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Get away | Nova Iorque

por Marisa Furtado, em 02.06.15

Dia 1

Era suposto o dia 1 ter sido ontem, mas com a carga de água que caiu era impossível fazer o que quer que fosse. Só para irmos a uma mercearia perto da casa onde estamos ficámos encharcados até aos ossos. Para além do mau tempo o cansaço também não ajudou. Às 20h30, 1h30 da manhã em Portugal, já estávamos podres de sono e às 3h50 acordámos frescos que nem uma alface. O jetlag é tramado.
Hoje o tempo já esteve substancialmente melhor por isso conseguimos partir à descoberta da Grande Maçã! Saímos de casa pelas 8h e às 10h30 já estávamos sentados a... almoçar. E às 15h estávamos a comer um segundo almoço mas, desta vez, mais leve. A diferença horária dá cabo de uma pessoa. Felizmente temos tido relativa facilidade em encontrar sítios em conta - na medida do possível - e saudáveis para comer. Viemos determinados a não comer pizzas e Mc Donald's todo o santo dia. Mas sobre isso falarei noutro post. Por agora ficam algumas fotos do dia de hoje. Chuvoso, nublado e fresquinho - estiveram 20ºC e amanhã acho que vão estar perto de 16ºC!... - mas parece que só aos turistas é que este tempo ranhoso faz confusão. Os locals andam todos de calções e de pés ao léu, já eu já me enfiei em três lojas para ver se encontrava umas camisolas quentinhas mas não tive sorte nenhuma. É normal, estamos em Junho, embora por aqui não pareça.

 

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 Grand Central Station, onde o Melman, a girafa do Madagascar, enfiou a cabeça no relógio.

 

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O mais famoso quadro de Jackson Pollock no MoMA.

 

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 Parece um quadro mas é uma reconstrução a três dimensões da vida animal no Museu de História Natural. É tudo hiper-realista, parece que os bichos estão mesmo ali a fazer vidinha deles como se nada fosse.

 

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Palavras para quê? Times Square!!!

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publicado às 02:06

Get away | New York, New York

por Marisa Furtado, em 27.05.15

No início da semana fiz um post com algumas fotografias da cidade de Nova Iorque que rematei com suspiros. Foi assim que passei os últimos seis meses, a suspirar.
Nova Iorque é a minha cidade de sonho desde... sempre. Desde que tenho idade para saber o que é isso de nos enfiarmos num avião e ir conhecer coisas novas. Lembro-me de uma manhã, há muitos, muitos anos, estar a fazer zapping e parar num documentário sobre a cidade. Bastou 1h para ficar enfeitiçada. Adorei tudo: os edifícios enormes, aquelas pessoas tão diferentes umas das outras a andar a passo acelerado nas ruas, os táxis amarelos, as luzes, sempre as luzes, aquele parque enorme no meio de tanto rebuliço, o pulmão da cidade, onde o tempo parecia parar... estava decidido, eu tinha de viver aquilo, tinha de estar ali um dia.
Andei quase 20 anos a sonhar com isto até que em Dezembro do ano passado achei que já era demais. Perdi a cabeça, pus o coração ao alto e parte das minhas poupanças na conta à ordem e em 15 minutos comprei 2 bilhetes para Nova Iorque. Ofereci o bilhete ao meu homem no Natal, também ele embeiçado pela cidade, que ficou felicíssimo assim que o viu, e eu... bom, eu comecei a minha sessão de suspiros ininterruptos e de crises de ansiedade. Por um lado contava os dias para chegar O dia, por outro temia tudo aquilo que fugia ao meu controlo e que nos podia impedir de viajar - a sério, tenho mesmo de ir ver isto da ansiedade -: doenças, mortes, despedimentos, greves da TAP... 
Felizmente tudo parece estar a correr pelo melhor - 3 pancadinhas na madeira, que isto nunca se sabe - e em menos de nada o dia chegou, ou melhor, está quase a chegar! Nunca seis meses passaram tão depressa. Domingo vou, finalmente, entrar no avião que me vai levar directamente à cidade que nunca dorme e isso vai implicar algum esforço da minha parte para não panicar a meio da viagem. Nunca tive medo de andar de avião, mas também nunca estive fechada num durante 8h e, como tenho ataques de ansiedade quando me sinto encurralada, está-me cá a parecer que tenho de engendrar um plano qualquer para me manter distraída durante a maior parte do tempo para não pensar muito no assunto. Oito horas! Oito! Bolas, isso é um dia de trabalho. Um dia de trabalho é muito tempo para se estar fechado num avião. Aaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.

