Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Ter um gato também é isto #6

por Marisa Furtado, em 09.04.15

Como lá em casa as janelas que estão ao nível rasteirinho do gato são de vidro fosco todas as manhãs, antes de sair de casa, coloco a cadeira do nosso quarto em frente à janela para o sr. Kubrick se conseguir empoleirar e, com todo o conforto, ver o que se passa do outro lado. Adora! Sempre que me ouve a mexer na cadeira lá vem ele a correr com a cauda para cima, todo confiante, para olhar para a rua e ver o que andam a fazer os seus amigos pombos – é obcecado por pombos.
Ontem quando saí de casa deixei-o lá e quando cheguei à rua olhei para cima e lá estava ele… a olhar para nós!* Partiu-me o coração ir trabalhar e deixá-lo ali, sozinho no terceiro andar, a ver-nos ir embora. Se já fico toda piegas com o gato nem quero imaginar quando for mãe e tiver de deixar a minha cria na escola pela primeira vez. Dra-ma!

 

10986091_750986298330758_89792344_n.jpg
Gato mimado à janela.

 

11098337_1565029040418282_1937553653_n.jpg
Gato de olhos arregalados a olhar para um pombo acabadinho de pousar no parapeito da janela da sala.

 


 *Agora que penso melhor, e tendo em conta o feitio do sr. gato em causa, aposto que estava a pensar qualquer coisa do género: irra, estava a ver que não. Alone, at last! Partei!!!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:52

Toda a gente está a par das maravilhas de se trabalhar com outras pessoas. Temos sempre companhia para o almoço, há sempre alguém que também odeia a Marta da contabilidade, o que proporciona largos e gratificantes minutos de corte e costura, temos sempre alguém com quem desabafar naqueles dias em que o trabalho parece não chegar ao fim... mas, como em tudo na vida, também tem o seu quê de negativo e há um que bate todos os outros: o ar condicionado. Com quantas mais pessoas trabalharem mais dificuldade terão em acertar com a temperatura do ar condicionado de forma a estar toda a gente confortável. Devo dizer que isto é talvez a coisa que mais me mexe com os nervos e que provoca em mim instintos assassinos. 
Sou muito friorenta e por isso passo todos aqueles longos e deprimentes meses do Outono e Inverno a mal dizer a minha vida, tal é o desconforto. A única maneira de conseguir estar confortável é em casa quando toda eu estou embrulhada em tecidos polares. A saber: pijama, robe e manta. Tudo polar! Isto no sofá da sala. Na cama não me contento com menos que um conjunto de lençóis polares, um edredão e uma colcha. E quando apanho o meu homem distraído - também ele sempre cheio de calor - ainda vou buscar a manta que ficou no sofá. Portanto tendo em conta o martírio que é a minha vida nos meses frios é lógico que quando o tempo começa a ficar mais quente toda a minha disposição muda. Sinto-me mais feliz, sinto-me confortável em qualquer lado, gosto de passar os fins-de-semana a laurear a pevide, de preferência ao sol, a aproveitar cada pedacinho de calor. Mas ainda eu me estou a habituar a este novo estado de coisas e já me estão a deprimir outra vez. Porquê? Por causa da porra do ar condicionado!
Basta a temperatura aumentar meio grau lá fora para haver um grupinho de encalorados a fazer-se ouvir: "está um calor que não se aguenta, ponham lá isto no frio senão começamos todos a assar aqui dentro". Estas são, de certezinha, as mesmas pessoas que se queixam que "está demasiado calor para esta altura do ano" quando estão 25ºC em Março. Há o Grinch que roubou o Natal e depois há os Grinches que massacram a cabeça a meio mundo quando estão mais de 20ºC. Ai de quem se manifeste feliz por poder largar as 5 camadas de roupa e os casacões pesados. Isto chega a roçar o ridículo. Quando finalmente chega aquela altura do ano em que consigo andar na rua de t-shirt, no trabalho são raras as vezes em que consigo estar bem sem ter um casaco vestido. E não é só no trabalho, é em todo o lado! Cinemas, restaurantes, lojas, you name it. Já experimentaram entrar na H&M do Colombo? Certamente que sim, por isso já devem ter reparado na temperatura polar que se faz sentir para aqueles lados. Seja Verão ou Inverno a loja está quase sempre gelada! Aquele ar condicionado deve ser controlado por um lunático. Quando me atrevo a tirar o cardigan e começo a sentir aquela aragem gelada vinda do tecto até se me começa a tremelicar o sobrolho. E isto não sou eu que sou maluca, juro!, há mais pessoas a queixarem-se do mesmo!
Eu até acho que, no meio de toda a minha intolerância, consigo ser equilibrada no que respeita a este assunto no Inverno. Por mim estavam sempre 27ºC em todo o lado, mas tenho perfeita noção que para muita gente isso é o equivalente a um dia de calor no pico de Agosto, por isso nos meses frios visto mais uma camisola e tento não me queixar muito quando estão uns míseros 21ºC em sítios fechados quando lá foram estão 11. Mas não me lixem! Já me chegam os meses frios. No Verão deixem-me estar à vontade e não me obriguem a andar com casacos quando lá fora estão quase 30ºC.

