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Mudanças report

por Marisa Furtado, em 30.07.15

Em quatro dias já conseguimos embalar, transportar e arrumar na casa nova toda a nossa roupa, decoração, pequenos electrodomésticos, o recheio da dispensa e alguma loiça. Queremos que os senhores das mudanças só nos levem mesmo a mobília e uma ou outra caixa que seja mesmo muito pesada para nós ou que não nos caiba no carro durante este processo – que serão certamente as do resto da loiça e dos livros. Não só lhes reduz substancialmente o tempo da mudança como para nós é muito mais fácil só termos de arrumar livros e pratos na casa nova assim que a mudança estiver concluída, em vez de darmos por nós e termos tudo de pantanas. Tem-nos saído do pêlo! Actualmente moramos num 3.º andar sem elevador que sempre me custou horrores a subir mas agora, que tenho de subir e descer aquelas malditas escadas com caixas pesadíssimas nos braços vezes sem conta, estou-lhes a desenvolver o ódio nada saudável. É uma alegria sempre que chego à nova morada e só ter de depositar as coisas no elevador!
Apesar de estes dias estarem a ser muito cansativos sabe-nos bem começar a ver a casa nova a ganhar vida com as nossas coisinhas. É uma sensação muito boa. Quem está a adorar tudo isto é o senhor Kubrick, que agora tem todo um mundo de caixas e caixinhas onde se pode esconder e esticar o seu lombinho de 5kg.

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Mal sabe ele o que o espera...

 

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publicado às 10:38

Mudanças

por Marisa Furtado, em 28.07.15

Qual é aquela coisa que ninguém quer fazer no dia em que as férias terminam? Podia ser desfazer a mala que, de facto, é uma chatice e nunca apetece, mas não, não é isso, estou mesmo a referir-me a preparar uma mudança de casa. Este ano foi o que nos calhou na rifa. Depois de muito matutar, quase até à exaustão – mesmo!... – decidimos avançar com a mudança. A área do novo apartamento é um bocadinho menor que a que temos agora mas para morar em Lisboa, pertinho de tudo e, consequentemente, melhorar a nossa qualidade de vida – adeus trânsito e gastos parvos em gasolina -, há que fazer alguns sacrifícios e a área útil numa casa é, sem dúvida, uma delas. A não ser, claro, que sejamos ricos, aí o céu é o limite – eu contentava-me com uma penthouse no Chiado. Assim que entrámos em casa, depois de uns retemperadores 15 dias de praia, desfizemos as malas de viagem e começámos imediatamente a encaixotar a nossa vida de dois anos e meio nestes 90m2. Cheguei ao final do dia tão estoirada que quase não conseguia falar. E só enchemos umas seis caixas. Ou seja, ainda falta TUDO! Felizmente tivemos a presença de espírito de contratar uma empresa que nos vai tratar da mudança dos móveis, o que já é um descanso.
O grande defeito que achei que a casa nova tinha era o facto de não ter dispensa nem varanda/marquise onde se pudessem guardar coisas, mas depois entrei em minha casa, vi a quantidade de tralha que tenho guardada nesses dois espaços e agradeci a Deus ter-me levado para um sítio onde vou ser obrigada a ter um estilo de vida mais minimalista. A sério, quem é que precisa de 50 sacos de plástico e papel? O que é que eu acho que me vai acontecer na vida para precisar de armazenar tanto saco? E as caixas acumuladas das coisas que fomos comprando?  Ele é a caixa do secador, da máquina do café, da liquidificadora, do aquecedor ranhoso que deve ter custado uns 10€ - mas que me dá um jeitão no inverno para aquecer a casa de banho! -, da varinha mágica, do fervedor… ufa! “Guardamos a caixa durante 2 meses, não vá haver algum problema com o aparelho, mas depois vai fora.” Vai, vai. A minha vontade é entrar ali, fechar os olhos e mandar tudo para o lixo, assim indiscriminadamente, mas, infelizmente, vou ter de passar por um longo e penoso processo de selecção, não vá haver ali alguma coisa que faça, realmente, falta.
No meio disto tudo percebi que uma das coisas boas de se ter os pais a viver num raio de 20km é podermos distribuir a tralha que não conseguimos pôr na casa nova pelas casas deles. Por exemplo, sempre que entro na marquise o que me salta logo à vista é a enorme bola de Pilates que resolvi ir buscar a casa dos meus pais num dia em que, provavelmente, me estava a sentir muito virada para a actividade física – go figure… Erro. Trouxe-a, enchi-a e guardei-a ali. Vai, obviamente, regressar às origens, que na casa nova não há espaço para devaneios parvos deste género. Na casa antiga temos três varandas com janelões enormes mas na casa nova isso não existe, logo, vão sobrar cortinados. Solução: vão dobradinhos para a casa dos sogros que era só o que faltava agora pôr cortinados no lixo. Coincidência das coincidências, os nossos pais vão de férias na altura das mudanças o que pode significar que, quando regressarem, tenham uma decoração nova lá por casa (inserir riso maquiavélico).
Nos próximos dias a minha vida vai ser isto: trabalhar durante o dia, encaixotar coisas à noite e ir levando o que conseguirmos para a casa nova ao final do dia de forma a que, no fim de semana, quando chegarem os senhores das mudanças, já estar tudo organizadinho e só ser preciso levar. Quando tomámos esta decisão pensei que mal começássemos as mudanças ia começar a chorar copiosamente com pena de deixar a casa, tão bonitinha, onde fomos tão felizes nos últimos dois anos e meio, mas já tirámos todos os cortinados das janelas, molduras das paredes e encaixotámos roupas e coisas de cozinha e, até agora, mantive-me firme como uma rocha. So far so good.

