade para fazer e justificar os 30€ por mês. Isto só prova que tenho razão quando digo que é sempre melhor termos as malvadas das expectativas o mais rasteirinhas possível. Se for muito bom ficamos agradavelmente surpreendidos, se for mau não nos choca, não nos aquece nem arrefece, porque afinal de contas nem estávamos à espera de nada de extraordinário. Estou mesmo contente com a decisão de me ter inscrito nestas aulas. O próximo passo - até porque só tenho aquele conjunto que comprei na Primark - será ir às compras para preencher aquele espacinho vazio do meu armário reservado ao exercício que, sejamos honestos, é a parte mais gira disto tudo.

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publicado às 09:57

Desporto. Tem mesmo de ser?... #3

por Marisa Furtado, em 30.01.14

As maiores inimigas de tudo na vida são as expectativas. Posto isto, a aula de pilates foi assim: saí de casa toda entusiasmada e confiante e na minha cabeça formavam-se vários cenários: uma sala pequena com espelhos por todo o lado, uma professora muito zen, uma musiquinha instrumental com passarinhos e quedas de água lá ao fundo e explicações detalhadas sobre cada um dos exercícios. Mas bastou-me entrar no balneário para começar a ver a minha vida a andar para trás. Era pequeno para tanta gente e eu não tinha cadeado para trancar o cacifo. Vesti o equipamento, guardei as minhas coisas no cacifo sem cadeado e rezei para ninguém me levar a camisola da Blanco que tinha comprado no dia anterior. Sentada num banquinho cá fora começo a ver uma fila com bem mais de dez pessoas a formar-se à porta da sala. "Como é que esta gente toda vai caber numa salinha tão pequena". A porta da salinha abre-se e o que estava do outro lado era um salão semelhante a um pavilhão de futsal. Entrei, descalcei-me e lá ao fundo vi uma senhora pequenina, cheia de energia com um microfone colado à cara. "Queres ver que te enganaste na sala e estás na aula da step?" Tomadas as nossas posições a professora aponta um comando para umas colunas enormes e começa a ouvir-se Gotan Project. Foi aqui que as minhas expectativas saíram de fininho da sala.
A aula não foi, claramente, ao encontro daquilo que tinha imaginado. Não foi tão zen como esperava, parecia pilates em ácidos, com música mexida, e mais acelerada do que estava à espera. Já conhecia a maior parte dos exercícios dos vídeos que via em casa mas foi complicadíssimo seguir o ritmo daquela pessoa. Se em casa fazia as coisas ao meu ritmo ali mal tinha tempo para pensar. Sei que certos movimentos têm de ser acompanhados de expirações ou inspirações mas a determinada altura já nem estava a seguir essa regra, tal era a rapidez com que aquela cigarra de microfone passava de um exercício para outro. Cerca de meia hora depois começa a parte mais temida da aula: os exercícios com bola que, basicamente, ficaram todos a meio, menos os dos alongamentos. A certa altura já só me ria. "Agora ponham-se em prancha, com os pés em cima da bola, e façam 3 flexões." Está bem. Nem uma consigo fazer com os pés no chão quanto mais 3 em cima de uma bola gigante que não há meio de estar quieta.

 

Conclusão: assim que terminou a aula dirigi-me ao guichet para me inscrever. Não foi fácil, nem foi exactamente aquilo que eu estava à espera, mas foi divertida. Foi um desafio e senti mesmo que puxou por mim. Hoje doem-me ligeiramente as pernas, o que quer dizer que no meio de toda aquela atrapalhação fiz algumas coisas bem. E as dores de costas que me assombram todas as manhãs hoje não estavam lá! Pode ser só coincidência mas acho que o mérito é dos os alongamentos que fiz durante a aula.

 

A partir de agora, duas vezes por semana, tenho de arranjar forças para passar 50 minutos no ginásio. E nem é preciso fazer sempre pilates. Essa é outra parte boa. Posso fazer qualquer aula que me apeteça, o que me faz pensar que esta coisa das aulas de grupo dá 10 a 0 aos planos de treino no ginásio. Posso variar sempre que me apetecer e cada aula dura sempre 50 minutos. Sempre! Quando andava no ginásio o primeiro plano de treino que me deram demorava 1h15 a completar e o segundo já ia em 1h30. Estar 1h30 a andar de bicicleta e a levantar pesos tem tudo para correr mal. É meio caminho andado para querer fazer batota. "Hoje faço só 30 minutos de passadeira, uns abdominais e depois vou-me embora." Nas aulas de grupo a dinâmica é um bocadinho diferente e isso só pode ser bom. Certo?