 

10646830_907111742639784_6982285407774311638_n.jpg
Imagem via A Gaja que tão bem entende este problema.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:37

Socorro, estou a afogar-me em produtos capilares

por Marisa Furtado, em 28.01.15

Nos últimos meses encetei, inconscientemente, uma colecção monstruosa de produtos para o cabelo. Mais propriamente de shampoos. Não sei o que me deu mas, de repente, o cestinho que tenho dentro da banheira passou a ter 4 frascos de shampoo, todos eles diferentes. Shampoo para cabelos pintados, shampoo para dar volume, shampoo para cabelos loiros, shampoo purificante que limpa em profundidade e, como se não bastasse, ontem ainda fui comprar mais dois. Uma nova embalagem para cabelos pintados e, já que estava com a mão na massa, trouxe também um para fortalecer os fios de cabelo só porque na altura me pareceu uma boa ideia.
Ora bem. Fazendo uma análise rápida e fria da situação a conclusão até é bastante simples. Para além de não gostar de usar o mesmo shampoo durante meses, porque sei que as necessidades do cabelo não são sempre as mesmas e porque gosto de experimentar produtos novos, sou uma pessoa que muito, muito antes de um determinado produto terminar, vá quando ultrapassa ali o meio da garrafa, vai logo a correr comprar outro. Terei medo de ser obrigada a ficar fechada em casa nos meses seguintes e de se me acabar o shampoo? Acharei eu que o produto no espaço de um mês vai ser descontinuado? Não sei, mas sei que faço isso com tudo. Produtos para o cabelo, está claro, cremes de rosto, detergente para lavar a roupa, pastilhas para a máquina da loiça, velas... you name it. Isto lá em casa é, obviamente, motivo de gozo porque vivo com uma pessoa do mais descontraído que há. Estou a falar de alguém que se ainda tiver um bocadinho de nada, assim uma coisinha mesmo muito mínima, de, sei lá, líquido para as lentes de contacto acha que está tudo bem e que só dali a 5 dias é que é preciso ir comprar uma embalagem nova, mesmo que no dia seguinte já só tenha líquido para uma das lentes. Este exemplo mexe-me especialmente com os nervos porque estou a falar de um produto que usamos os dois e assim que começo a sentir o frasco do líquido muito levezinho começo logo aos gritos a dizer que temos de ir "já amanhã comprar um novo!!". O que é que acontece na maioria das vezes? O frasco novo fica fechadinho no armário durante duas semanas porque o outro, afinal, não estava tão no fim como isso. Mas não interessa. Ter ali um frasquinho cheio, novinho em folha, aquece-me o coração. É menos uma coisa com que tenho de me preocupar. Como é lógico a culpa disto é dos meus pais - a culpa é sempre dos pais. Sempre. - que toda a vida vi trazerem do supermercado tudo aquilo que precisavam vezes 3 "que é para ir ficando". 
Mas voltando aos shampoos. No sábado fui ao Toni&Guy dar um corte neste cabelo - cinco dedos foram à vida - e fazer novo banho de cor. Já tinha lá em casa um shampoo para cabelos pintados mas como estava quase nas últimas fui comprar outro. O problema é que só depois é que achei que devia ler as reviews. Big mistake. Fiquei em pânico! Muitas, demasiadas, pessoas diziam que assim que tinham começado a usar o shampoo o cabelo lhes tinha começado a cair a uma velocidade assustadora, que ficaram com caspa e/ou com muita comichão no couro cabeludo e ainda houve quem dissesse que lhe tinha aparecido borbulhas na cabeça. Me-do. Sempre tive queda de cabelo, uma queda de cabelo normal, como toda a gente tem, mas depois de ler isto fiquei alarmada, claro. Tenho o cabelo fininho e não quero estar a usar um produto que, segundo as estatísticas, tem uns 70% de probabilidade de causar queda abrupta de cabelo. Portanto qual foi a solução? Exacto, comprar novo shampoo para cabelos pintados. Fazendo as contas isto dá: duas embalagens e meia de shampoo para cabelos pintados na minha casa de banho. Sendo que uma e meia não conta porque, como é bom de ver, não a vou voltar a usar e que também não posso devolver porque deitei o talão fora.
Posto isto, digam-me lá uma coisa: eu não sou a única pois não? Há, certamente, por aí mais mulheres que têm colecções de shampoos! Digam-me, quantas variedades de shampoo consegue uma mulher ter na casa de banho?