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publicado às 10:35

Ter um gato também é isto #8

por Marisa Furtado, em 21.07.15

Assim que o Kubrick veio fazer parte da família a primeira regra que lhe impus foi nunca passar as noites no nosso quarto. Tinha o resto da casa por conta dele mas o quarto dos donos estava interdito. Sempre resultou, nunca nos arranhou a porta a meio da noite para entrar, de vez em quando vai lá miar à porta às 8h da manhã aos fins-de-semana mas depressa se cala.
Actualmente estamos de férias num T1 que ele já conhece, é o terceiro ano que o trazemos para cá, e, até agora, a regra das noites sempre se tinha aplicado também aqui sem stress. Só que este ano baixou nele um espírito do demónio e a coisa já não está a correr tão bem. Na primeira noite fechámos a porta do quarto e ele ficou com o resto da casa para ele. Passadas três horas desatou a arranhar a porta do nosso quarto de tal maneira que parecia que do outro lado estaria um touro. Mas não, continuava a ser o nosso gato de 5kg. Levantei-me - sim, porque o meu homem NUNCA ouve nada. Dá imenso jeito... - e fui fechá-lo na sala/kitchenet para não o ouvir. Pensava eu. Aguentou-se até às 6h da manhã, hora em que começou a dar à pata novamente e em que eu o deixei entrar no quarto e passar as restantes horas da manhã ali connosco. Ora isto foi assim durante toooooda a primeira semana de férias, com a agravante que à medida que os dias passavam mais vezes por noite tinha de me levantar para o mandar calar. Assim que abria a porta do quarto lá estava ele, do outro lado da porta da sala, com o olhar mais triste do mundo tipo gato das botas do Shrek. Não é que tal coisa me comova, que eu às 3h30 da manhã quero é dormir descansada, não quero cá saber de gatinhos manipuladores.

 

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Ao fim de uma semana achei que estar a acordar três vezes por noite nas minhas férias! já era demais e cedi. Pronto. Sou uma fraca. Esta última semana que cá vamos estar o Kubrick vai dormir connosco. Já é a segunda noite e, de facto, é um descanso. Está a noite toda a dormir connosco, não faz barulhos, não desata a fazer sprints pela casa de madrugada... problema: dorme aos meus pés, umas vezes encolhido, outras todo esticado como se isto fosse tudo dele. Portanto quando me quero esticar dou com os pés nesta massa peluda que não se mexe nem por nada e pronto, lá desperto eu outra vez porque quero mudar de posição e não consigo. Aaah, como é bom dormir com animais no quarto!... Claro que o meu homem dorme a noite toda como um pequeno querubim. Nada o incomoda, graças a Deus. Como dorme todo esticado a ocupar todo o espaço livre que encontra o gato não consegue estar ao pé dele. Já eu que durmo em posição fetal sou uma óptima candidata a parceira de cama de um felídeo. Raisparta.
Resta-me esperar que não se habitue a esta nova vida e que quando regressarmos a nossa casa, onde ele vai reaver o sítio favorito para bater as suas sestas, aka, o cadeirão da sala, tudo volte ao normal. 