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publicado às 09:54

Desporto. Tem mesmo de ser?... #2

por Marisa Furtado, em 29.01.14

Depois de muito reflectir decidi-me pelos pilates! Bem na verdade não foi preciso reflectir muito. Bastou imaginar o meu eu hipocondríaco enfiado dentro de uma piscina dividida aos quadradinhos, um quadradinho para os bebés, um quadradinho para a hidroginástica e outro quadradinho para mais um grupo, ali tudo junto a chapinhar, e a água a ficar cheia do suor daqueles corpos todos juntos e, possivelmente, um ou outro xixi dos bebés, e eu ali... bastou-me imaginar este cenário apocalíptico para deixar a história da piscina de lado. Portanto, pilates it is! Tomada esta importante decisão qual é o passo a dar de seguida? Qual é? Os mais afoitos dirão que é ir a correr para o ginásio, de documentos em punho, para me inscrever, mas não, que tomadas de decisão assim a quente não são comigo. Antes da inscrição ainda vou fazer uma aula experimental e, se a coisa correr bem, aí sim, inscrevo-me.

 

Pois que a aula experimental é hoje e eu estou para aqui cheia de nervoso miudinho. De repente tenho 6 anos outra vez e está na altura de ir para a escola dos meninos crescidos. E se eu não consigo fazer os exercícios? E se a professora não tiver compaixão por mim, uma pequena iniciante com problemas nas costas "tão-novinha-coitadinha"? E se a minha miserável coordenação motora me deixar ficar mal nos exercícios com bola e for de queixo ao chão? Só uma coisa conseguiu dissipar momentaneamente estes pensamentos: uma ida à Primark - que continua a ser um pardieiro. Como é óbvio, e como bela exemplar de pessoa sedentária, não tinha nada em casa que servisse para praticar desporto. Na-da! Nem umas calças para desenrascar. Ainda fiz olhinhos de Bambi às secções de desporto da Oysho e da Mango mas depressa percebi que não valia a pena estar a dar cinquenta e tal euros por um conjuntinho só para experimentar uma aula. Cada coisa a seu tempo. Baby steps.

 

Baby step número 1: deixar-me de merdas, encher-me de confiança, e ir experimentar a aula.

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publicado às 09:48

Desporto. Tem mesmo de ser?...

por Marisa Furtado, em 23.01.14

E eis que quase um ano depois de estar a morar na casa nova descobri que tenho um complexo de piscinas e um ginásio do outro lado da rua. Ele há coisas! São dois edifícios enormes, lado a lado, mas, vá-se lá saber porquê, nunca tinha reparado neles. Já os tinha visto, sim, sou míope mas não exageremos, mas nunca me tinha indagado sobre o que se passaria lá dentro. E o que se passa são aulas de hidroginástica, correcção postural, pilates, zumba e por aí fora. Não se deixem enganar pelo meu discurso, que eu não sou uma pessoa muita dada ao desporto... correcção: não sou uma pessoa nada dada ao desporto. Já andei num ginásio mas ao fim de poucos meses fartei-me de estar a correr a olhar para a televisão. Também me deixei levar pela moda e experimentei correr ao ar livre e participar em mini-maratonas mas... esqueçam. A cada treino que fazia em vez de ficar entusiasmada, como fica a grande maioria das pessoas, só me perguntava o que é que estava ali a fazer, a correr desenfreadamente sabe-se lá para onde, com dores de burro a cada 15 minutos e dores de costas horríveis sempre que terminava. Se rogava pragas aos professores de educação física - essa disciplina do demónio - quando me obrigavam a correr à volta do campo, porque é que estava a fazer precisamente o mesmo mas de forma voluntária?! Como é bom de ver rapidamente arrumei os Nikes, mas não me fiquei por aqui. Quando ganhei juízo e me deixei de correrias comecei a fazer pilates em casa, o que também não foi a coisa mais inteligente da história. Adorava aquilo e sentia mesmo que dava resultado mas, como os fazia sem supervisão, magoei as costas. Sempre fui fraquinha dos meus ricos costados que, graças a uma ligeira escoliose, volta e meia ficam com contracturas e com os nervos presos e o diabo a quatro, por isso fazer ginástica em casa sem ter atenção à postura não é, de todo, recomendável. Quando ia ao médico a conversa era sempre a mesma: "Tem de fazer exercício! Tem de fortalecer os músculos das costas! Especialmente os da zona lombar! E de preferência em piscinas ou fazer ginástica com atenção à postura! Nada de levantar pesos!", assim mesmo, cheio de pontos de exclamação. E eu lá acenando freneticamente com a cabeça: "Sim, sim, claro, tem razão, vou já tratar disso", mas nunca ia. O problema é que agora as contracturas começaram a ser mais recorrentes e dolorosas, já me fizeram passar noites em claro a dizer mal da minha vida por causa das dores, e, portanto, a necessidade de fazer de facto alguma coisa para mudar isto começou a tornar-se premente. 
Já andei a pesquisar e parece que as aulas de pilates durante a semana têm um horário simpático e não são nada caras, tal como as de hidroginástica e correcção postural no complexo de piscinas. Resta-me agora aproveitar este entusiasmo todo e passar à prática: escolher o que quero - pilates ou chapinhar dentro de água -, fazer a inscrição, atravessar a rua e dar o corpo ao manifesto. Aaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...

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publicado às 11:25


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