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In a New York state of mind

por Marisa Furtado, em 25.05.15

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 (Suspiro... suspiro... suspiro...)



 

Todas as imagens via Pinterest.

 

 

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publicado às 10:56

Life resolution

por Marisa Furtado, em 02.01.15

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Para além dos habituais desejos de saúde, amor e dinheiro todos os anos há uma passa reservada para as viagens. Para mim viajar é tão essencial como ter comida no prato. Ouvir novos idiomas, experimentar novas comidas, estar em contacto com novas culturas, com diferentes ritmos de vida, ver coisas que nunca veria no meu país... é uma lufada de ar fresco e o único investimento que faço com a certeza de que vou ficar mais rica depois. Agora resta-me respirar fundo, receber de braços abertos o novo ano e... um novo destino. Feliz 2015!

 

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publicado às 10:15

Get away | Aterra

por Marisa Furtado, em 18.08.14

Este "Get away" é um bocadinho diferente dos habituais simplesmente porque a minha experiência aqui não foi das melhores. Porém, sei que o problema é meu e não do sítio que, sei, fará as delícias de pessoas um bocadinho mais descontraídas que eu.

O ano passado eu e o meu homem, assumidas pessoas de hotéis e que prezam o conforto do betão, achámos que podia ser giro irmos acampar. Não sei porquê. Simplesmente um dia acordámos e achámos que era uma boa ideia. Eu, que não sou nada dada ao contacto com a natureza, que acho que a vida selvagem é muito bonita mas ao longe, aos domingos de manhã na SIC, e que fico histérica sempre que vejo um insecto, achei, por momentos, que acampar podia ser a coisa mais fixe de sempre. Go figure. Ainda andámos a ver umas tendas que, felizmente, não comprámos porque entretanto descobrimos o Aterra, um acampamento giríssimo em S. Teotónio, no meio de um bosque. A filosofia deste espaço é o eco camping in luxury, quer isto dizer que se trata de um acampamento de luxo no meio da vida selvagem. Pensámos "Olha! É mesmo isto. O melhor dos dois mundos. A essência do campismo mas com o conforto dos hotéis." Pois, isto não é beeeeeem assim. Pelo menos não para mim. É verdade que não há cá tendas que demoram horas a montar e sacos-cama desconfortáveis. Aqui as pessoas dormem em camas dentro de tendas bonitas, bem decoradas, com candeeiros e wifi mas no meio da bicharada que costuma habitar os bosques e nunca esquecendo, claro, os conceitos ecológicos.

Antes de aqui chegar a minha pegada ecológica resumia-se a não deixar a água a correr quando não estivesse a precisar dela, usar lâmpadas economizadoras, não acender as luzes durante o dia... mas isto vai muito para além disso como é lógico. No Aterra a ecologia é lavada ao extremo. O que é bom, não digo que não, mas não é para mim. Aqui há duas sanitas, dois chuveiros e dois lavatórios no meio do acampamento para toda a gente usar, e não são áreas fechadas, com paredes, são casinhas de bambu abertas em cima e em baixo por onde entra o ar e, claro, a bicharada. Quando reparei nisto pensei "Pronto, é diferente, é uma experiência nova. Até pode ser giro estar a tomar banho assim ao ar livre a ver o nascer ou o pôr-do-sol". Até aqui tudo bem. Sou suficientemente open minded para aceitar tomar banho naquelas condições. O problema foi quando a minha mente, até ali aberta, esbarrou nas sanitas. Aqui fechou-se a sete chaves e só se voltou a abrir quando cheguei a casa, três dias depois. Neste local a reciclagem está na ordem do dia por isso as casas de banho funcionam através da compostagem seca. Sentamo-nos na sanita, fazemos o que temos a fazer, depois enchemos uma caneca com serradura, tapamos tudo muito bem tapadinho e vamos à nossa vida. Isto ao fim do dia é retirado lá de dentro e usado para fertilizar as terras em redor do acampamento. Acho que foi mais ou menos por esta altura que senti a desenvolver-se em mim uma ligação emocional aos autoclismos. Sempre que ia à casa de banho, para além de inspeccionar todos os cantinhos daquela casota de madeira para ver se não havia nenhum bicho lá dentro, tinha noção que ali por baixo daquele montinho de serradura que já estava dentro da sanita estavam "presentes" deixados pelos outros hóspedes. Acredito que para muita gente isto é normalíssimo, é apenas um estilo de vida diferente, e não se chateiam nada com estas coisas, nem pensam nelas, mas eu sou muito picuinhas, gosto de ter tudo sob controlo, gosto de sanitas de loiça branca a brilhar e a cheirar a Sonasol e, portanto, estava completamente fora do meu ambiente. E isso notava-se. Ora vejam:

Na primeira noite, antes de ir dormir, desci até à zona das casas de banho para fazer a minha higiene e reparei que no espelho por cima do meu lavatório estava uma coisa estranha. Aproximei-me e pareceu-me um simples laçarote castanho. Um apontamento decorativo portanto. Apontamento esse que não existia no espelho ao lado... "Hum, que estranho." Vim a saber mais tarde que aquele artefacto não era nenhum laçarote, era mesmo uma larva em processo de transformação que esteve ali três dias muito quieta a olhar-me olhos nos olhos enquanto escovava os dentes.

Na manhã seguinte quando saímos para tomar o pequeno-almoço fomos informados que só podíamos entrar na área de refeições descalços. O caminho entre as tendas e a área de convívio é de terra batida e por isso os donos não querem que os hóspedes andem ali de sapatos. Até aqui tudo bem - mais ou menos, mas pronto - mas como tinha chovido na noite anterior o pavimento estava todo molhado e, por isso, senti-me relutante em entrar ali descalça. Não queria tomar o pequeno-almoço com os pés todos molhados, coisa que não aconteceria se pudesse estar calçada, nem pisar o mesmo chão de madeira que aquelas 8 ou 9 pessoas também estavam a pisar... não me pareceu uma coisa muito higiénica e a voz hipocondríaca da minha cabeça gritava "GERMES!". Só me lembrei da Carrie Bradshaw no episódio "A Woman's Right to Shoes". Bom, lá fomos tomar o pequeno-almoço de pés ao léu e ao som de umas músicas supostamente zen, com muitos sininhos e flautas, e cerca de uma hora depois voltámos para a tenda. Pelo caminho fui tropeçando nos habitantes lá do sítio: traças enormes, sapinhos, umas coisas tipo melgas mas meio transparentes e esverdeadas, aranhas com pernas enormes, lagartos, gafanhotos, besouros e mais uns quantos que nunca tinha visto na vida. Enfim, se há coisa de que ninguém se pode queixar é da falta de riqueza da fauna envolvente. Assim que entrei na tenda, toda arrepiada com aquela bicharada e a pensar que tinha de ir lavar os pés asap, vi que estava uma coisa preta em cima da minha almofada. Aproximei-me, a medo, para ver o que era e quando percebi que era um grilo, que tinha um grilo dentro do quarto, em cima do sítio onde ia deitar a cabeça naquela noite, desatei aos gritos e saí dali a correr. Claro que o bicho com tanta gritaria desatou aos saltos pelo quarto e desapareceu atrás de cama. Nunca mais o vimos. Nessa noite dormi tapada até às orelhas com medo do grilo. E isto foi sempre assim até ao fim. Havia bicharada em todo o lado, dentro e fora da tenda, o que me começou a deixar ansiosa e um bocado paranóica também. Sempre que sentia qualquer coisa a tocar-me na pele desatava a esbracejar feita parva.

Como podem ver foram três dias muito pouco descontraídos. Todo aquele ambiente era demasiado freak para mim e não tinha mesmo nada a ver comigo. Foi uma experiência diferente que serviu para provar que esta não é mesmo nada a minha cena. As tendas até podem ser muito giras e o conceito muito interessante mas a quantidade de bicharada que conviveu de perto comigo deixaram-me com saudades dos hotéis construídos com o bom velho tijolo que não deixa entrar nem uma mosca. Portanto, se forem picuinhas como eu não vos aconselho este sítio. Se forem mais descontraídos, se não se importarem com os bichos, se tomar banho ao ar livre até for uma coisa que sempre gostaram de experimentar, se acharem interessante o conceito da compostagem e se comer de pés descalços num chão que pode, ou não, estar molhado não vos chateia nada... go for it, you'll love it.

