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Então e os saldos?

por Marisa Furtado, em 06.01.15

Muitas comprinhas? Grandes achados? Já substituíram aquelas camisolas de inverno velhas por umas novas e já começaram a compôr o armário para o verão? Sim? Good for you. Este inverno a minha ida aos saldos resume-se a uns óculos de sol da Mango que me custaram 9.99€. Ali por alturas do Natal estava em pulgas para que os saldos começassem; sonhava com camisolas de caxemira da Zara a 20€ e calças de ganga a preço de chuva mas os planos saíram-me todos furados. E a razão é só uma: as pessoas que parecem ter enlouquecido. Todas as lojas onde pus os pés só me deram vontade de fugir. Roupas ao molho, calças de ganga misturadas com t-shirts, descontos miseráveis de 5€ e muita, muita, muita gente em todo o lado: no meio da loja a remexer na roupa, em filas intermináveis para os provadores e em filas maiores para pagar... nunca uma ida à Zara foi tão rápida. Entrei a medo e a meio da loja já estava a desistir. Sou uma pessoa ansiosa, que volta e meia tem uns ataques de nervos jeitosos, e sítios cheios de gente dão cabo de mim. Começo logo a hiperventilar perante a possibilidade de ter de estar 30 minutos em pé, com roupa até ao queixo, para entrar num provador e depois idêntica tortura para pagar. Credo! Não me lembro de haver igual histerismo nos anos anteriores por causa dos saldos. Ou se calhar era igual e eu é que mudei. De repente foi-se-me a paciência para andar nas compras nestas condições adversas. 
Como as lojas andam impossíveis tenho optado por vigiar os sites do costume e o resultado não é mais animador. As minhas wishlists e o cesto virtual da Zara - quando, mas quando é que a Zara vai permitir a criação de whislists no site? Dá imenso jeito e deve ser a única marca que não permite tal coisa - estão a abarrotar mas ainda não encontrei assim nenhuma peça que queira mesmo, mesmo muito. Por isso vou enchendo as whislists de coisas giras, mas que não me fazem particular falta, e pouco depois, tudo somado, chega a valores ridículos que ultrapassam os 100€... o da Zara, com apenas 23 pecinhas, ultrapassa os 500€... no can't do. E assim se resume a minha não ida aos saldos.
O que eu queria mesmo, mesmo, mesmo muito era uns Gazelle e uns Stan Smith, ambos Adidas, mas esses só devem entrar em saldos lá para Outubro.
Aqui ficam alguns objectos do meu desejo:

 

Sem título #47

 

 

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publicado às 10:18

Life resolution

por Marisa Furtado, em 02.01.15

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Para além dos habituais desejos de saúde, amor e dinheiro todos os anos há uma passa reservada para as viagens. Para mim viajar é tão essencial como ter comida no prato. Ouvir novos idiomas, experimentar novas comidas, estar em contacto com novas culturas, com diferentes ritmos de vida, ver coisas que nunca veria no meu país... é uma lufada de ar fresco e o único investimento que faço com a certeza de que vou ficar mais rica depois. Agora resta-me respirar fundo, receber de braços abertos o novo ano e... um novo destino. Feliz 2015!

 

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publicado às 10:15

Vendas agressivas? Não, obrigada.

