Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



15816_10153779263161164_3757841600386638481_n.jpg
Campanha da Terre des Femmes - organização suíça que luta pelos direitos humanos e igualdade de género


 

O valor da mulher não se mede pelo comprimento da saia nem pela profundidade do decote.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:07

Em playback

por Marisa Furtado, em 24.03.15

É só a mim que faz confusão ver pessoal a fingir que está a fazer aquilo para que lhe pagam num programa de talentos? Passo a explicar. Gosto muito de programas de dança, especialmente do Achas Que Sabes Dançar. Talvez por ser assim meio descoordenada e não acertar um passo – mas sou óptima no freestyle ãh? – perco-me a ver quem realmente percebe do assunto. Portanto qual não é o meu espanto ao ver que alguns convidados do programa, na sua maioria cantores, vão para ali fazer playback. Playback! Há duas semanas foi a Luciana Abreu que abriu o programa com uma imitação barata da Jennifer Lopez e a fingir que cantava e no passado domingo foi o Nélson Freitas, que foi cantar o Bo Tem Mel, esse grande êxito, para acompanhar a dança do Gonçalo (HOT!) e da Liliana. Estaria tudo muito bem, seria tudo muito interessante, se ele não estivesse a fazer um playback descaradíssimo. E o pessoal da produção ainda lhe deu tempo de antena, filmando-o imensas vezes! A sério?! Já é mau demais filmar uma pessoa a cantar quando na realidade o que interessa é quem está a dançar – especialmente quando é o Gonçalinho, cá beijinho – mas é ainda pior quando a pessoa em questão está a fingir que canta. Isto não pode ser considerado um insulto? Uma falta de respeito? Porem estes pseudo-artistas no mesmo palco que pessoas que têm, de facto, talento e que se estão a esforçar imenso, que estão ali a dar o litro? Estas coisas dão-me cabo dos nervos. Portanto, para acalmar, nada melhor que ver aqueles dois fofinhos a bailar. Só mais uma vez.
Para verem a actuação do Gonçalinho e da Liliana basta clicar aqui. Enjoy.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:28

O Dia da Mulher faz sentido?

por Marisa Furtado, em 04.03.15

Esta é a semana do Dia da Mulher – dia 8, domingo – e por isso lembrei-me de uma discussão que tenho tido recorrentemente com várias pessoas sobre a utilidade, ou falta dela, deste dia.
Para mim a importância do Dia da Mulher nunca esteve em causa. Sempre achei que era uma data importante e que fazia todo o sentido ser celebrada. Mas no último ano, para meu espanto, cruzei-me com algumas pessoas que pensam precisamente o contrário. Que acham que este dia não devia existir porque perdeu todo o significado, que para além de ser só mais um dia consumista, onde as mulheres se juntam para irem correr de cor-de-rosa, entrarem à pala em quase todo o lado e terem descontos em mil e uma coisas; é também um dia em que são vistas como um ser especial, diferente. “Coitadinhas ganham menos que os homens, trabalham as mesmas horas, ou mais, e ainda têm de ser boas mães e esposas. ‘Bora lá dar-lhes flores e descontos em malas e sapatos para ver se ficam mais satisfeitas.” Portanto, para muitos, este dia não devia existir porque é só mais uma forma de sublinhar o quão especial a mulher é... mas pela negativa, por isso acham que se não o celebrássemos a luta pela igualdade de género passaria a ser uma coisa banal e não um problema do qual só se fala durante 24h e depois é esquecido. 
Por um lado entendo este ponto de vista, claro. Acho que o Dia da Mulher devia ser usado de outra maneira, devia funcionar como um despertar de consciências e não uma forma de as adormecer ainda mais. Por outro, discordo completamente quando me dizem que ele nem sequer devia existir. Claro que devia existir! Não para recebermos flores à saída do metro; não para termos descontos em roupa; não para serem organizadas corridas só de mulheres, mas para nos lembrarmos – todos!, homens e mulheres - do caminho percorrido, do que já foi conquistado, e para reflectirmos sobre o que ainda falta conquistar. Isto é especialmente importante num país como o nosso, onde a luta pela igualdade de género é uma realidade muito recente. Nos anos 30 a Constituição estabeleceu o princípio da igualdade de todos os cidadãos perante a Lei mas com algumas excepções para a mulher que, devido à sua natureza, era relegada para segundo plano na vida familiar e na própria sociedade. Há quase 50 anos a mulher ainda não podia sair do país sem ter autorização do marido, nem podia tomar contraceptivos se o senhor seu esposo achasse que isso era um grande disparate. Posto isto, é óbvio que este dia deve existir, deve ser celebrado e deve ser um dia de discussão. Ou melhor, deve ser mais um dia de discussão. Porque, de facto, não é só no Dia da Mulher que a igualdade de género deve ser posta em cima da mesa. Esta deveria ser uma preocupação de todos, sempre, até as coisas realmente mudarem. E é precisamente por isso que este dia é importante. Não se falar das coisas nunca foi solução para nada. É bom haver dias destes para nos lembrarmos de quão más as coisas já foram. Acredito que baste isso, essa memória, para evitarmos cometer os erros do passado. E mesmo que hoje em dia ainda não se discuta o suficiente este assunto - embora ache que estamos melhores nesse aspecto - é muito melhor haver um dia por ano em que o tema venha à baila do que não haver dia nenhum. Aliás, até acho isso perigoso. Ao menos esta data obriga-nos a pensar sobre isso. Há que começar por algum lado, certo? Resta esperar que haja um ano em que a discussão comece no dia 8 de Março e se prolongue indefinidamente até as coisas mudarem efectivamente.