Já agora, para quem estiver interessado, o shampoo que tinha tão más reviews é o EverPure da L'Oreal para cabelos pintados, que também já tinha mencionado aqui. Aparentemente é uma crítica comum aos produtos da marca. Também comprei o Arginina Resist x3 e li algumas críticas de pessoas a queixarem-se do mesmo: queda de cabelo e caspa. Vou deixar de comprar produtos da L'Oreal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:42

Dramas da vida doméstica, parte 2

por Marisa Furtado, em 14.01.15

Ele - Tu fazes sempre isto! Esperas até eu encontrar qualquer coisa na televisão que me interesse para te lembrares de contar tudo e mais alguma coisa. Quando não está a dar nada que tu gostes, de repente, ficas com imensas coisas para dizer.

Parece que ele, afinal, tem um bocadinho de razão.
Estávamos no sofá de portátil no colo. Ele fecha o dele e liga a televisão. Pára na Benfica TV. Eu fecho o meu portátil. Olho para a televisão e suspiro:

- Estou bored.

Ele - Pronto, já está... 

 

Aqui me confesso: quando o meu homem está a ver coisas chatas na tv, e por coisas chatas entenda-se desporto, debates sobre desporto, programas sobre penhoras, pesca do atum..., cai sobre mim um aborrecimento de morte e fico com imensa coisa para lhe contar. Não consigo evitar. É mais forte que eu.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:32

Dramas da vida doméstica

por Marisa Furtado, em 13.01.15

Acho que nunca hei-de entender a dificuldade de algumas pessoas admitirem que adormecem no sofá. Ou melhor, que praticam o famoso pré-sono, popularizado pelo Ricardo Araújo Pereira. Falo de quem está claramente a passar pelas brasas, com direito a cabeçadas no ar e aquele ronronzinho característico que antecede o ressonar a sério, e que assim que alguém se atreve a mudar de canal ou a desligar a televisão o bicho acorda e solta com a voz entaramelada "Está quieto que eu estou a ver isso!", "Mas estás a dormir...", "Eu? Não estou nada!" Ou de quem, e passo a citar, se "mantém no sofá e irrita toda a gente que está acordada com a sua sonolência parva." O meu homem, por muito que lhe custe admitir, é uma destas pessoas.

Sexta-feira à noite. Estou alapada no sofá de portátil no colo a ver o que se passa no Facebook. O meu homem entra na sala, refastela-se ao meu lado e tapa-se quase até às orelhas com a manta polar. Só por isto já dá para ver o que aí vem. Começa a fazer zapping. Pára na TVI24 onde está a dar um programa de comentário desportivo.