por Marisa Furtado, em 11.12.14

Andar às compras é uma das coisas que mais gosto de fazer nos meus tempos livres. Para muita gente ir enfiar-se no Colombo ou nas lojas da Baixa depois de um dia de trabalho é o maior dos pesadelos mas para mim é uma óptima forma de relaxar e distrair a cabeça. Gosto de andar por ali a ver as montras, as pecinhas novas que acabaram de chegar às lojas, ir para os provadores experimentar roupa que mesmo que não possa comprar na altura vejo se me fica bem ou não para comprar mais tarde. Enfim, um pequeno oásis. Mas como em quase tudo na vida também tem o seu lado mau. Não, não é ficar com menos dinheiro na carteira. Sim, são as vendedoras chatas. Longe vão os tempos em que só nas lojas do chinês tínhamos um empregado colado a nós a ver onde é que andávamos a mexer. Agora desconfio que em praticamente todas as lojas as empregadas sejam transformadas em autenticas comerciais e hiper-incentivadas a vender, vender, vender para ganharem boas comissões. E, meus amigos, não há nada que me incomode mais.
Assim que ponho o pézinho direito na Sephora aparece logo uma rapariga toda muito feliz e sorridente, de lábios rosa choque, a perguntar se preciso de ajuda. "Não, venho só ver", resposta automática. Ainda não cheguei a meio da loja e já tenho outra a perguntar-me exactamente o mesmo. "Por enquanto não". E assim que pego em qualquer coisa pumba: "Precisa de ajuda? Já conhece os novos produtos dessa marca? Já conhece a nossa promoção pague 3 leve 4?" BACK OFF!! Eu percebo que a ideia é levar as pessoas a comprar e de preferência a comprar muito, muitas vezes coisas que nem sequer precisam, mas acho que o efeito é precisamente o oposto. Pelo menos comigo que com tanto assédio fico logo com vontade de me pôr na alheta. E digo assédio sem pretensão de exagerar. Assédio não se limita aos "És bem boa" berrados pelos homens das obras e aos telefonemas da Cofidis às nove da noite a proporem-nos cartões de crédito. Entrar numa loja de onde só queremos uma coisa, ou onde só queremos gastar determinado valor, e termos alguém a impôr-nos milhentas sugestões depois de já termos dito e repetido que SÓ queremos levar o que já temos na mão é também um assédio.
Mas calma, que a Sephora não é a única. Há umas semanas fui à Calzedonia comprar uns collants pretos opacos normalíssimos. Como não queria perder tempo à procura deles pedi ajuda a uma funcionária, que eu quando preciso efectivamente de ajuda pergunto. Foi muito prestável, levou-me logo ao sítio deles e assim que mos entregou... sim, começou o assédio. "Não quer aproveitar a nossa promoção? Leva 5 pares e paga só 4. Não convém nada levar só um par de collants. Imagine que eles se rasgam! Assim fica já com uns quantos de reserva" "Agradeço mas não vale a pena. Eu sou muito cuidadosa e os collants da vossa marca são tão bons que não se rasgam assim tão facilmente." "Pois isso é verdade. Então agora vamos ali ver a colecção de fantasia". Juro que foi assim que ela falou. Parecia que estavamos num museu. "Então agora vamos passar à sala Renascentista". Disse-lhe que não valia a pena, que só precisava mesmo de uns collants pretos. "Tem a certeza? - adoro!.... Adoro, adoro, adoro. Tem a certeza? Tem a certeza que em vez de gastar só 7€ não quer gastar 18€? Tem a certeza?! - Olhe que uns collants fantasia dão logo outro ar aos looks. Um vestido preto normal, assim simples, ficaria muito giro com umas meias com risquinhas em relevo!" "Pois. Mas collants com bonecada não são mesmo nada a minha onda." "Ah. Prefere coisas mais simples é?" "Exacto." "Então e os nossos collants semi-opacos já conhece?" Estão a ver o rumo que isto está a levar, certo? Ela queria vender-me tudo! Qualquer coisa. Alguma coisa para além daquilo que eu queria, que Deus nos livre de gastarmos dinheiro só naquilo que realmente precisamos.
Há bocado fui à Parfois trocar uma coisa e na caixa esbarrei com uma fila de 8 pessoas. Todas elas foram assediadas pela menina da caixa. Todas! "É só a mala? Só?! É para si? Então porque é que não leva outra para oferecer a alguém no Natal? Não quer? Então e um alfinete de peito? Já viu estes tão bonitos que temos aqui?" Próxima vítima. "É só a echarpe? Não quer levar um anel ou uns brincos? Temos uns muito bonitos no mesmo tom que iam ficar aqui muito bem" Next. "Não quer escolher também um colar para fazer conjuntinho com os brincos que vai levar? Não?! E um anel? Aquele ali fazia um conjuntinho tão bonito!" Eu ouvia aquilo e só abanava a cabeça. Primeiro porque com aquela conversa toda a fila não havia meio de andar e eu tinha o tempo contado, e depois porque não queria ter de dizer que não às 25 coisas que ela se ia lembrar de me impingir. Felizmente calhou-me a estagiária. Não me tentou vender nada, fez-me a troca, deu-me o talão e "Obrigada e boa tarde". É só isto que eu quero. Só isto. Alguém prestável, que me atenda de forma simples e simpática sem quase me obrigar a levar metade da loja. É pedir muito?