 

 
 
 
 
 
 
 
Uma espécie de praia privada
 
 
A zona das casas de banho
 
 
 
A zona de refeições
 
Imagens via Facebook Aterra e Google

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publicado às 10:39

Get away | Gent, as fotos

por Marisa Furtado, em 16.05.14

Depois de Bruges rumámos a Gent, uma cidade a 30 minutos de Bruxelas onde só se fala holandês. É mais moderna que Bruges, à excepção do centro histórico que se vê bem em duas horas, é também mais pequena e menos interessante mas, ainda assim, vale a visita. Quanto mais não seja para ver o Graslei, o porto medieval da cidade ladeado de edifícios históricos. A ponte que liga Graslei a Korenlei, as duas margens do rio, fez-me lembrar a Charles Bridge em Praga - um dos sítios mais bonitos onde já estive -,  embora numa escala bem menor. O tempo, esse, foi só mais do mesmo: vento com fartura, frio e chuva.

 

 

 


 

 

 

Graslei e Korenlei

 

 

 


 

 

 

 

O mesmo local visto de outra perspectiva

 

 

 



 

 

A tal ponte que une as duas margens

 

 

 



 

Tal como em Bruges aqui os canais também podem ser navegados em barquinhos

 



 

Nesta cidade a maior parte das pessoas desloca-se de bicicleta. Este jardim em frente à estação dos comboios é uma espécie de estação central das bicicletas. Eram às centenas!

 



 

Dia cinzento, frio e chuvoso. Um dia normal numa cidade belga.

 

 

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publicado às 10:08

Get away | Bruges, as fotos

por Marisa Furtado, em 15.05.14

Como se a chuva com que Bruxelas nos presenteou não fosse suficiente, ainda fomos a Bruges, que é a cidade onde mais chove na Bélgica. Mas valeu a pena. Bruges mantém o aspecto medieval dos tempos idos, por isso assim que lá chegamos parece que entramos noutra dimensão. Se na capital da Europa me fazia confusão ouvir duas línguas em simultâneo em Bruges a coisa acalma um bocadinho visto ali só se falar francês. Gostei de tudo nesta pequena cidade a uma hora de Bruxelas: da simpatia das pessoas, dos edifícios e, sobretudo, do sossego. É uma cidade com ambiente de aldeia e uma óptima opção para uma escapadela romântica de dois ou três dias fora de terras lusas, fugindo aos clichés de Veneza ou Paris. Aliás, como tem os canais como imagem de marca, Bruges é conhecida como a Veneza do Norte. Nunca fui a Veneza mas já posso dizer que fui à next best thing.

 

Ficam algumas imagens:

 

 

 

 

 

 

Os barquinhos que levam as pessoas a pessear pelos canais da cidade

 

 

 



 

Chuva na principal praça de Bruges

 



 

 

Os canais

 



 

O sossego das ruas numa tarde de sábado

 



 

Casinha amorosa à beira-rio

 



 

Uma loja de dois andares que vende apenas decorações de natal. O ano todo! Todas as peças, desde os penduricalhos para as árvores aos relógios que mostro na imagem seguinte, são feitas à mão. Um amor.

 



 

 



 

Novamente os canais. Sempre.

 

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publicado às 10:09

Get away | Bruxelas, as fotos

por Marisa Furtado, em 14.05.14

Da minha viagem à Bélgica trouxe o início de uma constipação, dores de garganta que me estão a deixar cada vez mais rouca - está-me cá a parecer que, pelo caminho que isto está a levar, amanhã acordo afónica -, menos dinheiro na carteira porque, como já disse, as coisas naquela terra são caríssimas, e muitas fotografias. Sou assumidamente uma nerd da fotografia e quando o assunto são viagens fico possuída. Quero sempre fotografar tudo, desde os pormenores dos prédios à essência de uma rua mais pitoresca. Assim se a memória se for esvanecendo à medida que o tempo passa tenho sempre maneira de me voltar a recordar. Estas são uma pequena amostra dos registos fotográficos de Bruxelas:


 


 


 




Grand Place com sol!





Relógio da Maison du Roi, o edifício mais imponente da Grand Place







Manneken Pis, uma das maiores atracções da cidade que, ironia das ironias, é uma estátua de meio metro. Costuma estar nú mas, volta e meia, aparece todo pimpolho com roupas feitas à medida. Aqui está vestido com o equipamento da selecção belga.






Waffles com tudo a que temos direito






Suspiros gigantes!