Eu - Ah é verdade! Já estou para te contar isto há imenso tempo. Quer dizer, não é assim há tanto tempo, é só desde ontem. Era para te ter contado ontem à noite mas depois passou-me e lembrei-me agora. - contei-lhe o que tinha a contar e aproveitei o embalo para continuar a falar sobre a espuma dos dias. Ele sempre calado. - A que horas queres ir ao cinema amanhã? Preferes ir à noite para poderes ver o Benfica às 17h?

Silêncio. Continua de olhos vidrados na televisão.

Eu - Ouviste o que eu te disse?

Ele - Ãh? Não.

Eu - Estás a gozar? Estou para aqui a falar e tu não me estás a ouvir? - choque...

Ele - Tu fazes sempre isto! Esperas até eu encontrar qualquer coisa na televisão que me interesse para te lembrares de contar tudo e mais alguma coisa. Quando não está a dar nada que tu gostes, de repente, ficas com imensas coisas para dizer. Isto interessa-me, deixa-me ver isto.

Eu - Mas eles estão a falar do Porto! E tu és do Benfica. O que é que isso interessa?

Ele - Eu gosto de futebol e gosto de saber o que é que se passa com os rivais do Benfica. Deixa-me só ouvir o que ele está a dizer.

Eu - Pronto desculpa lá. Não te digo mais nada!

Dois minutos depois - dois!!! - olhei para ele.

....

Sim, estava a dormir...

Eu - É por isso que não queres que eu fale contigo?! - dá um salto assim que me ouve - Para poderes dormir à vontade?

Ele a rir-se - Eu não estou a dormir!!!! Bolas, não posso fechar um bocadinho os olhos que tu cais-me logo em cima. Pareces a polícia do sono!

E isto acontece praticamente todos os dias. Sempre que o apanho a dormir no sofá é todo um filme. Nunca está a dormir. Nunca! Nunca adormece no sofá. Tirando os dias em que adormece que são assim, tipo, quase todos. Mas qual é o problema em admitir que, como qualquer pessoa normal, às vezes se deixa vencer pelo cansaço? E mais: se tem sono porque é que não vai dormir para a cama?! É que este filme acaba sempre da mesma maneira: adormece no sofá; nega que está a dormir no sofá; uma ou duas horas depois levanta-se, vai lavar os dentes e quando, finalmente, se deita na cama... exacto, fica, milagrosamente sem sono e refila porque não tem sono. Um clássico.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:17

Então e os saldos?

por Marisa Furtado, em 06.01.15

Muitas comprinhas? Grandes achados? Já substituíram aquelas camisolas de inverno velhas por umas novas e já começaram a compôr o armário para o verão? Sim? Good for you. Este inverno a minha ida aos saldos resume-se a uns óculos de sol da Mango que me custaram 9.99€. Ali por alturas do Natal estava em pulgas para que os saldos começassem; sonhava com camisolas de caxemira da Zara a 20€ e calças de ganga a preço de chuva mas os planos saíram-me todos furados. E a razão é só uma: as pessoas que parecem ter enlouquecido. Todas as lojas onde pus os pés só me deram vontade de fugir. Roupas ao molho, calças de ganga misturadas com t-shirts, descontos miseráveis de 5€ e muita, muita, muita gente em todo o lado: no meio da loja a remexer na roupa, em filas intermináveis para os provadores e em filas maiores para pagar... nunca uma ida à Zara foi tão rápida. Entrei a medo e a meio da loja já estava a desistir. Sou uma pessoa ansiosa, que volta e meia tem uns ataques de nervos jeitosos, e sítios cheios de gente dão cabo de mim. Começo logo a hiperventilar perante a possibilidade de ter de estar 30 minutos em pé, com roupa até ao queixo, para entrar num provador e depois idêntica tortura para pagar. Credo! Não me lembro de haver igual histerismo nos anos anteriores por causa dos saldos. Ou se calhar era igual e eu é que mudei. De repente foi-se-me a paciência para andar nas compras nestas condições adversas. 
Como as lojas andam impossíveis tenho optado por vigiar os sites do costume e o resultado não é mais animador. As minhas wishlists e o cesto virtual da Zara - quando, mas quando é que a Zara vai permitir a criação de whislists no site? Dá imenso jeito e deve ser a única marca que não permite tal coisa - estão a abarrotar mas ainda não encontrei assim nenhuma peça que queira mesmo, mesmo muito. Por isso vou enchendo as whislists de coisas giras, mas que não me fazem particular falta, e pouco depois, tudo somado, chega a valores ridículos que ultrapassam os 100€... o da Zara, com apenas 23 pecinhas, ultrapassa os 500€... no can't do. E assim se resume a minha não ida aos saldos.
O que eu queria mesmo, mesmo, mesmo muito era uns Gazelle e uns Stan Smith, ambos Adidas, mas esses só devem entrar em saldos lá para Outubro.
Aqui ficam alguns objectos do meu desejo:

 

Sem título #47

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:18

Vendas agressivas? Não, obrigada.

por Marisa Furtado, em 11.12.14

Andar às compras é uma das coisas que mais gosto de fazer nos meus tempos livres. Para muita gente ir enfiar-se no Colombo ou nas lojas da Baixa depois de um dia de trabalho é o maior dos pesadelos mas para mim é uma óptima forma de relaxar e distrair a cabeça. Gosto de andar por ali a ver as montras, as pecinhas novas que acabaram de chegar às lojas, ir para os provadores experimentar roupa que mesmo que não possa comprar na altura vejo se me fica bem ou não para comprar mais tarde. Enfim, um pequeno oásis. Mas como em quase tudo na vida também tem o seu lado mau. Não, não é ficar com menos dinheiro na carteira. Sim, são as vendedoras chatas. Longe vão os tempos em que só nas lojas do chinês tínhamos um empregado colado a nós a ver onde é que andávamos a mexer. Agora desconfio que em praticamente todas as lojas as empregadas sejam transformadas em autenticas comerciais e hiper-incentivadas a vender, vender, vender para ganharem boas comissões. E, meus amigos, não há nada que me incomode mais.
Assim que ponho o pézinho direito na Sephora aparece logo uma rapariga toda muito feliz e sorridente, de lábios rosa choque, a perguntar se preciso de ajuda. "Não, venho só ver", resposta automática. Ainda não cheguei a meio da loja e já tenho outra a perguntar-me exactamente o mesmo. "Por enquanto não". E assim que pego em qualquer coisa pumba: "Precisa de ajuda? Já conhece os novos produtos dessa marca? Já conhece a nossa promoção pague 3 leve 4?" BACK OFF!! Eu percebo que a ideia é levar as pessoas a comprar e de preferência a comprar muito, muitas vezes coisas que nem sequer precisam, mas acho que o efeito é precisamente o oposto. Pelo menos comigo que com tanto assédio fico logo com vontade de me pôr na alheta. E digo assédio sem pretensão de exagerar. Assédio não se limita aos "És bem boa" berrados pelos homens das obras e aos telefonemas da Cofidis às nove da noite a proporem-nos cartões de crédito. Entrar numa loja de onde só queremos uma coisa, ou onde só queremos gastar determinado valor, e termos alguém a impôr-nos milhentas sugestões depois de já termos dito e repetido que SÓ queremos levar o que já temos na mão é também um assédio.
Mas calma, que a Sephora não é a única. Há umas semanas fui à Calzedonia comprar uns collants pretos opacos normalíssimos. Como não queria perder tempo à procura deles pedi ajuda a uma funcionária, que eu quando preciso efectivamente de ajuda pergunto. Foi muito prestável, levou-me logo ao sítio deles e assim que mos entregou... sim, começou o assédio. "Não quer aproveitar a nossa promoção? Leva 5 pares e paga só 4. Não convém nada levar só um par de collants. Imagine que eles se rasgam! Assim fica já com uns quantos de reserva" "Agradeço mas não vale a pena. Eu sou muito cuidadosa e os collants da vossa marca são tão bons que não se rasgam assim tão facilmente." "Pois isso é verdade. Então agora vamos ali ver a colecção de fantasia". Juro que foi assim que ela falou. Parecia que estavamos num museu. "Então agora vamos passar à sala Renascentista". Disse-lhe que não valia a pena, que só precisava mesmo de uns collants pretos. "Tem a certeza? - adoro!.... Adoro, adoro, adoro. Tem a certeza? Tem a certeza que em vez de gastar só 7€ não quer gastar 18€? Tem a certeza?! - Olhe que uns collants fantasia dão logo outro ar aos looks. Um vestido preto normal, assim simples, ficaria muito giro com umas meias com risquinhas em relevo!" "Pois. Mas collants com bonecada não são mesmo nada a minha onda." "Ah. Prefere coisas mais simples é?" "Exacto." "Então e os nossos collants semi-opacos já conhece?" Estão a ver o rumo que isto está a levar, certo? Ela queria vender-me tudo! Qualquer coisa. Alguma coisa para além daquilo que eu queria, que Deus nos livre de gastarmos dinheiro só naquilo que realmente precisamos.
Há bocado fui à Parfois trocar uma coisa e na caixa esbarrei com uma fila de 8 pessoas. Todas elas foram assediadas pela menina da caixa. Todas! "É só a mala? Só?! É para si? Então porque é que não leva outra para oferecer a alguém no Natal? Não quer? Então e um alfinete de peito? Já viu estes tão bonitos que temos aqui?" Próxima vítima. "É só a echarpe? Não quer levar um anel ou uns brincos? Temos uns muito bonitos no mesmo tom que iam ficar aqui muito bem" Next. "Não quer escolher também um colar para fazer conjuntinho com os brincos que vai levar? Não?! E um anel? Aquele ali fazia um conjuntinho tão bonito!" Eu ouvia aquilo e só abanava a cabeça. Primeiro porque com aquela conversa toda a fila não havia meio de andar e eu tinha o tempo contado, e depois porque não queria ter de dizer que não às 25 coisas que ela se ia lembrar de me impingir. Felizmente calhou-me a estagiária. Não me tentou vender nada, fez-me a troca, deu-me o talão e "Obrigada e boa tarde". É só isto que eu quero. Só isto. Alguém prestável, que me atenda de forma simples e simpática sem quase me obrigar a levar metade da loja. É pedir muito?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:38