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publicado às 10:42

Coitadinha, é tão branquinha...

por Marisa Furtado, em 17.07.15

Há duas coisas que as pessoas se acham sempre no direito de fazer e que a mim me causam uma certa confusão. A primeira é acharem que por estarem a conversar com uma mulher grávida estão no direito de lhe acariciar a barriga, seja a grávida sua filha ou uma estranha com quem se cruzaram no supermercado. Se está grávida, se tem um barrigão, então está subentendido que qualquer pessoa, a qualquer altura, lhe pode tocar na barriga. Se não estivesse grávida era só muito estranho, mas como está grávida já não faz mal. A segunda é acharem que podem fazer comentários sobre o tom de pele das outras pessoas durante toooodo o Verão, especialmente das branquinhas, como eu. Sobre este segundo flagelo já falei aqui, mas é uma coisa tão actual que nunca é demais regressar ao tema. 
Ontem à noite quando estávamos a pagar a conta do jantar uma das empregadas virou-se para mim e soltou um: "Esta menina ainda está muito branquinha!", com um sorriso maroto. Mas... que raio de comentário, completamente gratuito, é este? E qual é a razão do "ainda"? Isto é alguma competição? Será que estava a decorrer o concurso Miss Bronze '15 e eu não reparei? E será que a senhora fazia parte do júri? Tive de fazer o meu melhor sorriso e explicar, com calma, apesar de já não poder com estas observações, que estou e estarei sempre porque é essa a minha cor. Tenho uma tez clara. Simples. "Ah, pois, então tem de ter cuidado com o sol! Tem estado muito forte." Sim, obrigada, eu sei. Não acordei ontem com uma pele clarinha, toda a minha vida soube que tinha de ter particular cuidado com o sol. 
Este ano tem sido particularmente fértil neste tipo de observações. Um dia antes de vir de férias uma pessoa extremamente inconveniente com quem só tinha estado duas vezes disse: "Ai vai de férias! Está mesmo a precisar que está muito branca!" e diz isto com um tom como se estivesse a falar com alguém com lepra! Voltei a explicar que por muitas férias que tirasse nunca ia ficar escura, como ela, por exemplo, que tinha a pele toda queimada do sol. "Ah estou a ver. Deve ser como a minha filha que tem de se besuntar com factor 50, senão fica que parece uma lagosta." e isto leva-nos a outro ponto: sempre que digo que não me bronzeio muito há sempre uma alminha que faz um olhar de pena e lamenta: "Pois... primeiro ficas toda vermelha e só depois é que passa a bronze não é?". Huumm... não?! Fico vermelha se não tiver cuidado e ficar horas a torrar ao sol. Aí sim, fico vermelha, como, acho eu, qualquer pessoa. Ou o pessoal naturalmente mais moreno é imune aos escaldões? Não me parece. Se usar os protectores adequados ao meu tipo de pele e se me proteger nas horas de maior calor, mesmo estando na praia, vou-me bronzeando gradualmente. E não, não fico vermelha. Sei que pode ser um choque para muita gente, mas vou ganhando um tom douradinho, ainda que para muitos um bronzeado como deve ser só conte a partir do momento em que alguém se pareça com uma tablete de chocolate negro com 70% de cacau. 
Pessoas, façam a vossa cena, sejam conscientes e protejam-se do sol, não queiram ganhar bronze à pressa que isso, mais tarde, paga-se e deixem as outras pessoas em paz. Nós, as branquinhas, dispensamos os vossos comentários patetas. Ser mais clarinha que a grande maioria dos portugueses não é crime nem doença ok? E, ao contrário do que possam pensar, isto não é nenhum concurso para ver quem chega ao fim do Verão mais escuro. Relaxem.

