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Fazer ou não fazer a cama, eis a questão

por Marisa Furtado, em 01.09.15

Há uns dias li na Harpers’s Bazaar as 9 coisas que os organizadores profissionais – não sei o que são mas parece-me algo que estou muito perto de ser! – fazem todos os dias e lembrei-me imediatamente de uma conversa que tinha tido com uma amiga e que, por estranho que pareça, até é bastante recorrente na minha vida: a importância de fazer a cama. A primeira coisa que a Harper’s Bazaar destaca é que os organizadores profissionais fazem sempre as suas camas. Dizem que é um acto que promove a produtividade ao longo do dia e que é o primeiro passo para uma vida mais organizada. Não sei se é ou não mas a verdade é que dia em que não faça a cama antes de sair de casa é dia que começa mal ou que se avizinha caótico. Sempre fui muito arrumada e organizada e desde pequena que tenho o hábito de fazer a cama antes de sair de casa. Já faz parte da minha rotina matinal. Detesto chegar a casa ao fim do dia, entrar no quarto e ter a cama de pantanas como se alguém se tivesse acabado de levantar. Não sei explicar exactamente porquê mas é um cenário que me esfrangalha assim um bocadinho os nervos – acredito que tenho um transtorno obsessivo compulsivo ligeiro que ainda não foi diagnosticado. 

Bom, essa minha amiga e, aparentemente, 95% das pessoas que conheço acham que fazer a cama é uma perda de tempo e uma coisa que não faz sentido nenhum. O argumento é sempre o mesmo e, a meu ver, muito pouco aceitável: “Para que é que eu vou fazer a cama se logo à noite me vou lá deitar outra vez?” Será que quem diz isto aplica este modelo de raciocínio a tudo? “Para que é que vou pendurar este casaco se amanhã o vou vestir outra vez? Fica aqui em cima do sofá que fica muito bem”, “Para que é que vou guardar o pijama se logo à noite o vou vestir outra vez? Vou mas é deixá-lo enrolado aqui no meio dos lençóis, que assim com'ássim também não vou fazer a cama”, “Para que é que vou aspirar a casa se amanhã já está tudo sujo outra vez, que o raio do gato/cão/coelho só larga pelo?”, “Para que é que vou passar a ferro se logo a seguir vou vestir a camisola e ela fica toda amarrotada?”. "Para que é que vou baixar a tampa da sanita se daqui a uma hora, o mais tardar, já vou ter de a levantar outra vez?" CAOS! A vida desta gente é um caos. Para além disso, um quarto com a cama feita é imediatamente um quarto arrumado e organizado, com um aspecto mais limpo e bonito e isso é uma característica que eu prezo muito em minha casa onde eu não vou só para dormir. Passo lá bastante tempo, gosto de viver o meu espaço e por isso gosto que o meu espaço esteja arrumado, organizado e limpo porque só assim me sinto bem.

Há um mito cultivado por todas as pessoas que não acreditam em fazer a cama, que é a cama ter de arejar por causa dos ácaros. Ai, adoro. Adoro porque nunca ninguém me sabe dizer quanto tempo é, realmente, preciso passar para dar cabo desses malvados mas, na dúvida, deixa-se o dia todo pronto, que assim já não há perigo. E adoro porque isso não está realmente provado, parece-me que é assim um daqueles mitos urbanos que passa de geração em geração, como aquele de que tomar banho depois de comer pode matar. Segundo um artigo do Observador – sim que eu fui-me informar para poder refutar estas ideias e evangelizar todos em meu redor - deixar a cama a arejar durante todo o dia ou não não tem qualquer influência na melhoria das alergias nem na redução das comunidades de ácaros que podem popular no vale dos nossos lençóis. Desconfio que a autoria dos “estudos” alarmistas que defendem a urgência de não fazer a cama foram levados a cabo por um preguiçoso que acha que isso é uma perda de tempo. E mais!, eu sempre dormi em camas feitas de manhã - calma enervadinhos dos ácaros, que não faço a cama assim que me levanto, é só a penúltima coisa que faço antes de sair. A última é calçar os sapatos. - e estou aqui para as curvas. Só padeço de um problema de estômago e de escoliose – mentira, tenho a certeza que tenho mais, que eu sou uma hipocondríaca do pior, mas estes são os únicos problemas diagnosticados – e não me parece que os malvados ácaros tenham desempenhado qualquer espécie de papel nestas maleitas.