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publicado às 14:59

E quando o senhorio nos impinge a mobília?

por Marisa Furtado, em 19.05.15

Gosto das facilidades de morar numa casa arrendada: é bonitinha, não dá chatices, se der o senhorio resolve, e, se um dia, ficar sem dinheiro e tiver de ir para uma mais barata é só fazer as malinhas e pôr-me a andar. Já pensar em comprar uma casa que vou ter de pagar durante 40 anos, as reuniões de condomínio, o IMI, o querer mudar de casa e ficar anos a tentar vender a que entretanto comprei... isto sim, dá-me voltas ao estômago. Acho que aquele gostinho de sermos donos de qualquer coisa é uma característica muito portuguesa. Fora do nosso jardim à beira-mar plantado o normal é alugar em vez de comprar e toda a gente vive muito bem com isso, mas cá dentro levamos com o estigma dos coitadinhos que não têm onde cair mortos. Claro que se um dia eu e o meu homem encontrarmos uma casa que é mesmo aquilo que procuramos a uma prestação inferior à que pagamos de renda mudamo-nos sem pensar duas vezes, mas acho que esse é um futuro muito, muito longínquo. Já andámos a ver e chegámos à conclusão que dificilmente encontraríamos uma casa do género da nossa com uma prestação que pudéssemos pagar. Já para alugar... a conversa é outra. 
Volta e meia encetamos novas procuras pela casa perfeita, no sítio perfeito. Não é que a que temos agora seja má, longe disso, mas se pudéssemos não demorar uma média de 30 a 40 minutos para chegar ao trabalho todo o santo dia éramos pessoas muito mais felizes e serenas. Apesar de gostarmos muito de ver casas a procura consegue ser física e emocionalmente desgastante, ora atentem. Na nossa busca temo-nos deparado com uma atitude por parte dos senhorios que nos deixa deveras irritados. Ou melhor, duas atitudes. A primeira é pedirem-nos três, e por vezes até quatro, - quatro!!!!!! - rendas, como se entregar assim quase 3 mil euros fosse uma coisa banalíssima que não custa nada. "A primeira renda é a do primeiro mês, a segunda é a do último, a terceira é a de caução, a quarta... " e eu entretanto deixo de ouvir o sanguessuga que tenho do outro lado porque começo a fazer contas à vida e percebo que o que nos estão a pedir é absurdo. 
A segunda coisa é aquela teoria espectacular "usem as nossas coisas porque assim poupam as vossas". Aconteceu-nos recentemente quando fomos ver uma casa que tinha uma máquina de lavar loiça minúscula e uma mesa de cozinha hedionda. Quando questionei o senhorio sobre a possibilidade de levar dali aquelas coisas para nós podermos entrar com as nossas a resposta foi um desconfiado: "Nós podemos tirar... mas não vejo que sentido faça. Porque é que não usam o que nós podemos deixar aqui? Usam as nossas coisas e assim não gastam as vossas." Não sei quanto a vocês, mas eu fiquei muito incomodada com aquela insistência. Aquela pessoa estava, claramente, a impingir-nos as coisas que já não lhe faziam falta! Gostava muito de saber de onde vem este raciocínio economicista sem lógica nenhuma. Nós queremos uma casa DESmobilida por uma razão. Há uns anos investimos bastante dinheiro em mobília ao nosso gosto e, por isso, fazemos toda a questão de levar as nossas coisas para onde formos. Eu não quero poupar as nossas coisas. Quero usá-las. Afinal foi para isso que as comprámos. Se temos um sofá cinzento clarinho, giríssimo, com linhas direitas e modernas, que vão mesmo bem com o resto da mobília da sala, toda branquinha e minimal, porque é que havemos de ficar com o vosso sofá verde escuro com linhas arredondadas? Se temos uma mesa da cozinha linda, grande, de madeira castanha clarinha, porque é que havemos de ficar com uma redonda, pequena, castanha escura e envernizada? Porquê? Para poupar a nossa? Mas poupá-la para quê? Nós comprá-mo-la e queremos dar-lhe uso. Tudo o que eu mais quero é entrar na minha cozinha arrendada, ver a minha mesa do IKEA, que era mesmo aquilo que queríamos e que comprámos com muito amor e carinho, e sentar-me ali descansada a tomar o pequeno-almoço. Na MINHA mesa. Posso estar na cozinha de outra pessoa, mas a mesa é bonita e é minha. E o mesmo se aplica a toda a mobília da nossa casa. Desde o espelho fabuloso que temos no quarto que mede uns simpáticos dois metros - adoro espelhos grandes - e que nos custou os olhos da cara, aos talheres baratinhos do Espaço Casa. São as nossas coisas compradas com amor e ao nosso gosto. Porque é que havemos de querer ficar com os restos das outras pessoas, aquilo que não lhes convém levar para onde quer que estejam a morar agora? Nós sabemos que estamos a alugar a vossa casa mas, pelo menos por um período de dois ou três anos, aquele será o nosso lar e não a vossa casa de arrumos de mobília dos anos 80. Não me importo nada de ir para uma casa usada e que pertence a outra pessoa mas, porra, só não me tirem a mobília!