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publicado às 13:38

Ter um gato também é isto #5

por Marisa Furtado, em 08.12.14

Feriado. Acordar às 9h e pouco. Abrir a porta do quarto e dar com o gato ali sentado, encostadinho à ombreira da porta, a olhar para mim como quem diz "estava a ver que não". Empurrar o gato que entretanto quer entrar no quarto mas não pode porque o homem ainda está a dormir. Fechar a porta e levar uma dentada no tornozelo direito. Ir à casa de banho fazer um xixi e ter o gato sentado no bidé a olhar para mim, porque ter um gato também é nunca mais ir à casa de banho sozinha. Abrir a janela da varanda para apanhar a roupa que tinha estendida. Fechar a janela para o gato não ir para a varanda, porque ter um gato também é viver com o pesadelo de eles se atirarem do parapeito e se esbardalharem lá em baixo. Apanhar a roupa com o gato a olhar para mim e a miar do outro lado da janela. Dar comida ao gato. Tomar o pequeno-almoço. Esticar-me no sofá da sala com o portátil no colo e preparar-me para ver Klhoe and Kourtney take the Hamptons, que apesar de ser feriado também é segunda-feira e nenhuma das opções de programas televisivos me agrada. Chamar o gato que vem a correr ter comigo e se manda para cima da minha barriga recém-cheia de café com leite. Assim que se vê em cima da manta polar do sofá desata a fazer patinhas e liga o motor dos ronrons. Derreto-me e faço-lhe festinhas. Perder 10 minutos até encontrar um link decente para ver a série, sempre com o gato ali. Encontro o link e aconchego-me no sofá. O gato salta do sofá e começa a andar pela sala, claramente à procura de alguma coisa para fazer. Salta para a mesa de centro e começa a mandar as velinhas ao chão. "Kubrick!" Apanho as velas e volto para o sofá. O gato salta da mesa e vai-se pôr ao pé dos presentes de natal enquanto olha para mim, claramente a desafiar-me. "Kubrick não." Chega-se mais um bocadinho. "Kubrick!" Começa a comer a árvore de natal. "Shhhhhht!" Pára de comer a árvore e olha para mim com uma expressão esquisita. Engasga-se e começa a tentar vomitar. Engole e fica bem. Volta a abrir a boca em direcção aos ramos. Ainda só vi dois minutos da série. Pego no gato, ponho-o fora da sala e fecho a porta. Mia baixinho. Ouço-o a saltar para cima da mesa da entrada. Silêncio. Dois minutos depois plimplimplimplim. Todas as moedinhas que estavam em cima da mesa da entrada vão parar ao chão, que o meu homem tem uma carteira mas não a usa, que é muito melhor andar com os trocos nos bolsos e esvaziá-los para cima da mesa da entrada quando chega a casa. Abro a porta da sala irritada. Vejo o gato em cima da mesa com a pata em cima da última moeda. Olha para mim e empurra lentamente a moeda até ela cair. Salta da mesa e vai para o chão brincar com as moedas. Pego nas moedas e ponho-as na tacinha onde guardamos as chaves. Volto para a sala e fecho a porta. Ouço o gato a miar à porta do quarto. Ouço o correr dos estores. O homem sai do quarto estremunhado, vem ter comigo à sala, dá-me um beijo e pergunta porque é que tinha a porta fechada com um ar muito admirado. Vai tomar o pequeno-almoço e o gato vai atrás dele. Já sabe que vai receber bocadinhos de fiambre de frango, o interesseiro. 1h depois de acordar posso, finalmente, ver a série.

 

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Quando quer consegue ser muito chatinho e dasafiador mas já não imagino a minha vida sem esta bola de pêlo. 

 

 

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publicado às 10:38

Coisas que me encanitam

por Marisa Furtado, em 08.09.14

Casas de banho públicas para mulheres sem cabide. Mas qual é a ideia? Como toda a gente sabe, as mulheres carregam um objecto precioso que dá pelo nome de mala, objecto esse que, na maioria das vezes, traz toda a nossa vida lá dentro. Ora, faz algum sentido obrigarem-nos a pôr as nossas preciosas malas naquele chão que está, quase sempre, imundo? Esta ausência de cabide torna-se especialmente enervante nas casas de banho dos centros comerciais. Não acreditam? Ora atentem no seguinte cenário hiper-realista: uma pessoa sai louca da Zara, cheia de sacos, e com a carteira bem mais leve e, de repente, dá-lhe vontade de fazer um xixizinho. O que é que faz aos sacos, senhores? Ficam aos nossos pés, naquele chão todo sujo? E se o chão estiver molhado? Ficam os sacos de papel ali de molho? E no Inverno, quando temos aquelas trench coats enormes ou aqueles casacões pesados? Não dá jeito nenhum sentarmo-nos na sanita com ele vestido. Ora, se não há cabide o que é que se faz ao casaco? Fica no nosso colo, é? Estamos, portanto, sentaditas na sanita com um casaco de 3kg no colo, 8 sacos da Zara aos pés e mais a mala que, de certeza, é uma shopper xxl, que bonito! Juro que isto é coisa que me dá cabo dos nervos. Mas que tipo de mente distorcida inventa casas de banho sem cabides? Isto, de certeza, só pode sair da mente iluminada de um homem que não só faz xixi de pé, portanto a necessidade de pendurar o casaco não existe, como nem sequer tem mala porque é a desgraçada da namorada/mulher que lhe guarda tudo dentro da tal shopper que, não raras as vezes, é motivo de gozo por parte do mesmo homem que depois lá quer pôr dentro tudo e mais alguma coisa, que Deus nos livre de guardar as nossas coisinhas dentro dos bolsos. Enfim, como podem ver isto é algo que eu levo muito a sério. Já estou para aqui toda afogueada a carregar nas teclas com mais força do que é suposto. É que uma coisa tão simples como a porcaria de um cabide é um bem de primeira necessidade para as mulheres e espanta-me como é que nem toda a gente percebe isto. Está decidido, vou criar um sindicato e vai chamar-se "O Direito das Mulheres aos Cabides".