 

woman-man-sexism-international-womens-day-ecards-s

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:01

O que ficou dos Oscares

por Marisa Furtado, em 23.02.15

Depois de ver as muitas imagens da passadeira vermelha  houve um e apenas um vestido que me ficou gravado na retina.

 

ce6f5b21_464161068.xxxlarge_2x.jpg

2a2d5cffb100e9086e0f6a706700f256.jpg

 

Adorei a simplicidade do vestido. A cor, o corte, aquela flor ali de lado. É perfeito. Para além de ser lindíssima, a Gwyneth é a classe em pessoa. Adoro-a.

Quem também está de parabéns, não pelo vestido mas pelo Oscar, é a Julianne Moore que ganhou o galardão de Melhor Actriz com o filme Still Alice. Vi-o no passado fim-de-semana e já o recomendei a uma data de pessoas. É um filme bonito, mas triste e duro ao mesmo tempo. E o desempenho dela é absolutamente perfeito. Não há dúvida de que o prémio foi muito bem entregue. Fartei-me de chorar ao longo do filme por isso, se ainda não o viram, preparem os lenços.

 

 

E já que estamos numa de filmes marcantes tenho de mencionar o Whiplash. Era, para mim, o filme mais aguardado do ano e as minhas expectativas não foram defraudadas. Como não sou crítica de cinema não consigo arranjar uma forma mais eloquente de o classificar para além desta: é um filme do caraças! A história é muito boa e os desempenhos... bem digamos que houve várias vezes ao longo dos 107 minutos que tive vontade de agredir aquele malvado professor e de dar uns valentes abanões ao desgraçado do aluno. Estava a torcer para que ganhasse o Oscar de melhor filme, mas não faz mal. Para mim, e apesar de ainda não ter visto o grande vencedor da noite, Birdman, o Whiplash foi, sem dúvida, 'O' filme.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:16