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publicado às 12:22

Toda a gente está a par das maravilhas de se trabalhar com outras pessoas. Temos sempre companhia para o almoço, há sempre alguém que também odeia a Marta da contabilidade, o que proporciona largos e gratificantes minutos de corte e costura, temos sempre alguém com quem desabafar naqueles dias em que o trabalho parece não chegar ao fim... mas, como em tudo na vida, também tem o seu quê de negativo e há um que bate todos os outros: o ar condicionado. Com quantas mais pessoas trabalharem mais dificuldade terão em acertar com a temperatura do ar condicionado de forma a estar toda a gente confortável. Devo dizer que isto é talvez a coisa que mais me mexe com os nervos e que provoca em mim instintos assassinos. 
Sou muito friorenta e por isso passo todos aqueles longos e deprimentes meses do Outono e Inverno a mal dizer a minha vida, tal é o desconforto. A única maneira de conseguir estar confortável é em casa quando toda eu estou embrulhada em tecidos polares. A saber: pijama, robe e manta. Tudo polar! Isto no sofá da sala. Na cama não me contento com menos que um conjunto de lençóis polares, um edredão e uma colcha. E quando apanho o meu homem distraído - também ele sempre cheio de calor - ainda vou buscar a manta que ficou no sofá. Portanto tendo em conta o martírio que é a minha vida nos meses frios é lógico que quando o tempo começa a ficar mais quente toda a minha disposição muda. Sinto-me mais feliz, sinto-me confortável em qualquer lado, gosto de passar os fins-de-semana a laurear a pevide, de preferência ao sol, a aproveitar cada pedacinho de calor. Mas ainda eu me estou a habituar a este novo estado de coisas e já me estão a deprimir outra vez. Porquê? Por causa da porra do ar condicionado!
Basta a temperatura aumentar meio grau lá fora para haver um grupinho de encalorados a fazer-se ouvir: "está um calor que não se aguenta, ponham lá isto no frio senão começamos todos a assar aqui dentro". Estas são, de certezinha, as mesmas pessoas que se queixam que "está demasiado calor para esta altura do ano" quando estão 25ºC em Março. Há o Grinch que roubou o Natal e depois há os Grinches que massacram a cabeça a meio mundo quando estão mais de 20ºC. Ai de quem se manifeste feliz por poder largar as 5 camadas de roupa e os casacões pesados. Isto chega a roçar o ridículo. Quando finalmente chega aquela altura do ano em que consigo andar na rua de t-shirt, no trabalho são raras as vezes em que consigo estar bem sem ter um casaco vestido. E não é só no trabalho, é em todo o lado! Cinemas, restaurantes, lojas, you name it. Já experimentaram entrar na H&M do Colombo? Certamente que sim, por isso já devem ter reparado na temperatura polar que se faz sentir para aqueles lados. Seja Verão ou Inverno a loja está quase sempre gelada! Aquele ar condicionado deve ser controlado por um lunático. Quando me atrevo a tirar o cardigan e começo a sentir aquela aragem gelada vinda do tecto até se me começa a tremelicar o sobrolho. E isto não sou eu que sou maluca, juro!, há mais pessoas a queixarem-se do mesmo!
Eu até acho que, no meio de toda a minha intolerância, consigo ser equilibrada no que respeita a este assunto no Inverno. Por mim estavam sempre 27ºC em todo o lado, mas tenho perfeita noção que para muita gente isso é o equivalente a um dia de calor no pico de Agosto, por isso nos meses frios visto mais uma camisola e tento não me queixar muito quando estão uns míseros 21ºC em sítios fechados quando lá foram estão 11. Mas não me lixem! Já me chegam os meses frios. No Verão deixem-me estar à vontade e não me obriguem a andar com casacos quando lá fora estão quase 30ºC.