Ter um gato também é isto #5

por Marisa Furtado, em 08.12.14

Feriado. Acordar às 9h e pouco. Abrir a porta do quarto e dar com o gato ali sentado, encostadinho à ombreira da porta, a olhar para mim como quem diz "estava a ver que não". Empurrar o gato que entretanto quer entrar no quarto mas não pode porque o homem ainda está a dormir. Fechar a porta e levar uma dentada no tornozelo direito. Ir à casa de banho fazer um xixi e ter o gato sentado no bidé a olhar para mim, porque ter um gato também é nunca mais ir à casa de banho sozinha. Abrir a janela da varanda para apanhar a roupa que tinha estendida. Fechar a janela para o gato não ir para a varanda, porque ter um gato também é viver com o pesadelo de eles se atirarem do parapeito e se esbardalharem lá em baixo. Apanhar a roupa com o gato a olhar para mim e a miar do outro lado da janela. Dar comida ao gato. Tomar o pequeno-almoço. Esticar-me no sofá da sala com o portátil no colo e preparar-me para ver Klhoe and Kourtney take the Hamptons, que apesar de ser feriado também é segunda-feira e nenhuma das opções de programas televisivos me agrada. Chamar o gato que vem a correr ter comigo e se manda para cima da minha barriga recém-cheia de café com leite. Assim que se vê em cima da manta polar do sofá desata a fazer patinhas e liga o motor dos ronrons. Derreto-me e faço-lhe festinhas. Perder 10 minutos até encontrar um link decente para ver a série, sempre com o gato ali. Encontro o link e aconchego-me no sofá. O gato salta do sofá e começa a andar pela sala, claramente à procura de alguma coisa para fazer. Salta para a mesa de centro e começa a mandar as velinhas ao chão. "Kubrick!" Apanho as velas e volto para o sofá. O gato salta da mesa e vai-se pôr ao pé dos presentes de natal enquanto olha para mim, claramente a desafiar-me. "Kubrick não." Chega-se mais um bocadinho. "Kubrick!" Começa a comer a árvore de natal. "Shhhhhht!" Pára de comer a árvore e olha para mim com uma expressão esquisita. Engasga-se e começa a tentar vomitar. Engole e fica bem. Volta a abrir a boca em direcção aos ramos. Ainda só vi dois minutos da série. Pego no gato, ponho-o fora da sala e fecho a porta. Mia baixinho. Ouço-o a saltar para cima da mesa da entrada. Silêncio. Dois minutos depois plimplimplimplim. Todas as moedinhas que estavam em cima da mesa da entrada vão parar ao chão, que o meu homem tem uma carteira mas não a usa, que é muito melhor andar com os trocos nos bolsos e esvaziá-los para cima da mesa da entrada quando chega a casa. Abro a porta da sala irritada. Vejo o gato em cima da mesa com a pata em cima da última moeda. Olha para mim e empurra lentamente a moeda até ela cair. Salta da mesa e vai para o chão brincar com as moedas. Pego nas moedas e ponho-as na tacinha onde guardamos as chaves. Volto para a sala e fecho a porta. Ouço o gato a miar à porta do quarto. Ouço o correr dos estores. O homem sai do quarto estremunhado, vem ter comigo à sala, dá-me um beijo e pergunta porque é que tinha a porta fechada com um ar muito admirado. Vai tomar o pequeno-almoço e o gato vai atrás dele. Já sabe que vai receber bocadinhos de fiambre de frango, o interesseiro. 1h depois de acordar posso, finalmente, ver a série.