Quando a política e a cultura pop se cruzam

por Marisa Furtado, em 20.02.15

Há uns meses escrevi neste espaço que achava importante, urgente até, que "as discussões de assuntos sérios e que interessam a toda a gente,(...), não se cinjam apenas à política e às pessoas que a fazem. Que não sejam discutidos apenas em assembleias por alguém com pouco carisma e que, por isso mesmo, não consiga chegar às massas. É importante que esses temas extrapolem desses locais cinzentos e empoeirados para a cultura pop e sejam divulgadas por quem a faz." Foi por acreditar mesmo muito nisto que estava cheia de curiosidade por ver a entrevista da Assunção Esteves à Maria Capaz. Queria ver como é que uma pessoa que está na política, e que não tem uma imagem propriamente simpática - infelizmente são poucos os que têm -, 'desceria' até à cultura pop para falar de um assunto tão sério como o papel da mulher na sociedade. Fiquei agradavelmente surpreendida. Tão surpreendida que vi a entrevista duas vezes seguidas. O que vemos aqui é uma mulher igual a tantas outras. Doce, nada austera, leve, divertida e perfeitamente consciente dos mitos que se foram criando em redor da sua imagem. Talvez o maior de todos seja o de que quando fala ninguém a entende - todos nos lembramos do "inconseguimento" e do "nível social frustracional". Pois que aqui acho que todos a entendemos muito bem e conseguimos desenvolver alguma simpatia por ela, ideologias políticas à parte.
Houve três momentos da entrevista que me emocionaram particularmente e que acho que vão ficar a ecoar dentro de mim. O primeiro foi quando falou da não-indiferença inerente à condição feminina. Esta não-indiferença é talvez um dos maiores catalisadores da mudança. O haver algo dentro de nós que nos impele a agir, a não deixar passar algo que sabemos, no nosso íntimo, que tem de ser melhorado, mudado. O segundo momento foi quando falou da urgência da diminuição das horas de trabalho. Achei essa afirmação fantástica! Numa altura em que parece haver um braço de ferro constante entre homens e mulheres, entre chefes e subordinados, para ver quem trabalha mais horas, não quem trabalha melhor, atenção!, mas quem trabalha mais, acho que talvez seja preciso dar um passo atrás e avaliar friamente o que está verdadeiramente em jogo. O terceiro foi o da descrição do olhar apreensivo que a Assunção sentiu por parte de alguns homens no Parlamento Europeu quando se levantou para falar. Algo que, diz ela, nunca tinha sentido em Portugal. Dá que pensar, certo? Pelo menos a mim deu.

 

 

 

Para verem a entrevista completa é só clicar aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:08

O drama. O horror.

por Marisa Furtado, em 19.02.15

Todas as semanas o mundo cibernético cospe um tema que acaba por ser O Tema. Toda a gente fala d'O Tema. Toda a gente se insurge com O Tema. Esta semana O Tema é a Beyoncé. Ou melhor, a Beyoncé sem retoques. Pois que afinal a Beyoncé não tem uma pele imaculadamente perfeita. Tem poros, tem penugens, tem rídulas e tem borbulhinhas. E, pasmem-se, afinal também fica muito pouco favorecida quando lhe é apontada uma luz branca, a la provadores da Zara, para o rosto. No fundo, a Queen B. é igual a qualquer outra mulher que habite neste mundo. Espectacular não é?
Mas ainda há alguém que compre a história de que aquelas mulheres, que aparecem naqueles anúncios de TV ou naqueles outdoors, são mesmo assim? Sabem aquela velha máxima que diz que se uma coisa parece demasiado boa para ser verdade é porque é? Pois, então não se esqueçam. Nenhuma base é suficientemente boa ao ponto de nos deixar com uma cara de boneca de porcelana e não há ninguém, ninguém! que fique bem sob luzes brancas, ou sob zooms que aumentam tudo 24 vezes, ou em fotos tiradas de baixo para cima. Não fico eu, não fica a Maria da contabilidade e não fica a Beyoncé. It's no big deal. É a vida. E o photoshop.


Antes 

53.jpg

 


Depois

video-undefined-25CF793E00000578-0_636x358.jpg

 