 

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Imagem via A Gaja que tão bem entende este problema.

 

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publicado às 14:37

Rota dos Restaurantes | Choupana Caffe

por Marisa Furtado, em 02.03.15

O dicionário diz-nos que uma choupana é uma casa rústica e pobre porém, não é nada disso que se encontra quando se passam as portas de vidro do Choupana Caffe. Este espaço moderno e de inspiração ecléctica é um tudo em um: padaria, pastelaria, cafetaria, iogurteria e mercearia. Esta choupana é tudo menos pobre! Já tinha ouvido falar muito bem de muita coisa neste simpático espaço: que os pastéis de nata eram uma pequena maravilha, que o brunch era delicioso, que as tostas eram fantásticas, etc, etc, etc. Não duvido de nada disso, mas bastava terem falado no brunch para me convencerem. Sou viciada! Importar este conceito para Portugal foi a melhor coisa que alguém poderia ter feito. Adoro a ideia de acordar mais tarde ao domingo sem me preocupar com a rigidez das refeições com hora marcada e, em vez disso, ir a um sítio giro e trendy encher o bandulhinho com coisas boas que vão desde cereais, bolos, compotas a ovos mexidos e salmão fumado. É tudo muito boémio e eu a-do-ro. 
Chegámos ao Choupana já passava das 14h e aquilo estava a rebentar pelas costuras! Esperámos um bocadinho mas rapidamente fomos encaminhados para uma mesinha em frente àquele balcão recheado de coisas boas: pães-de-deus, pasteis de nata, croissants recheados, bolas de berlim, ... (suspiro). Apesar de estar cheio o atendimento foi sempre muito simpático e rápido. Cinco minutos depois de termos pedido já tínhamos um cesto de pão na mesa, compotas e a melhor manteiga que já comi na vida!, dois cappucinos e sumos de laranja naturais. E isto era só o início!
Este foi talvez dos brunchs mais completos que já comi. Há imenso por onde escolher. Para além da variedade de pães tem também croissants, bagels, scones - recomendo! -, ovos mexidos, salada, fruta, uma simpática selecção de queixos, carnes frias, capuccinos de canela ou chocolate, iogurtes biológicos e sumos naturais. É impossível sair daqui com fome, mas se depois disto tudo ainda ficarem com um buraquinho no estômago podem atacar as panquecas com Nutella. Eu não comi mas o casal que estava na mesa ao lado pediu e o aspecto era de se babar. A única coisa que não me encheu as medidas foram os ovos mexidos. Estavam secos e sem alma, faltava ali um tempero mais arrojado. Mas tirando isso, é perfeito! Desde que me iniciei nisto dos brunchs só havia um onde voltava sempre, o Kaffeehaus, no Chiado, - do qual já falei aqui - mas, agora, o Choupana Caffe veio fazer-lhe enorme concorrência no meu coração. É verdade, também eu tenho dois amores, um é austríaco e outro português, e não sei de qual gosto mais. 

Quero aproveitar para deixar aqui uma nota importante. O ano passado descobri que o meu organismo não se dá bem com lactose e, por isso, sempre que vou lanchar, brunchar ou tomar o pequeno-almoço a qualquer lado tenho que me manter afastada do café com leite, que eu adoro!, porque é raríssimo haver opções sem lactose, especialmente nas pastelarias convencionais onde só há leite de vaca meio gordo... O Choupana Caffe parece conhecer esta realidade das intolerâncias alimentares e tem opções compatíveis com organismos como o meu. Não têm leite sem lactose mas têm leite de soja que foi o que veio no meu capuccino de canela. Estava bem bom e foi digerido sem problemas.
Ficam as imagens.