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publicado às 11:34

Há dias um amigo meu que, claramente, não percebe nada de mulheres e, muito menos, de moda dizia-me que não entendia porque é que nós gastávamos tanto dinheiro e perdíamos tanto tempo sempre que precisávamos de comprar um vestido para levar a um casamento. "Podiam fazer como nós, que compramos um fato que nos dá para os casamentos dos próximos 10/15 anos. Inclusivé o nosso." Primeiro, vamos ignorar aquela parte em que se vai para o próprio casamento com um fato que já se usou não sei quantas vezes noutras ocasiões. Vou partir do princípio que ele estava a brincar e passar à frente. Depois, como é lógico, as mulheres não podem ter um único vestido que usam para ir aos casamentos todos. Primeiro porque é de muito mau gosto aparecer em fotografias de casamentos diferentes com a mesma roupa, parece que se está de farda; segundo, a maioria das mulheres adora ir às compras, estar a par das novas tendências e variar os looks; e terceiro, a escolha da indumentária para levar a um casamento depende de um milhão de variáveis.

A cor. Branco, bege, pérola e todas as variantes estão off-limits. Essa é a cor da noiva e se não querem ver a princesa transformar-se em bridezilla o melhor é optarem por outra coisa. Preto também não pode ser. Só há duas razões para usar preto durante o dia: ou estamos a ir para um funeral ou a chegar a casa depois de uma noite de rambóia. Se esta não for, que não é, nenhuma dessas ocasiões o little black dress deve ficar guardadinho no armário. Claro que mesmo assim ainda temos todo um leque de cores por onde escolher, mas nem todas são boas opções. Assim de repente lembro-me de umas quantas que já quase me cegaram em várias cerimónias: roxo, cor-de-laranja, vermelhão, castanho, verde, rosa-choque. São cores que ou fazem de nós umas verdadeiras ratazanas deprimidas ou nos transformam num wannabe da tia maluca da noiva. Como se pode ver uma coisa tão simples como escolher a cor do vestido pode transformar-se numa verdadeira dor de cabeça.

O casamento é de dia ou de noite? De manhã ou ao final do dia? Se vamos a um casamento que começa às 11h da manhã não faz muito sentido irmos de vestido de cocktail até aos pés, como se estivéssemos numa gala. Devemos ir com um vestido pelo joelho ou ligeiramente mais curto  - nada de trapos à Casa dos Segredos... -, mas se for um casamento que comece apenas ao final do dia já é apropriado levar uma coisa mais comprida.

É no Verão ou no Inverno? Se for em Agosto tem de ser uma coisa levezinha e assim para o esvoaçante, mas se for em Janeiro já temos de usar um vestidinho de manga comprida, com um tecido mais aconchegante. Mas depois ainda temos a Primavera e o Outono, estações onde não se pode usar nenhuma das opções anteriores. Já não está calor para usar o vestidinho esvoaçante mas também ainda não está frio que justifique ir de vestido de manga comprida. Temos de optar, então, por um trapinho de meia-estação, fresco q.b.. E a dificuldade que é encontrar um vestido deste género que sirva para ir a uma cerimónia?! A maioria dos vestidos que se vê nas lojas são muito giros para ir trabalhar ou para sair mas demasiado informais para se apresentarem num casamento. Só aqui, neste pequeno parágrafo, percebemos que temos de ter, pelo menos!, três vestidos diferentes. Três! Nunca, apenas, um.

