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Como não pedir a vossa cara-metade em casamento

por Marisa Furtado, em 09.12.14

Há nesta vida duas coisas que me horrorizam: lamechices, daquelas que ninguém aguenta e nos fazem encolher de vergonha alheia, e pedidos de casamento em público. Pior só estas duas coisas juntas e olhem que não é difícil. Nunca fui pedida em casamento mas gostava que tal acontecesse porém, ao contrário da maioria das mulheres, nunca imaginei como gostava que fosse o momento mas sim como não gostava que a coisa se desse. Typical me, sempre a pensar no pior. Na lista de dont's estão coisas como anéis dentro de bebidas ou sobremesas; partidas de mau gosto, como fingir que se está a acabar a relação só para enervar a outra pessoa e depois terminar com um "ah estava a brincar. Queres casar comigo?!"; fazê-lo no dia dos namorados - piroooooooooso - ou quando a mulher está no sofá, de pijama, com uma máscara de argila na cara, e, claro, em público, e aqui a lista é infindável: com flashmobs, num restaurante, no trabalho, num estádio de futebol - que falta de originalidade... -, no palco de um concerto, em directo para um qualquer programa de televisão, no centro comercial, etc, etc, etc. Basicamente tudo o que meta pessoas que não deveriam fazer parte daquele momento. Até pedidos em frente à família são um big don't.

Um pedido de casamento é uma coisa muito pessoal que deve ser vivida apenas por aquelas duas pessoas de forma intimista, sem público a assistir. Depois sim, vamos a correr contar a toda a gente que importa. Mas isso é depois. Nunca durante. E muito menos com estranhos, pessoas que nunca mais vamos ver na vida, ali a assistir e a tirar fotografias ou a filmar e a soltar uns "oooh" emocionados. Que palhaçada. E agora podem estar a questionar-se: "Mas assim o que nos resta? Sermos pedidas em casamento no conforto do lar?". Bom, essa é sempre uma opção, e se a coisa for bem feita até pode ser romântica e especial, basta ser original e puxar um bocadinho pela cabeça, mas há mais: numa suite de um hotel com uma vista bonita, durante uma viagem, no local onde se conheceram ou onde deram o primeiro beijo - se tiver sido no carro, quais adolescentes desesperados, é melhor passarem à frente -, bolas até é possível fazê-lo dentro de um closet vazio. Basta pensarem na vossa relação, naquilo que é importante ou marcante para os dois, e facilmente encontrarão a forma memorável de fazer o pedido. Já este feito no aeroporto de Lisboa há uns dias foi tão mauzinho que chegou a ser penoso de ver. Houve várias coisas que me impressionaram: o porquê de em Dezembro e numa das semanas mais frias do ano ela estar vestida como se estivéssemos em pleno Agosto; aquele poema com rimas de 4.ª classe ao som de um órgão e, o pior, a reacção do noivo, que é bem capaz de ter sido a menos entusiasta da história dos pedidos de casamento. Vão lá ver o vídeo, vão lá que eu espero.
Então, já foram? Sim? Agora digam-me lá se aquela reacção é normal. Ali especado, de mãos nos bolsos, muito quieto e quase sem pestanejar. É de mim ou ele estava com cara de quem chegou a casa, sentou a mulher numa cadeirinha, afastou-se dois passos e disse, por fim, "num bai dar"? Esse é outro inconveniente dos pedidos de casamento em público. E se a pessoa quiser dizer que não como é que faz? Diz logo ali no momento e faz com que a cara-metade passe a vergonha da vida dela? Ou espera até chegarem a casa para lhe partir o coração em mil bocadinhos e destruir-lhe todos os planos que ela foi fazendo no caminho para casa? Não. Definitivamente os pedidos de casamento em público têm tudo para correr mal.

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publicado às 11:07


10 comentários

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De Laissez Faire a 09.12.2014 às 12:43

essas lamechices dão-me vontade de bolsar...
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De Pimenta na Língua a 09.12.2014 às 19:20

Estou como tu, não acho graça nenhuma a estes pedidos de casamento.
Mas em relação a este, o homem com aquela atitude, nem deve ter dado tempo de chegar a casa para acabar com aquilo. Deve ter sido logo ao entrar para o carro. Quem é que ouve um poema tão profundo (ahah) de mãos nos bolsos?
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De Dona Pavlova a 10.12.2014 às 09:41

Não simpatizo nada com estas demonstrações em público, sou reservada e prefiro que se façam no privado...
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De Teresa Serrano a 10.12.2014 às 10:55

Estes pedidos de casamento públicos são uma moda como quando o Ikea abriu e toda a gente tinha de trazer nem que fosse uma vela de lá. Concordo plenamente na privacidade que o momento requer, aliás o meu foi em nossa casa, com um jantar feito por ele e um anel no bolso - zero originalidade mas 100% nosso.
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De r i t i n h a a 10.12.2014 às 13:33

Marisa, adorei o post e revejo-me nas tuas palavras.
No entanto, se o casal se conhecer minimamente ao ponto de achar que a outra pessoa vai adorar um pedido de casamento em público, acho que não vai correr mal. Nitidamente que não foi o que aconteceu no vídeo... Tive mesmo pena do rapaz...

No meu caso fui eu que pedi o meu namorado em casamento, mas como sabia que ele fica logo envergonhado não o fiz em público, mas sim no nosso restaurante favorito e quase vazio. Ninguém se apercebeu, o que foi perfeito :)

Ah, e estamos casados há 3 semaninhas, hehehe =)
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De Justiceiro a 10.12.2014 às 15:22

Totalmente de acordo quanto às manifestações em público, mas mulher que não goste de uma lamechice poderosa em privado, não merece ser feliz!!
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De Fernando Costa a 10.12.2014 às 18:33

Como não pedirem está um pouco errado, não? Sugiro que substituam por qualquer coisa como "Como não pedir a vossa cara-metade em casamento"
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De Inês a 10.12.2014 às 23:49

Não sou a favor de pedido públicos! xD Até porque os que mais tÊm necessidade de fazer isso são os que são mais inseguros a meu ver. Eu rejeitaria se me pedissem em casamento em público xD
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De O encarregado a 11.12.2014 às 10:02

Pedidos de casamento em público? A culpa é de hollywood...
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De Isabel a 22.01.2015 às 16:35

O principal motivo desses pedidos públicos, a meu ver, está no último parágrafo.
A parte que faz o pedido receia a rejeição e pensa que a outra, pressionada pelas pessoas que assistem espectantes por estarem a presenciar um momento que só pode ser de felicidade extrema, não terá coragem para dizer que não. São pedidos manipuladores.

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