Boas férias.

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publicado às 10:28

Fériaaas!

por Marisa Furtado, em 13.07.15

Ainda ontem estava regressar de Nova Iorque e já estou de férias outra vez. Há vidas piores.

 

Este ano tínhamos pensado tirar uns dias lá mais para o fim de Agosto/início de Setembro mas a verdade é que depois de uma semana em viagem a andar, andar, andar, estávamos mesmo a precisar de férias a sério, daquelas para não fazer nada. NA-DA. Senti-me brutalmente cansada e sem energia neste mês e pouco que se seguiu à semana em NYC, por isso os planos para estes 15 dias vão variar entre dormir, alapar o rabo na toalha e absorver toda a vitamina D que conseguir – sempre barrada com não menos que SPF 50 – e deliciar-me com as iguarias do costume: bolas de Berlim sem creme, venham elas!, peixe grelhado acabadinho de pescar – amoooo aqueles restaurantes dos pescadores montados no areal -, tupperwares cheios de melancia e melão, bolacha americana e gelados. O que é que uma pessoa pode pedir mais?

Geralmente a ideia de duas semanas de praia parece-me muito boa antes de ir mas ao fim do quarto dia começo a ficar com bicho carpinteiro e a precisar de fazer algo mais para além de estar esticada ao sol. É a pensar nisto que todos os anos guardamos tempo para passear e visitar as capelinhas de sempre: Cacela Velha, Ayamonte, Tavira, Vila Real de Sto. António. Tudo com muita calma e bem diluído ao longo dos 15 dias. 

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O meu Kubrick com o ar mais chateado do mundo dentro da transportadora, já no carro. Miou o miar mais sofredor que conseguiu e depois resignou-se e adormeceu.  

 

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Tralha do primeiro dia de praia.

Óculos - Stradivarius (saldos)

Saco - Stradivarius (saldos)

Chapéu - Primark

Protectores - Nívea para o corpo, La Roche-Posay para o rosto e o spray Solar Defense da L'oreal para o cabelo

O livro da Paula Hawkins é viciante! Recomendo.

 

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O meu primeiro pôr-do-sol na praia do ano. @Monte Gordo

 