Não se martirizem nem se choquem por não conseguirem estar ao nível das imagens hiper-aperfeiçoadas que nos entram todos os dias pelos olhos adentro. Já todas estamos fartinhas de saber que aquilo não é real e que só tem um único objectivo: vender. Somos todas diferentes - felizmente! - e todas temos o nosso encanto natural. Eu, a Maria - a da contabilidade -, a Beyoncé. Estamos todas no mesmo barco. Bom, se calhar a Queen B. está num barco melhorzinho, atracado nas Bahamas, enquanto nós temos de nos contentar com o nosso botezinho a boiar ali no Tejo. Mas no que toca às imperfeições, somos todas iguais. Todas as temos. É urgente conseguir separar o real do irreal, sentirmo-nos bem na nossa própria pele e pararmos com esta obsessão, com esta corrida, pela perfeição. Isso não existe! E acharmos que sim, que conseguimos ter aquela pele perfeita, aquele corpo torneado sem um pingo de gordura, aquele cabelo sempre sedoso e cheio de volume, aquele bronze... bem, isso não só é irreal como é uma canseira. A Beyoncé não é feia, nem nos andou a enganar este tempo todo. É, simplesmente, uma mulher igual a todas nós. Get real.

270213-Beyonce-tumblr-makeup-free-VoS4Mm-lgn.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:24

A ecologia é uma questão de dinheiro?

por Marisa Furtado, em 18.02.15

Quando, na semana passada, ouvi a notícia de que a partir de agora os sacos de plástico que usamos para levar as compras eram pagos passei-me. Depois reflecti um bocadinho, pesei os prós e contras e continuei passada, embora um bocadinho menos. Está certo que levamos muitos sacos de plástico sem necessidade, que na maioria das vezes nem os enchemos como deve ser, que como são à borla levamos uma coisa em cada saco e não pensamos mais nisso, mas... dez cêntimos?! 10?? Não podiam fazer a coisa por menos? Ainda por cima este assunto toca-me especialmente no coração. Tenho um gato em casa e nem imaginam o jeito que os sacos do Jumbo e do Continente me davam para lhe tirar os xixis e os cocós da caixa de areia todas as manhãs. É óbvio que o vou continuar a fazer, até porque assim de repente não me lembro de outra solução, mas em vez de ser com sacos gratuitos vou ter de passar a comprar daqueles mais pequeninos para o lixo. Ou seja, o uso que dou aos sacos vai ser o mesmo e em igual quantidade... mas agora vou pagar por isso. É a vida.
Por mais voltas que dê ao assunto acabo sempre por compará-lo à fantástica lei de não se poder circular em certas zonas de Lisboa com carros anteriores a 2000. Eu até percebo a ideia, é importante haver menos poluição e estarmos todos conscientes do que podemos fazer para controlar isso, mas... não era mais justo que antes de virem mexer na carteira do povinho começassem por cima? Sim, era importante reduzir os níveis de poluição do ar em Lisboa mas antes de desatarem a multar pessoas que têm carros velhos, não porque querem mas porque não têm dinheiro para comprar um mais recente, deviam criar infra-estruturas para facilitar a vida às pessoas. Eu achava fantástico que não houvesse circulação de carros na Avenida da Liberdade desde que se arranjasse uma solução viável para quem opta por entrar em Lisboa de carro, como por exemplo melhorar ou alargar a rede de transportes e criar parques de estacionamento gratuitos. Claro que num mundo perfeito ninguém andaria de carro e usávamos todos os transportes públicos à disposição, mas as coisas não funcionam assim, nem podemos ser fundamentalistas a esse ponto, tenham lá paciência. O mesmo se passa com os sacos de plástico. Não seria mais justo se antes de cobrarem 10 cêntimos às pessoas por cada saco começassem por obrigar as empresas que embalam carne, peixe, fruta e por aí fora a usar outros materiais que não o plástico? Isso actualmente não acontece. Na segunda-feira fui às compras e quase tudo o que levava no carrinho era embalado com recurso a plásticos mas depois quando chegou a minha vez de pagar pimba dá cá 10 cêntimos por cada saco. Claro que fiz o que muita gente faz, comprei um daqueles de ráfia e pus tudo lá dentro, e claro que agora me vou tentar lembrar de andar sempre com um saco desses dentro do carro e, se pensarmos bem, isto, na verdade, não causa transtorno nenhum às pessoas, é só uma questão de hábito, mas isso não invalida tudo o resto. Não invalida eu achar mal que se comece sempre, sempre, sempre por baixo. Não se descobriu ontem que o plástico polui. Não é nenhuma novidade. Há países na Europa que já têm esta lei implementada há mais de 10 anos. O que me parece é que esta medida foi pensada mais para engordar os cofres do Estado e menos para criar uma consciência 'verde' nos portugueses.  
Os impostos aumentaram, o desemprego também e quem tem a sorte de manter o emprego viu o ordenado diminuir. Seria de esperar que o governo - assim mesmo, com letra pequenina - quando decidisse ser verde porque agora está na moda não começasse, por uma vez na vida, pelo povinho.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:09