Os sapatos: essa compra que se assemelha à subida do Everest para muitas mulheres. Sim, a compra dos sapatos tem tanto de emocionante como de desesperante. Tal como acontece com os vestidos, também a escolha do que vamos calçar depende muito das estações do ano. No Verão podemos usar sandálias mas no Inverno já se recomenda uns sapatinhos fechados. E a cor? Aquela triste ideia de comprar uns sapatos pretos e combiná-los com tudo e mais alguma coisa, "porque o preto dá bem com tudo", não passa disso mesmo, de uma triste, e muito pouco original, ideia. Os sapatos pretos até podem ir bem com tudo mas também podem ser os responsáveis por arruinarem todo um look. Imaginem que compraram um vestido azul. Por muito bonito e cheio de rococós que seja, se calçarem uns sapatos pretos matam logo todo o potencial que ali podia haver. Neste caso seria preferível comprar umas sandálias/sapatos prateadas ou nude para equilibrar a coisa. Com a carteira passa-se o mesmo: uma carteira preta não é a solução para todos os nossos males. Às vezes é mesmo aqui, neste pequeno objecto onde mal cabe o telemóvel e um batom, que está o factor diferenciador. Não há nada mais original que ir com um look muito romântico ou clássico e depois desconstruir tudo isso com uma carteira ou uns sapatos de uma cor mais arrojada ou com umas aplicações douradas ou prateadas para um toque mais sofisticado.

A partir do momento em que a noiva anuncia que se vai casar no dia x não é só ela que passa os meses seguintes a bater com a cabeça nas paredes até encontrar 'o' vestido. As convidadas passam por igual aperto. Posto isto, acho que está na hora de os homens serem um bocadinho mais compreensivos quando virem a sua cara metade a hiperventilar num dos provadores da Zara, rodeada de vestidos do avesso, e a gritar qualquer coisa como: "Nunca vou conseguir encontrar um vestido para levar ao casamento!! E já só faltam dois meses!".

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publicado às 10:31

Multiopticas, a pior oferta sempre

por Marisa Furtado, em 07.08.14

O mês passado, como habitualmente, encomendei online as minhas lentes de contacto para os próximos 6 meses e enviei a factura para a Multicare a fim de me restituírem parte do valor pago. Uns dias depois ligaram-me a dizer que a minha apólice tinha sido renovada e que por isso tinha de lhes enviar uma nova receita ou relatório médico para o reembolso ser efectuado. Cada renovação da apólice obriga a novo envio de receita médica para comprovar que preciso mesmo delas e não ando a gastar dinheiro em lentes de contacto só porque me apetece. "Não precisa de ir a um oftalmoligista de propósito. Nós aceitamos receitas passadas pelo optometrista, daquelas ópticas de centro comercial", explicou-me a menina da Multicare. Tudo certinho. Peguei no telefone e liguei para a Multiopticas do Colombo. O que se segue é a conversa SURREAL que tive com aquela gente:


 


- Boa tarde, queria saber qual é o preço de uma consulta de optometria.


- As consultas são gratuitas.


Eu, já a saber o que a casa gasta: - Sim, são gratuitas mediante a compra dos óculos ou das lentes aí, certo? Quanto é a consulta se não precisar comprar nada?


- As consultas são sempre gratuitas mas não lhe damos a receita.


- Não me dão a receita? Então mas eu não tenho direito a uma receita ou um relatório médico sobre a condição da minha vista?


- Só lhe damos a receita se comprar aqui os óculos ou as lentes.


- Pois mas o que se passa é o seguinte - expliquei-lhe tudo muito bem explicadinho -, portanto não preciso de comprar nada. Preciso só mesmo da fazer a consulta para enviar o relatório com a graduação para a seguradora.


- Sim, eu acredito nisso tudo, mas nós não fazemos isso. Como não cobramos a consulta não temos obrigação de fornecer a receita ao cliente.


- O quê? Não têm obrigação? Mas isso não faz sentido nenhum! Isso é a mesma coisa que eu ir a uma farmácia fazer um exame gratuito ao colesterol e só me darem o resultado se eu comprar lá qualquer coisa. Obrigarem os clientes a comprarem aí os óculos ou as lentes para terem direito à receita é uma forma indirecta de lhes cobrarem a consulta, já pensou nisso? Para além do mais eu acho que isso nem é legal! Um paciente quando vai a uma consulta tem direito a sair de lá com um relatório médico se assim o entender.


- Tem mais alguma questão?


- Por acaso tenho, mas já vi que não é aqui que vou ter as respostas.


 


Desliguei e liguei para a Mais Optica, também do Colombo, onde me explicaram que, à semelhança do que fazem na Multiopticas, também ali as consultas são gratuitas se o cliente adquirir as lentes ou os óculos na loja, mas se não quiser comprar lá nada são-lhe cobrados 20€ e é-lhe entregue a respectiva receita e um relatório médico com a indicação da graduação. Isto sim, é um serviço como deve ser! Na Multiopticas são tão bons ou tão maus que só dão ao desgraçado do cliente uma coisa a que ele tem direito depois de largar lá os 80€ ou 90€ das lentes. Mas as consultas são "grátis"... lucky me.