Digam-me como é que alguém consegue sair de casa para ir trabalhar e deixar para trás um rasto de desorganização que vai reencontrar ao fim do dia quando regressa. Infelizmente o meu homem não é muito dado a esta actividade e como é o último a levantar-se já são mais as vezes que a cama fica por fazer. De qualquer forma, agora que vamos almoçar a casa, a primeira coisa que faço antes de me sentar a comer é... isso, fazer a caminha. Há imensos artigos que defendem que o quarto deve ser um sítio zen e calmo que promova o descanso, que até deve ser decorado com cores neutras e poucos padrões, que não deve ter televisão – bem… aqui discordo -, que não deve ser nem muito quente nem muito frio, enfim, que reúna as condições necessárias para uma pessoa entrar ali e mudar o chip para um estado de relaxamento. É por isso que não sei como fazem as pessoas que não fazem a cama. Quem é que se sente relaxado ao entrar num quarto com a cama por fazer? Com os lençóis todos amarrotados e, provavelmente, até desprendidos do colchão? Quem é que pode achar confortável entrar numa cama toda amarrotada? É que se me dissessem que fazer a cama é uma coisa que leva horas, mas é que nem isso! Em menos de cinco minutos despacha-se o assunto. E, meus amigos, se não têm cinco minutos de manhã para fazer a cama então não têm tempo para nada.

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publicado às 10:46

Ter um gato também é isto #9

por Marisa Furtado, em 04.08.15

Aquilo que mais me stressou no dia da mudança de casa foi, sem dúvida, a logística do gato. Sabia que ia ter alguns desafios pela frente:

1 – enfiá-lo na transportadora – pânico!;

2 – mantê-lo fechado não sei quantas horas num dos quartos da casa antiga enquanto os senhores das mudanças nos desmontavam os móveis;

3 – mantê-lo fechado não sei quantas horas num dos quartos da casa nova enquanto os senhores das mudanças nos montavam os móveis e os do MEO nos instalavam os serviços de tv e net, com a agravante de, desta segunda vez, ele ter de estar fechado num sítio que não conhecia, com cheiros, disposições e sons novos. Andei uma semana a sofrer por antecipação com este assunto mas as coisas acabaram por correr bastante bem. Por isso a minha dica para quem possa estar a passar pelo mesmo é só uma: relaxar.