A arte só é arte se for pretensiosa?

por Marisa Furtado, em 13.02.15

Eu entendo que este desfile da colecção do Kanye West para a Adidas, que fez parte do segundo dia da Fashion Week de Nova Iorque, é suposto ser visto como uma obra de arte, uma coisa out of the box, edgy, percebo a ideia mas é tudo tão lento, tão paradinho e tão, tão, tão pretensioso que me enerva. Cheguei a meio do vídeo a pensar "então mas quando é que isto começa?!" mas só mais para o fim é que percebi que era mesmo só aquilo. Desculpem lá as mentes criativas que adoraram o conceito mas, para mim, isto não foi desfile nenhum, foi apenas uma forma que ele arranjou de fazer um preview do novo trabalho musical no maior palco de todos. O ano passado a Taylor Swift reuniu os fãs em sua casa para um first listening exclusivo do novo álbum e agora o Kanye West opta por fazê-lo num, suposto, desfile de moda. Está bem.

 

 

 

 

rs_560x388-150212173252-1024.Kim-Kardashian-Twitte

 

Só uma nota sobre a Kim K.: adoro o novo corte de cabelo, detesto com todas as minhas forças o outfit.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:53

O que ficou dos Grammy Awards

por Marisa Furtado, em 09.02.15

Estive a ler alguns artigos e a ver uns quantos vídeos no YouTube relativos à cerimónia dos Grammy, que aconteceu na noite passada, e muita coisa há para esmiuçar: as roupas, os vencedores, o Kanye a ser o Kanye quando quase interrompeu o discurso de agradecimento do Beck, as actuações - a da Beyoncé foi, surpreendentemente, aborrecida -, mas no meio de tudo isto há apenas uma coisa que me chamou verdadeiramente a atenção: a actuação do Paul McCartney, da Rihanna e do Kanye West.
Tenho uma relação de amor/ódio com esta FourFiveSeconds, a música que juntou, vá-se lá saber porquê, aqueles três que acabei de mencionar. Bom, se calhar “amor” é demasiado forte. Acho que gosto da música, é assim um som easy listening e não há nada de mal nisso, mas parece demasiado amador e muito one hit wonder, o que é estranho tendo em conta o grupo de pessoas que aqui estão. E isto leva-me ao segundo ponto: sou só eu que acho a junção destes três a coisa mais improvável de sempre? Não me interpretem mal, isso até podia ser uma coisa boa mas acho que, aqui, não é. Qual é ao certo a participação do sir Paul McCartney nesta música? Foi chamado só para tocar guitarra? Parece-me que a ideia era que ele acompanhasse os outros dois nas cantorias mas, na prática, não é isso que acontece. Ele bem mexe os lábios mas a voz quase não se ouve, nem na versão de estúdio nem nesta ao vivo. Ah, e qual é a cena da Rihanna nesta performance? Que trejeitos masculinos são aqueles? E onde é que ela foi buscar a ideia que consegue ser bad ass

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:55

Os 30 são os novos... 60?

por Marisa Furtado, em 15.01.15

No início da semana li um artigo sobre as diferenças entre as mulheres de 20 e as de 30 anos que me deixou boquiaberta. Sabem aquela frase que diz que os 30 são os novos 20? Pois, parece que para quem escreveu aquilo isso é mentira. Os 30 são os novos 60. Segundo o artigo aos 30 muda tudo, desde as mamas ao cabelo, passando pela conta bancária. E muda quase tudo para pior, não é fabuloso? Passamos de Cinderelas a bruxas velhas com pelos a crescer em sítios estranhos. Ainda não entrei nos intas, faço 29 este ano, mas a ideia que tenho da terceira década da vida de uma mulher não tem nada a ver com o pesadelo que nos querem vender aqui. Acho que aos 30 as mulheres ficam, por norma, mais interessantes, mais resolvidas, mais decididas e confiantes. Mas vejamos o que são os 30 para quem escreveu aquele texto:

- Os rituais de beleza mudam. Certo. Já ando a pesquisar quais os melhores séruns e anti-rugas para quando chegar a altura saber o que comprar e não andar às apalpadelas. A teoria de que aos 30 a pele muda é defendida por muitos dermatologistas. Perde elasticidade, brilho e pode ficar mais seca o que propicia o aparecimento das primeiras rugas. Mas dizer que "novas rugas parecem surgir todos os meses" parece-me um exagero. Por isso, sim, é essencial adaptar a rotina de beleza à nova fase da nossa vida mas sem entrar em histerismos.

- O metabolismo fica diferente. Ou seja, fica mais lento. Tenho várias amigas com 30 anos que confirmam isto. Se antes podiam comer tudo sem preocupações e/ou cuidados, aos 30 sentem que o chip mudou. Qualquer coisinha as deixa inchadas e, de repente, a balança passou a marcar mais 2 ou 3kg vindos não se sabe bem de onde. Vestem as mesmas roupas mas ficaram mais pesadas. É estranho. 

- As noitadas já não são o que eram. Também confere. As mesmas amigas que, agora, têm de ter mais cuidado com a alimentação também comentam que não conseguem recuperar tão bem de uma noite de rambóia. Se aos 20 saiam às quintas, sextas e sábados e na semana seguinte estavam frescas que nem uma alface, agora basta excederem-se um bocadinho no sábado à noite para na segunda-feira ainda estarem a recuperar. Life's a bitch.

- A gravidade não perdoa. É aqui que as coisas começam a descambar. "Aos 20, usar um soutien é opcional. Aos 30, a gravidade não concede dias livres." Ora bem, vamos lá ver uma coisa: em que universo é que as mulheres de 20 anos optam por não usar soutien? Não conheço uma única rapariga de 20 anos, uma única, que saia de casa sem soutien. É desconfortável e pouco estético. Quem é que quer andar o dia todo com as amigas a abanar livremente dentro da camisola? E quando estamos de saltos altos? Já imaginaram o espectáculo, qual Pamela Anderson no genérico do Baywatch? E quando temos frio? Há alguém que queira lidar com o embaraço de uma corrente de ar? Não me parece! As mulheres, quanto muito, andam sem soutien em casa. Mas assim que passam a porta o caso muda de figura. E isto é verdade aos 20, aos 30, aos 40 e por aí fora. A não ser que estejamos a falar de hippies. Mas esse é um assunto diferente. Ah, e isto da gravidade não funciona assim. Ora agora tenho 20 anos e estou aqui rijinha que nem um pêro e de repente fiz 30 e já as tenho de ir buscar ao chão. Por favor... 

- As franjas. "Aos 20 andamos de franja porque é giro. Aos 30 andamos de franja para tapar as rugas da testa" que não só aparecem num abrir e fechar de olhos, aparentemente, como parecem crateras, só pode...

- A preguiça. Estas pessoas dizem que aos 30 as mulheres têm companheiros de longa data e ficam umas preguiçosas de primeira apanha que nem a depilação fazem. Portanto, não só estão a assumir que aos 30 anos as mulheres já são todas casadas... há 10! como se estão a borrifar para a imagem e conforto e não se importam de andar com um arbusto a tapar a punani. O marido/companheiro que se aguente à bomboca. Don't think so.