 

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Capuccino de canela

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Cesto com pão branco, duas variedades de pão com sementes, croissant e scone / doce de morango, doce de maçã e manteiga / sumo de laranja natural

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Ovos mexidos / queijo emmental, queijo de cabra e Queijo da Serra / salada de rúcula e tomate cherry / fiambre / salmão fumado com queijo creme / maçã, meloa, morangos e manga

 

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O brunch custa 14€ (inclui um de três menus salgados que podem, e devem!, completar com as opções doces) e é servido aos fins-de-semana entre as 10h e as 16h.

 

 

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publicado às 10:54

A ecologia é uma questão de dinheiro?

por Marisa Furtado, em 18.02.15

Quando, na semana passada, ouvi a notícia de que a partir de agora os sacos de plástico que usamos para levar as compras eram pagos passei-me. Depois reflecti um bocadinho, pesei os prós e contras e continuei passada, embora um bocadinho menos. Está certo que levamos muitos sacos de plástico sem necessidade, que na maioria das vezes nem os enchemos como deve ser, que como são à borla levamos uma coisa em cada saco e não pensamos mais nisso, mas... dez cêntimos?! 10?? Não podiam fazer a coisa por menos? Ainda por cima este assunto toca-me especialmente no coração. Tenho um gato em casa e nem imaginam o jeito que os sacos do Jumbo e do Continente me davam para lhe tirar os xixis e os cocós da caixa de areia todas as manhãs. É óbvio que o vou continuar a fazer, até porque assim de repente não me lembro de outra solução, mas em vez de ser com sacos gratuitos vou ter de passar a comprar daqueles mais pequeninos para o lixo. Ou seja, o uso que dou aos sacos vai ser o mesmo e em igual quantidade... mas agora vou pagar por isso. É a vida.
Por mais voltas que dê ao assunto acabo sempre por compará-lo à fantástica lei de não se poder circular em certas zonas de Lisboa com carros anteriores a 2000. Eu até percebo a ideia, é importante haver menos poluição e estarmos todos conscientes do que podemos fazer para controlar isso, mas... não era mais justo que antes de virem mexer na carteira do povinho começassem por cima? Sim, era importante reduzir os níveis de poluição do ar em Lisboa mas antes de desatarem a multar pessoas que têm carros velhos, não porque querem mas porque não têm dinheiro para comprar um mais recente, deviam criar infra-estruturas para facilitar a vida às pessoas. Eu achava fantástico que não houvesse circulação de carros na Avenida da Liberdade desde que se arranjasse uma solução viável para quem opta por entrar em Lisboa de carro, como por exemplo melhorar ou alargar a rede de transportes e criar parques de estacionamento gratuitos. Claro que num mundo perfeito ninguém andaria de carro e usávamos todos os transportes públicos à disposição, mas as coisas não funcionam assim, nem podemos ser fundamentalistas a esse ponto, tenham lá paciência. O mesmo se passa com os sacos de plástico. Não seria mais justo se antes de cobrarem 10 cêntimos às pessoas por cada saco começassem por obrigar as empresas que embalam carne, peixe, fruta e por aí fora a usar outros materiais que não o plástico? Isso actualmente não acontece. Na segunda-feira fui às compras e quase tudo o que levava no carrinho era embalado com recurso a plásticos mas depois quando chegou a minha vez de pagar pimba dá cá 10 cêntimos por cada saco. Claro que fiz o que muita gente faz, comprei um daqueles de ráfia e pus tudo lá dentro, e claro que agora me vou tentar lembrar de andar sempre com um saco desses dentro do carro e, se pensarmos bem, isto, na verdade, não causa transtorno nenhum às pessoas, é só uma questão de hábito, mas isso não invalida tudo o resto. Não invalida eu achar mal que se comece sempre, sempre, sempre por baixo. Não se descobriu ontem que o plástico polui. Não é nenhuma novidade. Há países na Europa que já têm esta lei implementada há mais de 10 anos. O que me parece é que esta medida foi pensada mais para engordar os cofres do Estado e menos para criar uma consciência 'verde' nos portugueses.  
Os impostos aumentaram, o desemprego também e quem tem a sorte de manter o emprego viu o ordenado diminuir. Seria de esperar que o governo - assim mesmo, com letra pequenina - quando decidisse ser verde porque agora está na moda não começasse, por uma vez na vida, pelo povinho.