No nosso último dia de férias foi um romance para o conseguir pôr dentro da transportadora. Foi coisa para demorar mais ou menos 40 minutos! A certa altura já estava desesperada, a suar em bica e a ponderar deixá-lo lá pronto, queres ficar ficas. Antes adorava a transportadora, não se chateava nada de lá estar dentro, mas agora odeia-a com todas as forças. Tentei tudo: enrolá-lo numa manta, pôr a comida dele na transportadora, mandar-lhe os ratinhos favoritos lá para dentro… nada resultou. Assanhou-se todo, bufou-me e rosnou-me não sei quantas vezes. No final, e já em desespero, abrimos o frigorífico para ver o que nos tinha sobrado de comida, mandámos um bocado de paio para dentro da caixa, ele foi a correr desvairado atrás do paio e foi essa a nossa oportunidade de o trancar! Cheguei ao fim desta odisseia mental e emocionalmente desgastada. E só de saber que podia ter de passar pelo mesmo filme novamente, agora com a agravante de ter pessoas estranhas em casa a fazer barulho, deixou-me com os nervos em franja.
Na semana que antecedeu a mudança deixei-lhe todos os dias a comida dentro da caixa transportadora para ele se ir habituando a estar lá dentro e encarar a coisa com normalidade, li algures que isso podia ajudar. E ajudou! Quando chegou a altura deitei uns grãozinhos de ração lá para dentro – não lhe queria dar muita comida porque podia enjoar no carro –, ele espreitou meio desconfiado, dei-lhe um empurrãozinho no rabiosque e lá foi ele. O primeiro desafio estava superado. Faltava o outro, que era deixá-lo fechado no quarto na casa nova durante sei lá quanto tempo depois de já ter estado 3h fechado na casa antiga. Só o queria soltar quando os senhores das mudanças se fossem embora e quando já não houvesse portas abertas para a rua, mas  tendo em conta o tempo que demoraram a tirar as coisas da outra casa temia o pior.
Quando chegámos à morada nova preparei o quarto onde ele ia ficar com as coisinhas todas – comida, água, caixa de areia, brinquedos, a caminha – e 1h depois voltei lá para ver como estava. Estava na maior! Muito carente mas cheio de vontade de sair e começar a explorar o resto da casa. Antes de nos mudarmos falei com um veterinário e uma rapariga de uma loja de animais e os dois aconselharam-me a apresentá-lo gradualmente à casa. “Cada dia uma divisão nova.” Acredito que resulte e seja necessário para gatos muito nervosos e assustadiços mas não me parecia que fosse a melhor abordagem para um gato tão impaciente e destemido como o meu. Acho que ia ser muito cansativo para toda a gente. Pois isso, 4h30 depois, quando já não estavam pessoas estranhas em casa, abri a porta e deixei-o explorar à vontade dele. Hoje, 4 dias depois, já está perfeitamente ambientado! Só a cozinha é que está a ser um desafio maior. Entra sempre muito rasteirinho, a cheirar tudo e assim que ouve um estalido dá um salto e volta para trás a correr. Mas com tempo a coisa vai lá.

 

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Novo sítio favorito para as sestas de final de dia. 

 

 

 

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publicado às 10:58

Mudanças report

por Marisa Furtado, em 03.08.15

Done! 
O dia da mudança foi o mais cansativo de todos, apesar de não ter feito quase nada durante grande parte do tempo. Mas o stress de ver pessoas a desmontar as nossas coisas na casa antiga com medo que algo corresse mal, ver a casa nova de pantanas com caixas e móveis em todas as esquinas, tudo desarrumado, ter a equipa das mudanças e do MEO a trabalhar em simultâneo e a sujarem-me tudo, ter o gato fechado no quarto durante uma data de horas, tudo junto foi coisa para me dar cabo dos nervos, já de si frágeis. 


Depois de muitas pesquisas acabámos por escolher uma empresa de mudanças certificada em vez daquelas de vão de escada que colam anúncios nas paredes. Preferíamos pagar um bocadinho mais mas ter a certeza que as nossas coisas eram tratadas com cuidado e que, caso houvesse um azar, havia seguro incluído no preço que cobria os danos. Os senhores chegaram à morada antiga pontualmente, às 9h, mas quando os vi comecei a ver também a minha vida a andar para trás. Era um senhor de 50 e tal anos que assim que viu o que tínhamos em casa para eles transportarem começou a fazer alongamentos "que isto de manhã é mais complicado, ainda temos que aquecer", e um franganote na casa dos 20 pequenino e magrinho. Apesar da primeira impressão não ter sido a melhor a coisa até nem correu mal. Tiveram muito cuidado com tudo e o senhor mais velho foi muito compreensivo em relação aos cuidados a ter com o nosso gato - não entrar no quarto onde ele estava, montar as mobílias daquela divisão em último lugar, ausentar-se da zona dos quartos quando tinha de o passar de um quarto para o outro, para não se assustar, etc. - acho é que podiam ter demorado menos tempo. Ao todo foram 7h30! Está bem que a casa antiga ficava num 3.º andar sem elevador - e eu bem vi a diferença quando transportaram as coisas para a casa nova que tem elevador. Bem mais rápido! - e a distância entre as duas moradas era de pouco mais de 20km, mas 7h30 pareceu-me um exagero. Falei com duas pessoas que também mudaram de casa recentemente e o tempo que demoraram variou entre as três e as seis horas. Mas pronto, está feito e se não fosse a empresa de mudanças tinha sido impossível. As únicas baixas que houve foram três canecas, um pires e um copo que se partiram por culpa nossa. O resto está impecável!