Chocolates






Chocolates





E mais chocolates





Nougats gigantes!







As ruas de Bruxelas






 




A imponente escadaria do Palácio da Justiça





Jardim Monts des Arts





Manneken Pis com nova fatiota





O Palácio Real






 

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publicado às 11:04

Get away | Bruxelas, Bélgica

por Marisa Furtado, em 11.05.14

A chegada a Bruxelas não foi fácil. Dormi cerca de duas horas na noite anterior e isso fez com que acordasse muito atordoada e enjoada. Nem consegui tomar o pequeno-almoço. Quando entrei no avião tive um pequeno ataque de pânico, coisa que nunca me tinha acontecido. Estou habituada aos aviões da TAP e da Iberia, espaçosos e com bom aspecto, e estes da Ryanair são um bocadinho pavorosos. O interior tem um ar muito plástico e frágil, tudo em tons de amarelo e azul, tipo cadeia de fast food, e não há espaço quase nenhum entre os bancos, as pessoas vão todas coladas umas às outras. Comecei com palpitações e com faltas de ar e só me apetecia sair dali a correr. Ainda pensei em pedir ao assistente de bordo um saco para respirar lá para dentro mas, aos poucos, fui-me conseguindo acalmar sozinha e assim que o avião levantou voo adormeci. Quando acordei só faltava meia-hora para a aterragem. Menos mal.

 

Depois de ter aterrado em segurança e de já cá estar há quase uma semana já me sinto capaz de reunir alguns fun facts sobre a capital da Europa. A saber:

 

- Chove. Muito. Desde que aqui estou choveu todos os dias. Nuns choveu mais que noutros mas nunca pudemos ir passear sem chapéu de chuva.

 

- Os locals não querem saber da chuva. No primeiro dia estava a desesperar porque chovia imenso e eu andava de ténis, mas à minha volta a maior parte das raparigas andava de all star ou de sabrinas como se estivesse um lindo dia de sol. Chapéus de chuva também são coisas que pouca falta lhes faz. Andar mais depressa ou pôr um capuz é a solução.

 

- Há chocolates em tooooda a parte, mas é na zona da Grand Place que se encontram as principais chocolateries. É impossível não ficarmos a babar para cima das montras. Até há Ferreros Rocher XL, senhores!

 

- Um dos cheiros característicos das zonas turísticas é o dos waffles acabadinhos de fazer. Uma delícia.

 

- Aqui as mulheres andam sempre mega produzidas. Pelo menos nas zonas que frequentei. Sempre muito maquilhadas, muitas vezes em excesso, e com os cabelos impecavelmente arranjados. Nunca vi tanto brio com a aparência em mais lado nenhum. Nem em Paris.

 

- É muito estranho estarmos num sítio onde se falam duas línguas - o francês e o holandês - que nós não entendemos.

 

- A comida é cara. Para estas pessoas restaurantes com affordable prices são aqueles em que os pratos variam entre os 13€ e os 16€.

 

- Aqui começam a jantar quase à nossa hora do lanche. Às 18h/19h já há pessoas a comer nos restaurantes. Na primeira noite fomos jantar às 20h30 e os únicos sítios abertos eram os bares e uma ou outra pizzaria com mau aspecto.

 

- Nas máquinas multibanco os levantamentos express, que em Portugal, se não me engano, são de 20€, 40€, 60€, aqui são de 100€, 200€, 300€... e o levantamento mínimo permitido é de 20€.

 

- Anoitece tarde, por volta das 22h, o que é óptimo para quem gosta de fazer sightseeing até tarde.

 

- As coisas são todas bonitas, não só em Bruxelas mas também em Bruges e Gent, mas já tenho saudades do sol e das temperaturas amenas de Lisboa. 

