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O poder do dinheiro

por Marisa Furtado, em 26.05.14

Ontem, por causa das eleições europeias, o The Voice, o meu programa de domingo à noite, não deu, por isso arrisquei o zapping pela SIC e a TVI e, meu Deus... abençoada tv por cabo. Como é má a televisão portuguesa! Nada que já não soubesse, mas parece que cada vez está pior. Acho muito bem que a RTP tenha abdicado do The Voice para fazer a cobertura das eleições, é serviço público e um assunto importante que merece tempo de antena, o que não achei nada normal foi a SIC ter interrompido a emissão noticiosa às 21h45 - 15 minutos antes dos resultados das eleições - para estrear um novo reality show que é só a coisa mais repugnante que vi em horário nobre. Uns dias antes vi uma publicidade ao programa e achei que fosse uma coisa má, sempre, mas um bocadito mais inteligente. Tipo, 10 casais fechados numa casa sujeitos às mais variadas pressões psicológicas para ver quem quebra primeiro. Mas não. São 10 casais que têm de se sujeitar a provas degradantes para provarem o amor uns pelos outros, como por exemplo estarem fechados numa redoma cheia de baratas ou andarem a chafurdar no meio de estrume à procura de malas. Só vi estas duas actividades e aquilo que senti foi muita, muita vergonha alheia. Não se iludam, isso não é o poder do amor é, sim, o poder da estupidez aliada ao poder do dinheiro. Uma das coisas mais ridículas que ali vi - para além da Cátia da Casa dos Segredos, de vestido, a roçar-se toda no estrume, com aquilo a entrar-lhe por todos os lados - foi a Cláudia Jacques apostar que o marido, vegetariano, ia conseguir comer testículos de boi e olhos de porco porque a amava muito. A sério Cláudia? É assim que se vê que a pessoa com quem estamos gosta muito de nós? Por pôr de lado as práticas alimentares que ele escolheu só porque tu apostaste 8 mil euros em como ele o faria? Isso a mim só me parece estúpido. Eu era incapaz de me enfiar numa redoma cheia de baratas para provar o amor que sinto pelo meu homem. E não é por não gostar dele! É só mesmo porque isso é humilhante e há mil e uma maneiras mais sinceras e menos traumáticas de mostrarmos o nosso amor por alguém. Enfim, depois de tanta parvoíce na SIC mudei para a TVI, na esperança de encontrar uma coisinha melhor mas não tive sorte. O que vi foi o José Carlos Pereira a mostrar a barriga agarrado ao Pedro Teixeira - que é um apresentador fraquinho, fraquinho e que está sempre com um ar confuso - enquanto gritavam um ao outro: "estás todo seco, mano!".


...


Pois, se isto já foi estranho o que se seguiu foi ainda mais: o José Carlos Pereira a cantar terrivelmente uma música do Michael Bublé enquanto os jurados, meio constrangidos, iam votando "sim". Até o desgraçado do Pedro Ribeiro, que parecia estar à procura de um buraco para se esconder, foi quase obrigado pelos colegas a votar a favor, porque parecia mal dizer a uma pessoa famosa que canta mal e que se devia dedicar à pesca. Só duas perguntinhas rápidas: porque é que o José Carlos Pereira, que é actor, foi ali cantar e sujeitar-se à votação do júri que, toda a gente percebeu, só votou a favor por obrigação, e, mais importante, o que é que o Pedro Ribeiro está ali a fazer?!?! Estava tão, mas tão melhor no The Voice que é um programa muito mais dignificante que este. Na ânsia de fazerem um programa muito moderno e com tecnologia de ponta acabaram por transformar o Rising Star numa coisa que parece feita por alguém numa trip de ácidos: a música de fundo está sempre altíssima, há luzes e écrans gigantes por todo o lado, os apresentadores estão sempre aos berros, o Pedro Teixeira parece-se cada vez mais com um porteiro de discoteca e, já agora, qual é a cena com a roupa justa?! Não têm calças e camisas para o tamanho do rapaz? Ah, e não sei se já tinha perguntado mas… o que é que o Pedro Ribeiro está ali a fazer?!? De certeza que estas pessoas só ali estão porque lhes pagam muito bem, tal como os outros do Poder do Amor. Só é pena investirem tanto dinheiro em programas muito, muito maus que, acredito, só provocam vergonha alheia em quem os vê, em vez de fazerem de facto coisas como deve ser. Basta porem os olhos no The Voice da RTP para perceberem como se consegue fazer um programa de qualidade sem envergonhar ninguém. Nem os concorrentes, nem o espectador.

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publicado às 11:16



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