Esta já não é a primeira vez que entro em conflito com a Multiopticas. Há quatro anos, quando comecei a usar lentes de contacto, fui à loja do Chiado para me informar do preço que eles faziam para as lentes que eu ia precisar e a funcionária que me atendeu já me queria vender as lentes, ali na hora. Expliquei-lhe que não ia comprar nada naquele momento, que estava a ser seguida no Hospital da Luz e que dali a uns dias ia fazer o teste das lentes, para aprender a pôr e a tirar, e só dali a um mês é que ia começar a comprar os packs de lentes. Resposta extremamente profissional:


- Mas isso é ridículo! Não é preciso ir ao hospital para isso! Nós aqui também fazemos esse acompanhamento e leva logo as lentes.


- ...


- ...


- Pois, olhe eu não vim aqui saber a sua opinião sobre o facto de eu estar a ser seguida pelo oftalmologista do Hospital da Luz. Vim só saber qual era o preço das lentes desta marca com esta graduação, mas agora nem nisso estou interessada. Boa tarde.


Virei as costas e fui andando. Mas como não gosto de fazer julgamentos precipitados decidi dar-lhes uma nova oportunidade quando me ligaram da seguradora. Fiz mal, está visto. Só me enervei, mais uma vez, e não tive aquilo que precisava, mais uma vez. E assim se perdem clientes. Multiopticas, a pior oferta. Sempre.


 

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publicado às 10:15

O fim mais triste de todos é o fim das férias

por Marisa Furtado, em 31.07.14

É hoje. É hoje o meu último dia de férias o que, em situações normais, já seria uma coisa para uma pessoa se mandar para o chão a chorar mas no meu caso é pior visto que amanhã se inicia uma fantástica jornada de oito meses - oito!!!!!!!!!!!! - sem férias. É verdade. É uma coisa que, provavelmente, não acontece a mais ninguém no mundo mas, claro, acontece a mim. Quando penso nisso até se me dá aqui uma dor no peito. Restam-me os fins-de-semana e os poucos feriados a que ainda temos direito que tenciono aproveitar o melhor que conseguir. Por agora ficam algumas fotos com que fui alimentando o meu Instagram nestes 15 dias que me souberam que nem ginjas.


 




A primeira Bola de Berlim do ano! Soube-me a pato. 






A praia mais bonita do mundo fica em Cacela Velha





O sossego de Cacela Velha, uma aldeia pequeníssima e muito gira onde não se passa nada. Gostei muito.







As tardes na praia de Monte Gordo. Areal vazio e maré a vazar a uns simpáticos 24ºC. Um verdadeiro caldinho.







Os petiscos da Plaza de la Laguna, em Ayamonte. A santíssima trindade: o presunto de pata negra, o pão e o queijo.








 Acabei de ler o do Valter Hugo Mae, que andava a meio desde a Feira do Livro, e o do John Green despachei-o em quatro dias. Há anos que não sabia o que era terminar um livro em menos de uma semana. É talvez das coisas que mais gosto nas férias: ter tempo e disponibilidade mental para me entregar a uma história. Neste caso, duas.







O melhor conceito de fast food da história: tudo bom, tudo a 1€. O restaurante chama-se 100 Montaditos, fica em Ayamonte, e a carta é do mais simples que há: tem cem mini baguetes recheadas feitas na hora - vêm quentinhas para a mesa e tudo, é mesmo uma delícia - e três ou quatro saladas. O difícil é escolher. Como é que este conceito ainda não chegou a Lisboa é uma coisa que não consigo perceber.







As palmeiras de Isla Canela, em Huelva







A ver Tavira I







A ver Tavira II







As casinhas fofinhas de Cabanas de Tavira





Enfim... para o ano há mais.