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publicado às 21:24

Get away | Bélgica

por Marisa Furtado, em 07.05.14

As previsões são de temperaturas fresquinhas, ali a rondar os 16ºC/17ºC, e de chuva. Andei eu a maldizer o tempo ranhoso que nos estragou o início da Primavera e agora que o calor parece ter chegado para ficar vou voltar a calçar as biker boots e recuperar as camisolas de malha. Apesar do tempo cinzento alegra-me saber que vou ver coisas novas e bonitas. Nos próximos dias vou andar por aqui:

 

 

 

 

 

 

Bruxelas

 

 

 


 


 

Bruges

 




 

Gent

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publicado às 14:16

A minha admiração por Saramago começou tarde. Não foi no secundário quando, em vez de lermos o Memorial do Convento, por opção da professora lemos Os Maias. E também não foi na faculdade quando li, por imposição da professora de Literatura Portuguesa e a custo, a História do Cerco de Lisboa e A Jangada de Pedra. Não, não foi durante o meu percurso académico que comecei a ler Saramago com outros olhos, foi em 2009 quando trabalhava no jornal 24Horas. Como escrevia para a secção do social, onde o foco estava na vida dos famosos, quando me calhavam trabalhos mais virados para a cultura batia palminhas de contente. Era aí que me sentia à vontade e com mais motivação para trabalhar. Um desses trabalhos excepcionais foi fazer a cobertura da apresentação de Caim, na Culturgest. Fui para o trabalho entusiasmada por ir ouvir falar, ali a cores e ao vivo, a pessoa que me fez suar as estopinhas na faculdade mas ia também com um preconceito: pensei que ia ter à minha frente um homem rabugento e um bocadinho entediante. O trauma causado por aqueles dois livros toldava-me o discernimento. Rapidamente esta ideia caiu por terra. "Não procurem os hematomas. Tenho a pele bastante dura.", foram as primeiras palavras que disse, referindo-se a toda a polémica que rodeava o mais recente romance que tinha chegado às livrarias 10 dias antes. Afinal, aquele homem de frágil aparência era divertido, brutalmente honesto e mordaz. Estava conquistada. Vim a saber mais tarde, quando fui à procura de entrevistas antigas e quando vi o documentário José e Pilar, que sempre tinha sido assim, eu, por ignorância e desinteresse parvo, é que não sabia. Desse dia da Culturgest trouxe uma gigante admiração por aquele homem - que me deixou chateada comigo própria por só a ter ganho naquele momento - e o livro, que li em menos de uma semana. Se alguém me dissesse que um dia ia ler um livro do Saramago em 4 dias tinha-me atirado para o chão a rir. Naquele fim de tarde, Saramago disse que Caim era do melhor que já tinha escrito. Não sei se foi, mas fico feliz por o primeiro livro dele que li com gosto ter sido um dos que ele tinha em melhor conta. 


Foi no seguimento de tudo isto que no passado fim-de-semana fui, finalmente, visitar a Fundação José Saramago. Já o queria ter feito muito antes mas os horários antigos não me permitiram. Gostei do espaço, simples e intuitivo. Gostei de ver as estruturas originais do piso térreo d'A Casa dos Bicos que, apesar de não ser visitável, pode ser observado. Gostei das paredes forradas de livros. Livros dele. Livros traduzidos por ele. Livros sobre ele. Consegue-se ter uma clara dimensão do trabalho de Saramago. Sou uma pessoa de quotes, de punch lines, o nome deste blog, aliás, é prova disso. Por isso gostei de ler as frases emblemáticas ditas ou escritas por ele. Nas escadas que dão acesso ao 1.º piso, nos recortes de jornais onde deu entrevistas, nos trechos de audiovisual que nos acompanham ao longo de toda a visita. A voz e as ideias de Saramago estão sempre presentes. Estão sempre a ser ouvidas. Gostei disso.


 


 












Livros traduzidos por José Saramago e algumas obras de sua autoria








Registo autobiográfico


















Dedicatória inscrita no livro A Viagem do Elefante, aqui na edição espanhola.








Merchandising. Chávena de café com uma citação dos Cadernos de Lanzarote



Parece que este fim-de-semana vai estar frio e chuvoso, nada convidativo a grandes passeios mas, em vez de ficarem fechados em casa ou de se enfiarem em centros comerciais, porque não aproveitam para conhecer este espaço? Vão certamente aprender alguma coisa e, espero, sair de lá com vontade ou curiosidade de ler qualquer coisa de José Saramago.
A Fundação está aberta de segunda a sábado até às 18h e o bilhete custa apenas 3€. 