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publicado às 10:09

A fonte de conhecimento que se esconde num comboio

por Marisa Furtado, em 22.01.15

Toda a minha vida andei de transportes públicos e toda a minha vida odiei andar de transportes públicos. As caminhadas que se têm de fazer até à estação, o frio que se apanha até e na estação, a ditadura dos horários "ai perdeste o comboio sua lontra molengona? Então agora senta o rabo nesse banco gelado e espera meia-horinha pelo próximo", as pessoas que não têm qualquer tipo de noção e se empurram umas às outras, ou se sentam todas abertas a ocupar imenso espaço como se estivessem no sofá lá de casa, ou então aquelas que em vez de se sentarem delicadamente nos bancos se mandam para cima do assento, fazendo com que quem está sentado ao lado seja quase projectado para o tecto. Felizmente agora tenho a sorte de andar quase sempre de rabo tremido no quentinho do carro. Porém, como nós somos dois e o carro é só um e há dias em que os nossos horários não se cruzam, volta e meia lá tenho eu de voltar à triste sina dos transportes. A parte boa é que no meio disto tudo esbarramos com pessoas que, de outra forma, nunca se cruzariam no nosso caminho.
Aqui há dias entrei no comboio esbaforida como de costume, porque tive de sair quase a voar do metro sob pena de perder a porra do comboio, sentei-me e depois da habitual coreografia - tirar o casacão, encontrar uma maneira de arrumar o chapéu de chuva de forma a não estar sempre a cair para cima do desgraçado que se sentar à minha frente, procurar o telemóvel dentro do universo que é a minha mala para ver se há mensagens, procurar o iPod e os respectivos fones - oiço: 

- Porque eu já estou farta de dizer à mulher que não quero que o cão dela faça cocó por baixo da minha janela e se isso voltar a acontecer eu juro que mando com um pau à porcaria do cão e já lhe disse isso! E ainda chamo a polícia, que se ela fosse para o estrangeiro não podia deixar o cão fazer aquilo. Só aqui é que ninguém diz nada!

E eu com uma vontade de lhe dizer "oh minha senhora, se a polícia nem vai ao meu prédio dar um raspanete ao meu vizinho de cima que tem a mania que é DJ e que à meia-noite é que se lembra de começar a ouvir música aos berros, acha MESMO que se ia deslocar a sua casa por causa de umas caganitas?" Mas como não estava para isso pus os fones nos ouvidos, liguei o iPod e lá fui eu a ouvir a minha música. Mas não por muito tempo. Uns minutos depois o senhor que estava à minha frente levantou os olhos do jornal, olhou para a mulher que estava a falar e começou a rir-se. Ora como eu também me queria rir desliguei a música e pus-me à escuta. E escutei o seguinte:

- ... porque os miúdos hoje até são capazes de matar os pais. Tal como os pais matam os filhos! Já não há educação. Olhe eu tenho um filho com 24 anos e é uma jóia de pessoa. Até tirou um curso superior!

Como se isso hoje em dia fosse um grande feito! Se conseguir arranjar emprego aí sim, é um herói. Mas ela continuou:

-... e não é nenhum anormal, é bem normal até. E eu sacrifiquei bastante para lhe pagar o curso. Ah mas eu mereço sabe? Porque sou muito boa pessoa. Gosto muito de ajudar as pessoas que precisam. Os pobrezinhos, sabe? Mas olhe que é difícil encontrar pessoas que mereçam essa ajuda. Olhe a minha vizinha com o cão, aquela besta. Olhe às vezes penso que os animais são mais humanos que os humanos 'tá a perceber? Porque os animais não pensam, agora os humanos já não é bem assim!

Ora bem, esta pessoa está a afirmar que os animais são mais humanos que os humanos porque... não pensam! Apesar de ser o raciocínio que separa o animal racional do... exacto, irracional. Oh, então o desgraçado do Aristóteles andou anos a queimar pestanas para elaborar a teoria sobre o animal político para quê? Isso está tudo errado! Esta senhora é que a sabe toda.