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publicado às 10:40

Dos pais na praia

por Marisa Furtado, em 28.07.14

Há uns dias A Gaja escrevia no Facebook que uma das coisas que todos fazemos na praia é criticar os pais em nosso redor sobre a forma como alimentam os filhos. Quando li pensei "pfff, eu não faço isto!". Mas faço e faço pior! Não só critico os pais sobre a forma como alimentam os filhos como critico tudo o resto que eles fazem. Mas a culpa não é minha! Juro. Eles é que se põem a jeito para serem olhados de lado pelos outros banhistas. Nestes dias de férias tenho aproveitado para ir à praia todos os dias e todos os dias me deparo com comportamentos desviantes em relação àquilo que eu acho que é a forma certa de se lidar com certas coisas. E sim, bem sei que ainda não tenho filhos, mas não é preciso tê-los para poder mandar bitaites ou ter opiniões formadas sobre esse assunto. Ou qualquer outro.
Logo nos primeiros dias montámos o estaminé ao lado de um homem com os seus 40 e tal anos acompanhado da filha e da tia. O sobrinho e a tia estavam com cor de fatias douradas, bem castanhos, cheios de sinais pretos nas costas e luzidios graças ao óleo que besuntavam na pele sempre que vinham da água para depois secarem ao sol. Também tinham chapéu de sol, mas era para fazer sombra à geleira com o farnel para o dia, que comer sandes de chouriço quentes é uma porcaria. Isto já é mau, mas pior foi o que ele disse à filha, uma miúda que devia ter uns 13 anos: "Vai lá à água para depois pores o óleo. Tens de ter cuidado que estás a ficar mais bronzeada à frente do que atrás." Esta é que é uma mensagem importante para se passar a uma rapariga prestes a entrar na idade parva, também conhecida como adolescência. O importante não é evitar as horas de maior calor, usar protector solar, alertar para as doenças que podem resultar de exposições prolongadas ao sol e rebeubéu pardais ao ninho. Não, o importante é fritarmos a pele com óleo para termos um bronzeado-à-la-fatia-dourada uniforme. E a miúda lá foi molhar-se para depois o paizinho a besuntar com óleo. Já disse que tudo isto se passou quase às 13h? Pois.


Ontem a criminosa era uma mãe. Estava na praia com o filho e quando vê a senhora das Bolas de Berlim vai a correr para ela toda lampeira. "Oh Miguel, anda cá escolher um bolo.", "Não quero", respondeu o rapaz. "Mas pede na mesma. Não queres agora mas podes querer depois". "Mas eu não quero! Acabei de comer um gelado", "Não interessa! Compras e guardas para mais tarde!". Moral da história: dois minutos depois já o rapaz já estava a trincar um jesuita com gila. Mas quando é que as mães deixaram de dar voltas à cabeça para impedirem os filhos de comerem porcarias, para quase os obrigarem a comer 5 pastéis de amêndoa de seguida? Em conversa com o meu homem disse que o truque está em retardar ao máximo a introdução de doces na alimentação dos miúdos. "Mas isso é impossível", disse ele todo esperto "eles vêem os outros a comer e também querem." E agora pergunto eu: e?! Uma criança de 3/4 anos não decide o que come. Vê outra a comer um palmier recheado ao lanche e também quer um, isso quer dizer o quê? Que os pais devem abandonar toda a teoria da roda alimentar e inventarem uma nova onde só há bolos e batatas fritas? Temos pena, queres um palmier recheado mas agora comes um iogurte e uma peça de fruta. Amanhã pensamos no bolo. É provável que depois disto a criancinha se mande para o chão a chorar porque tem uma mãe horrível que não lhe dá bolos cheios de creme ao lanche, mas mais tarde há-de cá vir agradecer. Há uns tempos ouvia uma mãe queixar-se porque a filha de 3 anos era obesa, e estava desesperada sem saber o que fazer porque a criança gostava muito de comer, especialmente doces. Mas que raio!! A miúda está obesa mas a culpa é da mãe, não é por gostar muito de comer. É porque pede à mãe doces e carcaças com manteiga antes do jantar e a mãe para não a ouvir dá-lhe o que ela quer. Se só lhe desse fruta, peixe, sopa e carnes brancas de certeza que a criança não estava assim. Mesmo que quisesse repetir cada dose. Juro que estas coisas me deixam doente. Ai queres ter esta cor linda e nada ridícula do paizinho? Então toma lá um frasco de óleo Johnson para te besuntares de meia em meia hora. Ai tens fome? Come um bolo. Olha e aproveita e traz também uns pasteis de amêndoa caso tenhas fome antes de jantar. Isto é o fim do mundo em cuecas. Daqui a 20 anos vai andar tudo obeso, com o colesterol em valores vertiginosos e problemas de pele. E a culpa é de quem? Dos pais. Sempre dos pais.