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publicado às 10:14

Get away | Um dia no Zoo

por Marisa Furtado, em 10.03.14

Quando era mais nova lembro-me que havia dois dias por ano - exceptuando os meus anos e o Natal - que eram uma excitação: o dia em que ia com os meus pais à Feira Popular e o dia em que íamos ao Jardim Zoológico. Era assim uma espécie de tradição de família. A única. Como eram passeios caros só podíamos ir uma vez por ano por isso, para mim, eram verdadeiros eventos!, qual Moda Lisboa. Da Feira Popular lembro-me da lagarta, da casa do terror, da montanha russa onde nunca tive coragem para andar, de uma coisa que andava à roda com cadeiras penduradas numas correntes e de me lambuzar com o algodão doce e as farturas. Já do Zoo lembro-me do nervoso miudinho que me invadia o estômago na fila para o teleférico, do espectáculo dos golfinhos que via, religiosamente, todos os anos e todos os anos constatava que era igual, até as músicas!, das festas que fazia aos póneis e às cabras na Quintinha e dos gelados, os epás e pernas de pau, que comia na zona dos macacos. Aliás, um dos meus traumas de infância deve-se a uma destas visitas. Estava eu, com uns 7 ou 8 anos, a comer o meu Epá e a olhar para os macacos quando reparei que os chimpanzés pequeninos conseguiam sair das jaulas e andar por ali ao pé das pessoas. Ideia brilhante: ir ter com um deles e mostrar-lhe o meu gelado, completamente alheia aos avisos da minha mãe "olha que ele tira-te isso!". Primeiro abanei-lhe a colher, que ele ignorou, e depois pus-lhe o gelado debaixo do nariz. Dois segundos depois senti a pata do macaco a tocar na minha mão e a arrancar-me o gelado - choque! Aquilo assustou-me tanto que desatei a correr desenfreadamente não sei bem para onde. O estúpido do macaco deve ter achado piada e começou a correr atrás de mim de Epá em punho e a fazer aqueles sons que os macacos fazem. Portanto, naquele lindo dia de verão, o cenário no Zoo era este: uma criança lavada em lágrimas a fugir de um macaco bebé que a perseguia com um gelado, uma mãe - a minha - a correr atrás do macaco e da filha a rir-se à gargalhada, e um segurança do parque a correr atrás daquela gente toda para saber o que se estava a passar. Bonito ãh? Depois desse dia passei a achar os macacos uns bichos assustadores. Detesto-os. 

 

Se, infelizmente, já não posso reviver as memórias da Feira Popular, acho incrível poder fazê-lo com o Jardim Zoológico e foi isso mesmo que fiz no passado fim-de-semana. Está igualzinho ao que me lembrava apenas com alguns updates interessantes: a zona dos rinocerontes está maior, os orangotangos também têm um espaço renovado e a Quintinha tem uns cabritos que são as coisas mais fofas de sempre! 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

 



 

 



 

Digam lá se não são as coisas mais fofas!!

 



 

 



 

 



 

A Fashion Week do Zoo

 



 

O bicho mais simpático de sempre

 



 

Dá vontade de os levar a todos lá para casa

 



 

 



 

 



 

Malvado!!! Aposto que foi roubar os brócolos a um desgraçado qualquer que estava a almoçar muito descansado. Quem gostar destes pequenos terroristas vai adorar saber que eles continuam a andar livremente fora das jaulas...

 



 

A Aldeia dos Macacos é um clássico para quem visita o Jardim Zoológico 

 



 

O Timon!

 



Foi uma tarde muito bem passada que recomendo a toda a gente, aos miúdos e graúdos, que o Zoo não é só para as crianças! Eu já estou quase nos trinta e continuo a deliciar-me com aquela bicharada toda. É um passeio bem divertido para aproveitar estes dias de sol deliciosos que começaram agora a dar um ar de sua graça. A entrada continua a não ser barata - 18.50€ - mas há vários descontos que podem usar para tornar o ingresso um bocadinho mais acessível.
A única coisa que me desagradou e que, infelizmente, continua igual ao que era há uns anos, foi a zona da restauração. Quando existem uns três ou quatro restaurantes onde o melhorzinho é o McDonald's... acho que está tudo dito. A oferta é muito pobre, os restaurantes que se comprometem a servir refeições completas são caros, com um atendimento medíocre e um aspecto ranhosinho. A melhor solução continua a ser levar uma merendinha de casa e comer no parque de merendas que há no jardim, com mesas e banquinhos em pedra por baixo das árvores. É, sem dúvida, um almoço diferente e uma opção bem mais saudável e económica que o Mac.

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publicado às 11:03


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