Ao fim do dia o cenário cá em casa era caótico. A maior parte dos móveis estavam colocados no sítio certo mas o recheio estava todo dentro das caixas, de formas que ver caixas e mais caixas por todas as divisões foi avassalador. Confesso que tive ali um momento de histerismo interior em que não sabia para onde me virar. Abria as caixas que estavam na sala, via que tinham coisas que tinham de ser guardadas no quarto, ia ao quarto e via mais caixas com coisas que tinham de ir para o armário da casa de banho... aaaaaaaaaaaaaaargh. 

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Como o trabalho de equipa é essencial nestas situações eu e o meu homem unimos esforços e em 5h pusemos a casa operacional. Tudo arrumado, tudo limpo, decorações nos sítios... e às 22h estávamos derreados a ligar para a Sushi@Home para encomendar o jantar - regalias para quem mora na capital.

 

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Estávamos algo apreensivos antes da mudança, tínhamos receio que a nossa mobília ficasse muito atabalhoada num espaço que é mais pequeno que o anterior, mas o resultado superou largamente as expectativas. A sala é o nosso xodó, adoramo-la, mas toda a casa ficou muito harmoniosa e acolhedora, até mais que a antiga, vejo isso agora, onde as coisas estavam mais dispersas pelas divisões. Morar em Lisboa, pertinho de tudo - algo que sempre quisemos -, ir e vir a pé do trabalho, poder ir almoçar a casa é, sem sombra de dúvida, um luxo, e morar numa casa tão bonita, um bónus!

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publicado às 09:46

Mudanças report

por Marisa Furtado, em 30.07.15

Em quatro dias já conseguimos embalar, transportar e arrumar na casa nova toda a nossa roupa, decoração, pequenos electrodomésticos, o recheio da dispensa e alguma loiça. Queremos que os senhores das mudanças só nos levem mesmo a mobília e uma ou outra caixa que seja mesmo muito pesada para nós ou que não nos caiba no carro durante este processo – que serão certamente as do resto da loiça e dos livros. Não só lhes reduz substancialmente o tempo da mudança como para nós é muito mais fácil só termos de arrumar livros e pratos na casa nova assim que a mudança estiver concluída, em vez de darmos por nós e termos tudo de pantanas. Tem-nos saído do pêlo! Actualmente moramos num 3.º andar sem elevador que sempre me custou horrores a subir mas agora, que tenho de subir e descer aquelas malditas escadas com caixas pesadíssimas nos braços vezes sem conta, estou-lhes a desenvolver o ódio nada saudável. É uma alegria sempre que chego à nova morada e só ter de depositar as coisas no elevador!
Apesar de estes dias estarem a ser muito cansativos sabe-nos bem começar a ver a casa nova a ganhar vida com as nossas coisinhas. É uma sensação muito boa. Quem está a adorar tudo isto é o senhor Kubrick, que agora tem todo um mundo de caixas e caixinhas onde se pode esconder e esticar o seu lombinho de 5kg.

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Mal sabe ele o que o espera...

