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A minha admiração por Saramago começou tarde. Não foi no secundário quando, em vez de lermos o Memorial do Convento, por opção da professora lemos Os Maias. E também não foi na faculdade quando li, por imposição da professora de Literatura Portuguesa e a custo, a História do Cerco de Lisboa e A Jangada de Pedra. Não, não foi durante o meu percurso académico que comecei a ler Saramago com outros olhos, foi em 2009 quando trabalhava no jornal 24Horas. Como escrevia para a secção do social, onde o foco estava na vida dos famosos, quando me calhavam trabalhos mais virados para a cultura batia palminhas de contente. Era aí que me sentia à vontade e com mais motivação para trabalhar. Um desses trabalhos excepcionais foi fazer a cobertura da apresentação de Caim, na Culturgest. Fui para o trabalho entusiasmada por ir ouvir falar, ali a cores e ao vivo, a pessoa que me fez suar as estopinhas na faculdade mas ia também com um preconceito: pensei que ia ter à minha frente um homem rabugento e um bocadinho entediante. O trauma causado por aqueles dois livros toldava-me o discernimento. Rapidamente esta ideia caiu por terra. "Não procurem os hematomas. Tenho a pele bastante dura.", foram as primeiras palavras que disse, referindo-se a toda a polémica que rodeava o mais recente romance que tinha chegado às livrarias 10 dias antes. Afinal, aquele homem de frágil aparência era divertido, brutalmente honesto e mordaz. Estava conquistada. Vim a saber mais tarde, quando fui à procura de entrevistas antigas e quando vi o documentário José e Pilar, que sempre tinha sido assim, eu, por ignorância e desinteresse parvo, é que não sabia. Desse dia da Culturgest trouxe uma gigante admiração por aquele homem - que me deixou chateada comigo própria por só a ter ganho naquele momento - e o livro, que li em menos de uma semana. Se alguém me dissesse que um dia ia ler um livro do Saramago em 4 dias tinha-me atirado para o chão a rir. Naquele fim de tarde, Saramago disse que Caim era do melhor que já tinha escrito. Não sei se foi, mas fico feliz por o primeiro livro dele que li com gosto ter sido um dos que ele tinha em melhor conta. 


Foi no seguimento de tudo isto que no passado fim-de-semana fui, finalmente, visitar a Fundação José Saramago. Já o queria ter feito muito antes mas os horários antigos não me permitiram. Gostei do espaço, simples e intuitivo. Gostei de ver as estruturas originais do piso térreo d'A Casa dos Bicos que, apesar de não ser visitável, pode ser observado. Gostei das paredes forradas de livros. Livros dele. Livros traduzidos por ele. Livros sobre ele. Consegue-se ter uma clara dimensão do trabalho de Saramago. Sou uma pessoa de quotes, de punch lines, o nome deste blog, aliás, é prova disso. Por isso gostei de ler as frases emblemáticas ditas ou escritas por ele. Nas escadas que dão acesso ao 1.º piso, nos recortes de jornais onde deu entrevistas, nos trechos de audiovisual que nos acompanham ao longo de toda a visita. A voz e as ideias de Saramago estão sempre presentes. Estão sempre a ser ouvidas. Gostei disso.


 


 












Livros traduzidos por José Saramago e algumas obras de sua autoria








Registo autobiográfico


















Dedicatória inscrita no livro A Viagem do Elefante, aqui na edição espanhola.








Merchandising. Chávena de café com uma citação dos Cadernos de Lanzarote



Parece que este fim-de-semana vai estar frio e chuvoso, nada convidativo a grandes passeios mas, em vez de ficarem fechados em casa ou de se enfiarem em centros comerciais, porque não aproveitam para conhecer este espaço? Vão certamente aprender alguma coisa e, espero, sair de lá com vontade ou curiosidade de ler qualquer coisa de José Saramago.
A Fundação está aberta de segunda a sábado até às 18h e o bilhete custa apenas 3€. 







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publicado às 10:14



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