 

10469754_10205090608923412_3699315907358427314_n.j

 

Quando quer consegue ser muito chatinho e dasafiador mas já não imagino a minha vida sem esta bola de pêlo. 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:38

7 passos para começar bem o dia

por Marisa Furtado, em 25.11.14
  1. Arrastar-me da cama às 7h30 da manhã depois de uma noite muito mal dormida graças ao meu querido vizinho do lado que quase às 2h da manhã tinha a p$%& televisão aos berros na RTP Informação - não há nada que odeie mais que querer descansar e não conseguir por causa do zum zum de televisões alheias;
  2. Mudar de roupa três vezes porque parece que de repente nada fica bem com nada;
  3. Mudar a tralha toda para outra mala porque a que usei nas últimas duas semanas não se coaduna com a roupa que tinha vestida;
  4. Ser obrigada a escolher entre fazer a cama ou arrumar a cozinha "que já é tarde e não tenho tempo para tudo" - nesta altura estava o meu homem a pôr cera no cabelo com toda a sua calma e a escolher que fios de cabelo ficam para cima ou para baixo;
  5. Como tenho um gato achei que seria mais importante arrumar a loiça do pequeno-almoço e a torradeira não vá o gato pôr lá as patas dentro e apanhar um choque. "Que se lixe a cama. Faço-a quando chegar a casa", pensei já a fazer beicinho porque detesto sair e não deixar as coisas arrumadas;
  6. Saio de casa a maldizer a minha vida porque "não tive tempo para fazer nada. Não gosto de começar os dias a correr. Ai, esqueci-me de preparar o lanche! E agora o que é que eu vou comer à tarde? Só há bolos cheios de creme no café do trabalho. Olha só para isto, nem tive tempo para pôr o relógio nem um colar ou uns anéis. Parece que estou nua";
  7. E para rematar pimba, caio de costas nas escadas do prédio. Cortesia da senhora da limpeza que acha que um chão bem limpo é aquele que tem enormes poças de água com lixívia.