 

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publicado às 10:38

Mudanças

por Marisa Furtado, em 28.07.15

Qual é aquela coisa que ninguém quer fazer no dia em que as férias terminam? Podia ser desfazer a mala que, de facto, é uma chatice e nunca apetece, mas não, não é isso, estou mesmo a referir-me a preparar uma mudança de casa. Este ano foi o que nos calhou na rifa. Depois de muito matutar, quase até à exaustão – mesmo!... – decidimos avançar com a mudança. A área do novo apartamento é um bocadinho menor que a que temos agora mas para morar em Lisboa, pertinho de tudo e, consequentemente, melhorar a nossa qualidade de vida – adeus trânsito e gastos parvos em gasolina -, há que fazer alguns sacrifícios e a área útil numa casa é, sem dúvida, uma delas. A não ser, claro, que sejamos ricos, aí o céu é o limite – eu contentava-me com uma penthouse no Chiado. Assim que entrámos em casa, depois de uns retemperadores 15 dias de praia, desfizemos as malas de viagem e começámos imediatamente a encaixotar a nossa vida de dois anos e meio nestes 90m2. Cheguei ao final do dia tão estoirada que quase não conseguia falar. E só enchemos umas seis caixas. Ou seja, ainda falta TUDO! Felizmente tivemos a presença de espírito de contratar uma empresa que nos vai tratar da mudança dos móveis, o que já é um descanso.
O grande defeito que achei que a casa nova tinha era o facto de não ter dispensa nem varanda/marquise onde se pudessem guardar coisas, mas depois entrei em minha casa, vi a quantidade de tralha que tenho guardada nesses dois espaços e agradeci a Deus ter-me levado para um sítio onde vou ser obrigada a ter um estilo de vida mais minimalista. A sério, quem é que precisa de 50 sacos de plástico e papel? O que é que eu acho que me vai acontecer na vida para precisar de armazenar tanto saco? E as caixas acumuladas das coisas que fomos comprando?  Ele é a caixa do secador, da máquina do café, da liquidificadora, do aquecedor ranhoso que deve ter custado uns 10€ - mas que me dá um jeitão no inverno para aquecer a casa de banho! -, da varinha mágica, do fervedor… ufa! “Guardamos a caixa durante 2 meses, não vá haver algum problema com o aparelho, mas depois vai fora.” Vai, vai. A minha vontade é entrar ali, fechar os olhos e mandar tudo para o lixo, assim indiscriminadamente, mas, infelizmente, vou ter de passar por um longo e penoso processo de selecção, não vá haver ali alguma coisa que faça, realmente, falta.
No meio disto tudo percebi que uma das coisas boas de se ter os pais a viver num raio de 20km é podermos distribuir a tralha que não conseguimos pôr na casa nova pelas casas deles. Por exemplo, sempre que entro na marquise o que me salta logo à vista é a enorme bola de Pilates que resolvi ir buscar a casa dos meus pais num dia em que, provavelmente, me estava a sentir muito virada para a actividade física – go figure… Erro. Trouxe-a, enchi-a e guardei-a ali. Vai, obviamente, regressar às origens, que na casa nova não há espaço para devaneios parvos deste género. Na casa antiga temos três varandas com janelões enormes mas na casa nova isso não existe, logo, vão sobrar cortinados. Solução: vão dobradinhos para a casa dos sogros que era só o que faltava agora pôr cortinados no lixo. Coincidência das coincidências, os nossos pais vão de férias na altura das mudanças o que pode significar que, quando regressarem, tenham uma decoração nova lá por casa (inserir riso maquiavélico).
Nos próximos dias a minha vida vai ser isto: trabalhar durante o dia, encaixotar coisas à noite e ir levando o que conseguirmos para a casa nova ao final do dia de forma a que, no fim de semana, quando chegarem os senhores das mudanças, já estar tudo organizadinho e só ser preciso levar. Quando tomámos esta decisão pensei que mal começássemos as mudanças ia começar a chorar copiosamente com pena de deixar a casa, tão bonitinha, onde fomos tão felizes nos últimos dois anos e meio, mas já tirámos todos os cortinados das janelas, molduras das paredes e encaixotámos roupas e coisas de cozinha e, até agora, mantive-me firme como uma rocha. So far so good.