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publicado às 11:14

A nova lei do álcool

por Marisa Furtado, em 01.07.15

Entra hoje em vigor a nova lei do álcool, o que significa que os menores de 18 anos estão proibidos de consumir bebidas alcoólicas em espaços públicos. Tenho uma opinião pouco popular em relação a esta lei porque, ao contrário da grande maioria das pessoas, concordo com ela. Acho que o álcool não faz falta a ninguém e que não é nenhum drama esperar até aos 18 anos para se poder beber uma cerveja. Mas onde me quero focar hoje não é na lei per se mas nas reacções que ela provocou. De repente toda a gente se insurgiu contra a nova lei do álcool com tamanho histerismo que parecia que se lhes estava a tirar um bem essencial. E o mais curioso é que grande parte destas reacções não partiram dos tais jovens que a partir de hoje não podem beber uma cerveja – bummer… - mas de adultos, provavelmente pais de miúdos com 15, 16, 17 anos. Que é ridículo, que isto não lembra a ninguém, que era só o que faltava, que é uma injustiça. Mas agora fiquei confusa... estão-lhes a negar o acesso a um copo de whisky ou a um copo de água? É que se for a segunda hipótese acho bem que fiquemos todos assim indignados. Um copo de água não se nega a ninguém! Ah, mas esperem… estamos mesmo a falar de whisky, cerveja, vodka e afins não é? Pois. Então para quê tanto histerismo? Ninguém lhes está a negar bebidas espirituosas para o resto da vida. É só até aos 18, calma. Acham que conseguem aguentar a pressão? Acho impressionante que uma alteração deste género cause tanta celeuma, mas notícias como aquela dos estudantes mortos no Quénia passe em branco e ninguém levante sequer um dedo para se insurgir com isso. Foram duas notícias que vieram a público no mesmo mês, em Abril, e a discrepância de reacções, ou a ausência delas no segundo caso, dá cabo de mim. Se calhar estamos a ficar histéricos com coisas erradas, não?
O que também me mata são os argumentos usados para provar o quão ridícula é esta lei. O mais recorrente é o argumento do casamento: “Se aos 16 anos uma pessoa se pode, por lei, casar, porque é que não há-de poder beber uma cerveja?”. Ora vamos lá ver uma coisa. Sim, ok, a lei diz que aos 16 anos já nos podemos casar. Mas a questão é: será que nos devemos casar aos 16 anos? Hum? Acham que é uma decisão prudente? Acham que é uma coisa que vai correr bem, quando pensam nela assim a longo prazo? Se a vossa filha chegar a casa hoje à noite com um anel pechisbeque no dedo a anunciar aos sete ventos que se vai casar com o Rodrigo do 11.ºE o que é que fazem? Dão-lhe os parabéns e começam a tratar dos convites? Ou passam-se da marmita e põem-na de castigo até fazer 18 anos? Se realmente quiserem discutir o assunto como pessoas adultas podem pegar em argumentos sérios como, por exemplo, esta lei poder levar os jovens a beber em casa e a saírem já bêbados por saberem que se lhes vai ser negado álcool no bar ou na discoteca para onde vão. Isto, a acontecer, é, de facto, um problema. Provavelmente deveria haver uma maior sensibilização dos encarregados de educação para se prevenir este tipo de comportamentos. Já se sabe que os miúdos são muito sensíveis ao peer pressure, que “se vai toda a gente para casa do Manel beber jolas antes de irem para o Urban então eu também vou para não ser gozado pelos outros”. Estas parvoíces fazem parte da idade mas cabe, também, aos pais ajudarem a construir a confiança dos adolescentes imberbes que têm em casa em vez de se demitirem dessa função. Se acham que o assunto é sério e deve ser discutido discutam-no, também, com seriedade. O argumento de se poder casar aos 16 é, no mínimo, ridículo. Contam-se pelos dedos de uma mão, e se calhar nem isso, as pessoas que dizem o sim com essa idade. Às vezes nem com 30, quanto mais com 16. Para além disso, tenho sérias duvidas que se essa lei também fosse alterada para "casamento só depois dos 18", que as mesmas pessoas que a usam como argumento para defender a lei do álcool se indignassem com isso.
Mas também podemos fazer o exercício contrário. Por exemplo, o poder de voto, um dos mais importantes direitos, e deveres, que temos enquanto cidadãos numa sociedade democrática. A lei diz que só se pode votar a partir dos 18 anos. Porquê? Porque, provavelmente, já temos uma maturidade diferente e uma capacidade de decisão maior e mais afinada do quando tínhamos 15 ou 16 anos. Nessas idades a nossa maturidade e personalidade ainda estão em formação. É provável que um jovem com 18 anos se sinta mais seguro de si para não se deixar levar pela vida loca do Bairro Alto e ficar estendido no chão a um canto a vomitar, do que um com 16. Há excepções claro, não nos tornamos pessoas altamente iluminadas aos 18. Na verdade, se analisarmos bem a coisa, continuamos tão estúpidos como quando tínhamos 17, mas acho que as leis devem ser coerentes. Se aos 18 é a idade em que se atribui a responsabilidade de, em conjunto com os restantes cidadãos, ajudar a decidir o futuro de um país, então também deve ser nessa idade que se lhes deve ser dada a responsabilidade de poderem beber álcool, se assim o entenderem. É claro que a lei tem falhas e que, provavelmente, não vai ser possível aplicá-la como deve ser mas isso não deve ser motivo de chacota por parte das pessoas que não concordam com ela. O que, para mim, é motivo de chacota é ver tanta indignação por uma coisa que, a meu ver, não é assim tão fracturante. Há tanta coisa a acontecer à nossa volta com que nos devemos indignar e escolhemos direccionar a nossa frustração para uma lei que proíbe jovens com 16 de beber álcool. A sério? Queremos mesmo ser essas pessoas? Pessoas a morrer em África? Who cares?! Vamos mas é protestar muito e ruidosamente contra o facto dos nossos adolescentes não se poderem embebedar no Lux.

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publicado às 10:14


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