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Sei Lá vs. Sexo e a Cidade

por Marisa Furtado, em 31.03.14

Advertência: tudo aquilo que está aqui escrito é apenas baseado no trailer do filme Sei Lá, e parece-me ser o suficiente. 


Soube da existência deste filme a semana passada através de um blog. Estava apresentado como um filme muito divertido, que as mulheres iam adorar e que deviam ir vê-lo com um grupo de amigas. Um filme para mulheres, portanto. Depois de ver o trailer percebi que  este até podia ser um filme para mulheres mas não era, sem dúvida, um filme para esta mulher. Disse-o na minha página do Facebook e percebi que não era a única, afinal havia mais que não se reviam naquilo. Pronto, assunto arrumado. Pensava eu. No passado sábado o Jornal das 8 da TVI apresentou uma peça sobre ele tentando compará-lo com o Sexo e a Cidade, a Judite de Sousa descreveu-o como "uma espécie de versão de Sexo e a Cidade à portuguesa". Assim de repente não estou a ver o que é uma espécie de versão do Sexo e a Cidade à portuguesa, mas deve ser algo que não tem nada a ver com o Sexo e a Cidade. Ora bem, meus amigos, vamos lá ver uma coisa: um filme, ou uma série, para poder ser comparado com o SATC - sigla em inglês para me facilitar a escrita - não tem apenas que ter quatro mulheres bem vestidas como figuras centrais que passam a vida a falar de sexo. Lamento, mas há muito mais que isso. Se a série americana fosse só isso não tinha tido, certamente, o êxito que teve. O Sexo e a Cidade aborda sexo, sim, homens, a própria cidade de Nova Iorque, moda, filhos, amizade, trabalho, a redefinição do papel da mulher na sociedade... é uma série sobre mulheres. Mas o Sei Lá é, claramente, um filme sobre homens. E não há mal nenhum nisso! Aquilo que é mostrado no trailer, que é suposto ser um conjunto de cenas retiradas de um filme e que, em 2 minutos, mostre às pessoas qual a história e o conteúdo do mesmo, são quatro mulheres que passam a vida a falar dos homens, todo o filme gira à volta deles e do comportamento deles e foi feito para os incomodar. Dizia a voz off da reportagem que é "impossível não fazer comparações com a série norte-americana". A sério? É impossível não fazer comparações? Acho que impossível é comparar as duas coisas da forma como o estavam a tentar fazer. Mas a parte mais gira da peça, e que motivou este meu texto, foi a Rita Pereira - que faz parte do "elenco de luxo" - dizer que, sim, o filme é um Sexo e a Cidade à portuguesa "sendo que este livro [Sei Lá, da Margarida Rebelo Pinto] foi escrito quando ainda não havia o Sexo e a Cidade, isso é de salientar". Oi? Estaria a Ritinha a sugerir que a Margarida Rebelo Pinto viu aquele universo representado na série americana muito antes dos produtores e das pessoas que a escreveram? Ou então que foi a Candace Bushnell que leu o Sei Lá, achou aquilo genial e foi a correr fazer um livro parecido? Espero que não, até porque o que ela diz está errado. O SATC começou com o livro com o mesmo nome, da Candace Bushnell, que foi publicado em 1997, a série estreou em 1998 e o Sei Lá, da Rebelo Pinto, foi publicado em 1999. Mas a peça apresentada pela TVI girou sempre à volta disto: que era muito semelhante ao SATC, que a série americana teve muito sucesso e que o livro da Margarida também foi um best-seller a uma escala inédita em Portugal. Não percebo esta necessidade das pessoas se valorizarem ou valorizarem o seu trabalho comparando-o, à força, com outra coisa remotamente parecida. Mas se, mesmo assim, o quiserem fazer convém não mandarem postas de pescada para o ar a ver se pega e saberem, de facto, do que é que estão a falar. Isto é que é da salientar! Mas a Rita Pereira não se fica por aqui, disse ainda que este é um filme que os homens vão querer ver porque querem saber como é que, realmente, as mulheres pensam. Epá... não Rita. Não é assim que as mulheres pensam e espero que os homens que forem arrastados para as salas de cinema para ver o filme sejam pessoas inteligentes e percebam que aquilo é uma caricatura, não é uma representação fiel do mundo feminino. Se estiverem realmente interessados em entrar nesse universo vejam o SATC, não o Sei Lá. Aquele universo feminino que vi no trailer pareceu-me extremamente forçado, numa tentativa de representar o feminismo mas visto do avesso - feminismo não é aquilo! -, e cheio de estereótipos: "Catarina, a bem casada, mãe de filhos e casa em Belas e o marido, o Bernardo que... enfim" ou a personagem da Ana Rita Clara, que parece que agora é actriz, cuja personagem "trata os homens como eles nos tratam a nós". Eu nem sei bem o que isto quer dizer! O que é isso de tratar os homens como eles nos tratam a nós? É que, no mundo masculino, tal como no feminino, há homens interessantes, inteligentes, que prezam o conceito de família e depois há os outros que, por alguma razão, não querem ouvir falar em compromissos, só querem dar umas quecas e passar à próxima e penso que são bastante claros em relação a isso. Cabe-nos a nós, mulheres, saber ler nas entrelinhas para perceber qual deles temos à frente. "Conheci o Francisco num jantar de amigos, saímos umas quantas vezes, fomos para a cama outras tantas, mas há duas semanas que ele não me liga! Os homens são todos uns cabrões/idiotas/básicos!" pois, mas se calhar o Francisco, numa daquelas saídas, disse que tinha acabado uma relação de longa data porque descobriu que a namorada o andava a trair. Isso é um sinal claro que aquilo que o Francisco quer é dar umas voltas para desanuviar e, talvez, daqui a 3 anos, volte a pensar em juntar os trapinhos com alguém. Ele não diz isto, como é óbvio, mas está implícito. Cabe às mulheres "independentes e urbanas", como são as do filme, perceberem isto. Afinal temos um bem precioso que se chama instinto, que não serve só para perceber se um homem é, ou não, bom na cama.


 


 



 

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publicado às 10:50


1 comentário

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De ♥ Sara a 31.03.2014 às 16:36

Só posso dizer uma coisa com este texto: Espectáculo.
Acho que disseste tudo :D
(Parabéns pelo destaque)

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