    Bom dia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:20

A panicar

por Marisa Furtado, em 19.11.14

Pois que tenho andado com problemas de estômago o que em mim não é nenhuma novidade e é precisamente por não ser novidade que o meu médico achou que estava na altura de fazer uma endoscopia. Só boas notícias. Quando me deu a boa-nova morri duas vezes. A primeira quando ouvi a palavra endoscopia, comecei-me logo a imaginar a ser torturada com um tubo gigante pela goela abaixo. A segunda foi quando ele disse: "Não, não. Esteja descansada que leva uma anestesia geral."
Pausa para assimilar o que acabou de ser dito.
Hum? Como é que é? Uma anestesia geral? Mas isso não é suposto acontecer só quando uma pessoa é operada? E vou estar a dormir quanto tempo? E se não acordar? Que eu em tempos tive uma gatinha que morreu no veterinário depois de levar uma anestesia geral para ser esterilizada e esse trauma vai-me acompanhar para o resto da vida. E se eu também me ficar logo ali? Claro que não perguntei nada disto ao médico, não quero que ele pense que eu sou maluca. Fui para casa com as minhas perguntas e com o passar do tempo fui-me esquecendo do assunto. Quando me lembrava e falava disto a alguém diziam-me sempre: "Anestesia geral? Naaaaaa. Isso de certeza que é local. Deves ter percebido mal. Devem-te pôr um spray ou coisa que o valha na garganta para não sentires nada" e eu lá ia ficando mais descansada. É verdade que eu passo a vida em médicos e nunca apanho metade daquilo que me dizem. Só quero que me ponham boa e sair dali de fininho. Por isso sim, era possível eu ter percebido mal e só essa hipótese me deixava mais descansada. As pessoas ignorantes são as mais felizes, não há dúvida. 
Há bocado ligaram-me do hospital com uma óptima notícia: tinham vaga já para amanhã! Amanhã!!! Não estava, de todo, preparada para uma coisa destas, assim tão rápida. Preciso de tempo para me preparar psicologicamente e para aceitar que me vão enfiar uma mangueira na garganta. Pior: quando perguntei como era a anestesia a sr.ª do outro lado respondeu: "É uma sedação profunda. Vai estar a dormir e não vai sentir nada." Tão querida. Devia estar a pensar que me estava a aliviar ao dizer-me que eu não ia sentir nada. Mas o que me ficou a ecoar na cabeça foi a expressão "sedação profunda". Profunda. Profunda!!! Estive a um passo de começar a chorar. Nunca na minha vida levei uma anestesia geral - ou sedação profunda, como quiserem - e a ideia de me porem a dormir assim de um momento para o outro assusta-me imenso. E se o coração me pára como aconteceu à minha gata? E se eu daqui a uns meses precisar de levar outra anestesia geral por outro motivo qualquer? Será que já não posso? Ou será que posso e os riscos são maiores? Meu. Deus.
Sou um bocadinho hipocondríaca e sempre que sinto um desconforto que se mantém por mais de 3 dias vou logo a correr para o médico para saber se tenho alguma doença grave. Detesto adiar estas coisas dos médicos, gosto de estar informada e faço questão de todos os anos fazer um check up total e é claro que este exame é importante para eu saber se tenho alguma coisa no estômago que volta e meia se chateia com aquilo que como, mas sou muito muito piegas e esta coisa da sedação profunda está-me a dar cabo dos nervos. E não é só isso. Já sei que me vão enfiar um cateter no braço e que é por aí que a anestesia vai entrar. Só de imaginar já fico com quebras de tensão. Há uns anos tive outro episódio de dores de estômago e no hospital enfiaram-me a porra do cateter no braço para me injectarem uns medicamentos quaisquer. Assim que vi aquilo desatei a chorar convulsivamente. Entrei em pânico. A enfermeira ficou muito assustada, perguntou-me o que se passava e, entre lágrimas e soluços, lá consegui dizer: "Isto aqui no braço faz-me muita impressão, não consigo andar com isto aqui. Não consigo!" Sim, é verdade, isto aconteceu. É que faz-me mesmo impressão ver aquele bocado de plástico ali agarrado à minha pele... meu Deus, até me custa imaginar. Amanhã vou tentar não me enervar muito - ... - para me concentrar e colocar todas aquelas questões ao anestesiologista. Só não prometo não desatar a chorar quando me chamarem na sala de espera.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:21


talk to me!

theallengirlblog@gmail.com

Mais sobre mim

foto do autor


no tumblr

Allen girl

no polyvore

my Polyvore

no pintarest

Pinterest



Comentários recentes

  • Sara

    Desculpem mas eu AMEI este champo seco. Comprei em...

  • Carla Marques

    E os comentários dos defensores do piropo no Faceb...

  • isabel

    Quem consegue sair de casa e deixar para trás um r...

  • Marisa Furtado

    Não! Apeteceu-me apenas mudar-lhe o nome e o visua...

  • Pedro Neves

    Por momentos pensei que o blog estaria de saída do...



Pesquisar

  Pesquisar no Blog