- Os pêlos. Esta é a parte que eu mais gosto. "Aos 20 a pinça está reservada às sobrancelhas. Aos 30, começam a surgir pelos em partes estranhas da cara e, quando damos por nós, estamos a usar a pinça diariamente." Whaaaaaaaaaaaaaaaaat?! Antes de mais quero sugerir-vos uma coisa: larguem as pinças e dirijam-se à Wink mais próxima. É a única técnica de remoção de pêlos que conheço que é rápida e não agride a pele, o que já não acontece com a depilação a cera - o puxão que é dado para arrancar a cera parte a pálpebra e é uma porta aberta para rugas precoces -, já para não falar das profissionais que respeitam o desenho da sobrancelha e não querem fazer dela o que ela não é. Mas voltemos ao que realmente interessa aqui: pêlos em partes estranhas da cara?! Aos 30?! A sério que estão a afirmar uma coisa destas? Quer dizer, não só somos umas desgraçadas de umas gordas preguiçosas como ainda temos de andar a arrancar pêlos do queixo e das orelhas é isso? Só falta a verruga na ponta do nariz para completar o quadro.

- Os cabelos brancos. Aqui afirmam mais ou menos o mesmo que no capítulo das franjas. Aos 20 pintamos o cabelo porque somos umas malucas e aos 30 porque ficamos com o cabelo grisalho. Eu não digo? Parecemos umas bruxas: pêlos em partes estranhas, rugas em tudo quanto é sítio, gordas e cansadas. Lamento mas isto depende só do factor sorte. Tanto nos podem começar a aparecer cabelos brancos aos 25 como aos 45. É genético. Não tem necessariamente a ver com a idade. 

- Os hábitos de limpeza. Acabamos em grande, com a cereja no topo do bolo. Ora vejam bem esta preciosidade, parece poesia, atentem: "Enquanto que, por limitações financeiras, aos 20 temos de aspirar e limpar a casa; aos 30 já temos conquistada a independência financeira e podemos tirar uma parte para a senhora das limpezas, que vai a casa uma vez por semana fazer o trabalho chato." Mas é claro!!! Toda a gente sabe que aos 30 anos toda a mulher que se preze tem, pelo menos, 100 ou 200€ por mês para pagar a uma empregada doméstica! Claro que sim. Especialmente com a economia fantástica que temos actualmente em Portugal. São raríssimas as pessoas desempregadas e ainda mais raras são as que ganham menos de 1500€.
...
Mas estão a brincar comigo? A maior parte das pessoas que conheço, homens ou mulheres, trabalha em regime de contrato a termo e não ganha mais de 800 ou 900€. E não me estou a cingir a jovens de 30 anos - sim, vamo-nos lá deixar de tretas, aos 30 ainda somos todos jovens - falo, infelizmente, de pessoas com mais de 50 anos. Das duas uma, ou quem escreveu isto vê demasiado Sexo e a Cidade, e, portanto, acredita que há quem consiga ter uma vida de luxo apenas por escrever meia dúzia de linhas num jornalzeco - ahahahah - ou vive noutro planeta, onde as mulheres não conseguem viver sem quem lhes vá lá a casa limpar o pó.
Deixem-se de merdas. Peguem no aspirador e no pano do pó e limpem a vossa própria casa. Poupam 100€ para uma viagem no final do ano, ou para um jantar fancy com a cara-metade, ou para aquele casaco que andam a namorar há imenso tempo e ainda abatem aqueles quilos a mais que apareceram como que por magia. Sim, que isto de limpar a casa cansa! Ah, e parem de aterrorizar as mulheres com o estigma da idade. Nós somos fabulosas em qualquer altura da nossa vida. O que conta verdadeiramente é como nos sentimos cá dentro. O resto não passa de um número.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:31


talk to me!

theallengirlblog@gmail.com

Mais sobre mim

foto do autor


no tumblr

Allen girl

no polyvore

my Polyvore

no pintarest

Pinterest



Comentários recentes

  • Sara

    Desculpem mas eu AMEI este champo seco. Comprei em...

  • Carla Marques

    E os comentários dos defensores do piropo no Faceb...

  • isabel

    Quem consegue sair de casa e deixar para trás um r...

  • Marisa Furtado

    Não! Apeteceu-me apenas mudar-lhe o nome e o visua...

  • Pedro Neves

    Por momentos pensei que o blog estaria de saída do...



Pesquisar

  Pesquisar no Blog