- Hoje em dia já não há educação nenhuma! Como é que os pais podem dar uma boa educação aos filhos se vão para o cinema à noite e deixam crianças de 3 e 5 anos a dormir em casa sozinhas? Eu desde que tive os meus filhos nunca mais fui ao cinema à noite, que eu não ando a dar exemplos de boémice aos meus filhos nem ando em boîtes quando tenho os meus filhos em casa. E olhe herdei isto da minha mãe. O que dou aos meus filhos é o que a minha mãe me deu a mim, e não tenho razão de queixa. São óptimas pessoas. Uma raridade nos dias que correm...

Para quem se perdeu em "boémice", boémice vem de boémia. Vida boémia, estão a ver? Como, sei lá, ir ao cinema à noite e coisas desse estilo. Deus nos livre de ir despejar o lixo depois das 20h! Infelizmente não tenho mais ensinamentos para vos transmitir porque entretanto tive de sair do comboio e ir à minha vida. Mas a vontade de ficar era muita, acreditem. 
O que é que se retira disto? É simples: quando tiverem filhos livrem-se de virar uns ramboieiros e de ir ao cinema à noite, ou de fazer qualquer coisa que dê a entender que a vossa sanidade mental também é importante e que têm uma vida independente das vossas crias. Livrem-se de ter vida própria e de continuarem a alimentar a vossa vida social. Fiquem mas é em casa 'ssogaditas a ver o Você na TV e a Casa dos Segredos. Ah, e escusado será dizer, nada de sexo como é lógico. A partir do momento em que pomos filhos no mundo passamos a ser umas mulheres muito castas e puras, que os filhos podem ouvir qualquer coisa do outro lado da porta e ainda ficam traumatizados. 

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publicado às 10:22

Piropos à portuguesa, com certeza

por Marisa Furtado, em 21.01.15

Um dia, com tempo, gostava que alguém me explicasse qual é o objectivo de certos animais homens quando passam na rua por uma mulher que nunca viram na vida, nem hão-de voltar a ver, e soltam cumprimentos do género: "Olá linda", "Olá coisa fofa", "És toda boa", "Hum, que querida" ou, como tive o prazer de ouvir ontem, "Amo loiras, f.......". Mas o que é isto?!?! Juro que não percebo. Coisa fofa?! Querida? Mas de onde é que aquele caramelo me conhece para me estar a chamar coisa? E, pior ainda, fofa? Qual é o objectivo destas tiradas? Se é que há algum objectivo. Duvido que haja. O que é que eles acham que conseguem com isto? Será que estão à espera que nos viremos para trás a dizer: Olha que querido, muito obrigada, tu também não és nada de se deitar fora. Dá-me lá o teu número para combinarmos um cafézinho. Conheço um restaurante aqui perto que tem uns brunchs óptimos. Ou preferes ir já para um motel para despacharmos isto? Que eu, com essa pick up line refinadíssima, já estou aqui que não me aguento. É que podem tirar o cavalinho da chuva que isso só acontece nos filmes, e não é em todos, só naqueles de gosto duvidoso. Provavelmente os únicos que vêem.

Aquilo que sinto quando sou presenteada com estes "elogios" (des)inspirados é nojo. Nojo da pessoa que os diz, vergonha - aquela do "Amo loiras (...)" foi dita aos berros num sítio cheio de gente... - e sinto-me ofendida e zangada, de tal forma que a única vontade que tenho é de me virar para trás e pregar um valente estaladão no delicado focinho do indivíduo. A única mensagem que passam é a de que são uns rebarbadões de primeira apanha, a fina flor do entulho, e que não há mulher nenhuma no mundo que respeitem. Sexy, ãh? E ao mesmo tempo parece que sofrem de um espectro muito particular da síndrome de Tourette, que só se manifesta quando vêem uma mulher que lhes agrade. Ficam descontrolados e dizem a primeira coisa que lhes vem à cabeça. Vómito.

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publicado às 10:07

Dramas da vida doméstica, parte 2

por Marisa Furtado, em 14.01.15

Ele - Tu fazes sempre isto! Esperas até eu encontrar qualquer coisa na televisão que me interesse para te lembrares de contar tudo e mais alguma coisa. Quando não está a dar nada que tu gostes, de repente, ficas com imensas coisas para dizer.