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publicado às 10:35

Mudar de casa

por Marisa Furtado, em 29.06.15

O que é que duas pessoas que não gostam de mudanças nunca conseguem fazer de forma leviana? Exacto, mudar de casa. Certamente haverá muitas outras coisas, mas mudar de casa é capaz de ser o maior pesadelo de alguém que não gosta muito que lhe abanem as estruturas. Eu e o meu homem moramos nos subúrbios numa casa linda, espaçosa, com muita luz, completamente decorada a nosso gosto. Um mimo. Problema: fazemos toda a nossa vidinha em Lisboa e só regressamos à base para dormir. O que significa que passamos imenso tempo enfiados no carro e que não usufruímos da zona onde está a nossa casa e isso, ao fim de dois anos e meio, foi uma coisa que nos começou a aborrecer. O facto de ser um terceiro andar sem elevador também não ajuda. Já lá estamos há tempo suficiente para as minhas pernas se terem habituado a subir três (longos) lances de escadas, mas a verdade é que ainda hoje fico surpreendida por não morar no segundo andar, onde chego sempre cansadíssima e a desejar parar logo ali.
Há meses que andamos a ver casas em Lisboa, o que é o mesmo que dizer que há meses que sofremos desilusões umas atrás das outras. Por norma nas fotografias as casas parecem sempre lindas e enormes mas quando lá entramos são minúsculas e escuras/a precisar de pintura/com muros em frente às janelas/com quartos onde não cabe uma cama/os senhorios são uns burgessos… you name it. E as casas giras têm sempre um Calcanhar de Aquiles que torna impossível avançar para o aluguer. Normalmente são as cozinhas semi-equipadas, que é como quem diz com fogão e, com sorte, esquentador e/ou casas sem roupeiros. Ora, se nos pedem 600€ mas depois ainda temos de equipar a cozinha toda, ou se temos de comprar armários que vão, invariavelmente, tirar área aos quartos… a brincadeira sai cara. Portanto o cenário foi este durante quase um ano, até nos ter aparecido a casa que tinha tudo para ser perfeita: remodelada, com elevador, cozinha equipada e a uma distância pedonal de tudo o que interessa, inclusive do trabalho. Se no sítio onde estamos agora precisamos de carro para tudo – mas mesmo tudo! -, ali podemos ir a pé ao supermercado, ao cinema, a uma data de restaurantes e se quisermos ir um bocadinho mais longe também temos o metro logo ali à porta. Problema: a casa é mais pequena que a nossa – uma diferença de 15m2 - e a nossa… epá, é mais gira. Sinto que para todas as pessoas com quem falo do assunto isto não se qualifica como um problema, na maioria das vezes ficam convencidas com o argumento de ir a pé para o trabalho, mas a verdade é que perante a hipótese de deixarmos a nossa primeira casa, tão lindinha e maior, com as paredes pintadas de cinzento clarinho e o papel do Querido Mudei a Casa na sala… a verdade é que vacilamos e começamos a pensar se afinal ir a pé para todo o lado, inclusive para o trabalho, é assim tãaaaaao importante. Também não ajuda estarmos a passar por este dilema no verão, altura em que quase não há trânsito nenhum em Lisboa. Se calhar se estivéssemos em Janeiro, com chuvas torrenciais e filas de trânsito assustadoras, a conversa era diferente.
E pronto há uma semana que não se fala noutra coisa, de manhã achamos que nunca na vida vamos conseguir abandonar a nossa primeira casa, mas a meio da tarde já só vemos vantagens na outra: “É mais pequena, mas…”. Daqui a umas semanas vou de férias e não queria nada usar o meu tempo de relax a martirizar-me com este assunto, de formas que já só me apetece ligar ao senhorio e dizer “esqueça lá isso” só para conseguir pensar noutras coisas. E este filme todo é só para decidirmos se queremos mesmo mudar de casa ou não! Nem quero imaginar como será se tivermos de empacotar tudo e voltar a desempacotar e arrumar tudo no sítio na casa nova. Pânico.

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publicado às 15:22


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