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publicado às 10:42

O drama de mudar de esteticista

por Marisa Furtado, em 21.07.14

Não gosto de mudanças. Quando sei que tenho de mudar qualquer coisa na minha vida, por mais pequena que seja, fico enervada, stressada, a tentar prever todas as coisas que podem correr mal e primeiro que me habitue à nova realidade é o cabo dos trabalhos. Esta resistência à mudança é especialmente vincada nos serviços de estética. Quando, finalmente, encontro um cabeleireiro ou uma esteticista que era tudo aquilo que procurava, rezo a todos os santinhos para que aquela pessoa nunca se vá embora ou que aquele salão nunca feche porque se tal acontecer não quero demorar mais não sei quantos anos até voltar a encontrar 'o tal'. Isto é um drama! Acreditem. Sabem lá a dificuldade que é até encontrar as nossas almas gémeas nestas áreas! Só ainda não pedi o número ao rapaz que me corta o cabelo, à rapariga que me faz as nuances ou à que me faz a depilação porque tenho vergonha e não quero que pensem que sou uma weirdo. Uma stalker. O meu cabelo está bem entregue aos profissionais do 244Avenida, já as minhas virilhas só as confio a uma rapariga do cabeleireiro Perutte, no Colombo. Não morro de amores pelo salão, e só obrigada é que lá ia tratar do cabelo, mas a rapariga que me faz a depilação era tudo o que eu procurava: minuciosa na tarefa de exterminação dos malvados pêlos e cuidadosa para a coisa não doer mais do que o estritamente necessário. O problema é que vim de férias duas semanas e não consegui marcação com ela antes de vir, o que significa que tive de marcar depilação num cabeleireiro de Monte Gordo. E há muitos. Soube desta triste realidade uma semana antes de vir de férias e garanto-vos que todos os dias acordava angustiada a pensar nisto. "E se o serviço não fica bem feito?", "E se é tudo caríssimo?", "E se ela me queima?". Assim que aqui cheguei fui dar uma volta pelas redondezas para descobrir a esteticista perfeita. Tarefa impossível. Em cada esquina há um cabeleireiro e nenhum deles com particular bom aspecto. Entrei num deles ao calhas e fiz figas. A esteticista encaminhou-me para um corredor com uma porta branca ao fundo. Do outro lado da porta estava uma sala escura, cheia de velinhas, com um buda gigante sentado no chão, incenso, cortinas brancas com estrelinhas penduradas e uma aparelhagem a cuspir cantos gregorianos. É verdade, com tantos cabeleireiros por metro quadrado fui logo escolher aquele onde trabalha a hippie. Isto só me acontece a mim... A partir daqui foi sempre a piorar. Ainda estava eu a tirar a roupa e já ela estava de luvas e máscara (!), daquelas que tapam o nariz e a boca, como os cirurgiões usam... já me estava a ver a sair dali cortadinha às postas. Ainda ponderei pegar nas minhas coisinhas e sair a correr mas, corajosa, fiquei e deitei-me na marquesa. Primeiro que me começasse a fazer a depilação foi um filme: ora passa uma toalhita, ora passa um gel, ora passa novamente a toalhita, ora passa pó de talco, ora tira o pó de talco com uma rodela de algodão. Quando finalmente acha que a pele está preparada entra em cena a cera. Encolhi-me toda com medo que aquilo estivesse a ferver, mas não estava. Menos mal. Espalha a cera, guarda a espátula e vai de puxar a cera para arrancar os pêlos. Problema: a cera era de péssima qualidade e, para além de lhe ficar colada às luvas, partia-se toda. Farta de ter os dedos todos peganhentos e a ficarem colados a tudo, lá achou melhor trocar de luvas, só que assim que calçou as novas elas rasgaram-se. Aqui é que ela se começou a passar e a abandonar a cena zen dos budas e dos incensos. Desatou a bufar e a ficar impaciente e eu comecei a entrar em pânico. Afinal, quem é que quer uma pessoa enervada e impaciente a arrancar-nos pêlos das virilhas? Ninguém! Três pares de luvas e muita cera estragada depois a coisa lá se fez. Claro que não pude ver o resultado final porque a única luz que havia naquela sala era a das velas e a do candeeiro de pé apontado para o meio das minhas pernas... levantei-me, vesti-me e ficámos a olhar uma para a outra ali no meio da penumbra. "São 10€", disse ela. "Ah, mas... quer que lhe pague já? Aqui dentro?". "Sim, se puder ser agradecia". Por acaso tinha uma nota de 10€ na carteira. Entreguei-lha e fui-me embora com a sensação que tinha acabado de fazer depilação na clandestinidade. Felizmente não saí de lá queimada - o meu maior receio - e a depilação até ficou bem feita, mas aqueles foram os 15 minutos mais constrangedores da minha vida. Depilação à média luz? Com um buda gigante a olhar para mim e cânticos gregorianos? É tudo demasiado transcendente para mim. Se voltar a precisar de fazer a depilação durante as férias lá vou ter de fazer novamente a rondinha dos cabeleireiros e... fazer figas.

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publicado às 09:42


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