Parece que ele, afinal, tem um bocadinho de razão.
Estávamos no sofá de portátil no colo. Ele fecha o dele e liga a televisão. Pára na Benfica TV. Eu fecho o meu portátil. Olho para a televisão e suspiro:

- Estou bored.

Ele - Pronto, já está... 

 

Aqui me confesso: quando o meu homem está a ver coisas chatas na tv, e por coisas chatas entenda-se desporto, debates sobre desporto, programas sobre penhoras, pesca do atum..., cai sobre mim um aborrecimento de morte e fico com imensa coisa para lhe contar. Não consigo evitar. É mais forte que eu.

 

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publicado às 10:32

Dramas da vida doméstica

por Marisa Furtado, em 13.01.15

Acho que nunca hei-de entender a dificuldade de algumas pessoas admitirem que adormecem no sofá. Ou melhor, que praticam o famoso pré-sono, popularizado pelo Ricardo Araújo Pereira. Falo de quem está claramente a passar pelas brasas, com direito a cabeçadas no ar e aquele ronronzinho característico que antecede o ressonar a sério, e que assim que alguém se atreve a mudar de canal ou a desligar a televisão o bicho acorda e solta com a voz entaramelada "Está quieto que eu estou a ver isso!", "Mas estás a dormir...", "Eu? Não estou nada!" Ou de quem, e passo a citar, se "mantém no sofá e irrita toda a gente que está acordada com a sua sonolência parva." O meu homem, por muito que lhe custe admitir, é uma destas pessoas.

Sexta-feira à noite. Estou alapada no sofá de portátil no colo a ver o que se passa no Facebook. O meu homem entra na sala, refastela-se ao meu lado e tapa-se quase até às orelhas com a manta polar. Só por isto já dá para ver o que aí vem. Começa a fazer zapping. Pára na TVI24 onde está a dar um programa de comentário desportivo.

Eu - Ah é verdade! Já estou para te contar isto há imenso tempo. Quer dizer, não é assim há tanto tempo, é só desde ontem. Era para te ter contado ontem à noite mas depois passou-me e lembrei-me agora. - contei-lhe o que tinha a contar e aproveitei o embalo para continuar a falar sobre a espuma dos dias. Ele sempre calado. - A que horas queres ir ao cinema amanhã? Preferes ir à noite para poderes ver o Benfica às 17h?

Silêncio. Continua de olhos vidrados na televisão.

Eu - Ouviste o que eu te disse?

Ele - Ãh? Não.

Eu - Estás a gozar? Estou para aqui a falar e tu não me estás a ouvir? - choque...

Ele - Tu fazes sempre isto! Esperas até eu encontrar qualquer coisa na televisão que me interesse para te lembrares de contar tudo e mais alguma coisa. Quando não está a dar nada que tu gostes, de repente, ficas com imensas coisas para dizer. Isto interessa-me, deixa-me ver isto.

Eu - Mas eles estão a falar do Porto! E tu és do Benfica. O que é que isso interessa?

Ele - Eu gosto de futebol e gosto de saber o que é que se passa com os rivais do Benfica. Deixa-me só ouvir o que ele está a dizer.

Eu - Pronto desculpa lá. Não te digo mais nada!

Dois minutos depois - dois!!! - olhei para ele.

....

Sim, estava a dormir...

Eu - É por isso que não queres que eu fale contigo?! - dá um salto assim que me ouve - Para poderes dormir à vontade?

Ele a rir-se - Eu não estou a dormir!!!! Bolas, não posso fechar um bocadinho os olhos que tu cais-me logo em cima. Pareces a polícia do sono!

E isto acontece praticamente todos os dias. Sempre que o apanho a dormir no sofá é todo um filme. Nunca está a dormir. Nunca! Nunca adormece no sofá. Tirando os dias em que adormece que são assim, tipo, quase todos. Mas qual é o problema em admitir que, como qualquer pessoa normal, às vezes se deixa vencer pelo cansaço? E mais: se tem sono porque é que não vai dormir para a cama?! É que este filme acaba sempre da mesma maneira: adormece no sofá; nega que está a dormir no sofá; uma ou duas horas depois levanta-se, vai lavar os dentes e quando, finalmente, se deita na cama... exacto, fica, milagrosamente sem sono e refila porque não tem sono. Um clássico.

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publicado às 10:17


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