Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Socorro, estou a afogar-me em produtos capilares

por Marisa Furtado, em 28.01.15

Nos últimos meses encetei, inconscientemente, uma colecção monstruosa de produtos para o cabelo. Mais propriamente de shampoos. Não sei o que me deu mas, de repente, o cestinho que tenho dentro da banheira passou a ter 4 frascos de shampoo, todos eles diferentes. Shampoo para cabelos pintados, shampoo para dar volume, shampoo para cabelos loiros, shampoo purificante que limpa em profundidade e, como se não bastasse, ontem ainda fui comprar mais dois. Uma nova embalagem para cabelos pintados e, já que estava com a mão na massa, trouxe também um para fortalecer os fios de cabelo só porque na altura me pareceu uma boa ideia.
Ora bem. Fazendo uma análise rápida e fria da situação a conclusão até é bastante simples. Para além de não gostar de usar o mesmo shampoo durante meses, porque sei que as necessidades do cabelo não são sempre as mesmas e porque gosto de experimentar produtos novos, sou uma pessoa que muito, muito antes de um determinado produto terminar, vá quando ultrapassa ali o meio da garrafa, vai logo a correr comprar outro. Terei medo de ser obrigada a ficar fechada em casa nos meses seguintes e de se me acabar o shampoo? Acharei eu que o produto no espaço de um mês vai ser descontinuado? Não sei, mas sei que faço isso com tudo. Produtos para o cabelo, está claro, cremes de rosto, detergente para lavar a roupa, pastilhas para a máquina da loiça, velas... you name it. Isto lá em casa é, obviamente, motivo de gozo porque vivo com uma pessoa do mais descontraído que há. Estou a falar de alguém que se ainda tiver um bocadinho de nada, assim uma coisinha mesmo muito mínima, de, sei lá, líquido para as lentes de contacto acha que está tudo bem e que só dali a 5 dias é que é preciso ir comprar uma embalagem nova, mesmo que no dia seguinte já só tenha líquido para uma das lentes. Este exemplo mexe-me especialmente com os nervos porque estou a falar de um produto que usamos os dois e assim que começo a sentir o frasco do líquido muito levezinho começo logo aos gritos a dizer que temos de ir "já amanhã comprar um novo!!". O que é que acontece na maioria das vezes? O frasco novo fica fechadinho no armário durante duas semanas porque o outro, afinal, não estava tão no fim como isso. Mas não interessa. Ter ali um frasquinho cheio, novinho em folha, aquece-me o coração. É menos uma coisa com que tenho de me preocupar. Como é lógico a culpa disto é dos meus pais - a culpa é sempre dos pais. Sempre. - que toda a vida vi trazerem do supermercado tudo aquilo que precisavam vezes 3 "que é para ir ficando". 
Mas voltando aos shampoos. No sábado fui ao Toni&Guy dar um corte neste cabelo - cinco dedos foram à vida - e fazer novo banho de cor. Já tinha lá em casa um shampoo para cabelos pintados mas como estava quase nas últimas fui comprar outro. O problema é que só depois é que achei que devia ler as reviews. Big mistake. Fiquei em pânico! Muitas, demasiadas, pessoas diziam que assim que tinham começado a usar o shampoo o cabelo lhes tinha começado a cair a uma velocidade assustadora, que ficaram com caspa e/ou com muita comichão no couro cabeludo e ainda houve quem dissesse que lhe tinha aparecido borbulhas na cabeça. Me-do. Sempre tive queda de cabelo, uma queda de cabelo normal, como toda a gente tem, mas depois de ler isto fiquei alarmada, claro. Tenho o cabelo fininho e não quero estar a usar um produto que, segundo as estatísticas, tem uns 70% de probabilidade de causar queda abrupta de cabelo. Portanto qual foi a solução? Exacto, comprar novo shampoo para cabelos pintados. Fazendo as contas isto dá: duas embalagens e meia de shampoo para cabelos pintados na minha casa de banho. Sendo que uma e meia não conta porque, como é bom de ver, não a vou voltar a usar e que também não posso devolver porque deitei o talão fora.
Posto isto, digam-me lá uma coisa: eu não sou a única pois não? Há, certamente, por aí mais mulheres que têm colecções de shampoos! Digam-me, quantas variedades de shampoo consegue uma mulher ter na casa de banho?


Já agora, para quem estiver interessado, o shampoo que tinha tão más reviews é o EverPure da L'Oreal para cabelos pintados, que também já tinha mencionado aqui. Aparentemente é uma crítica comum aos produtos da marca. Também comprei o Arginina Resist x3 e li algumas críticas de pessoas a queixarem-se do mesmo: queda de cabelo e caspa. Vou deixar de comprar produtos da L'Oreal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:42

A fonte de conhecimento que se esconde num comboio

por Marisa Furtado, em 22.01.15

Toda a minha vida andei de transportes públicos e toda a minha vida odiei andar de transportes públicos. As caminhadas que se têm de fazer até à estação, o frio que se apanha até e na estação, a ditadura dos horários "ai perdeste o comboio sua lontra molengona? Então agora senta o rabo nesse banco gelado e espera meia-horinha pelo próximo", as pessoas que não têm qualquer tipo de noção e se empurram umas às outras, ou se sentam todas abertas a ocupar imenso espaço como se estivessem no sofá lá de casa, ou então aquelas que em vez de se sentarem delicadamente nos bancos se mandam para cima do assento, fazendo com que quem está sentado ao lado seja quase projectado para o tecto. Felizmente agora tenho a sorte de andar quase sempre de rabo tremido no quentinho do carro. Porém, como nós somos dois e o carro é só um e há dias em que os nossos horários não se cruzam, volta e meia lá tenho eu de voltar à triste sina dos transportes. A parte boa é que no meio disto tudo esbarramos com pessoas que, de outra forma, nunca se cruzariam no nosso caminho.
Aqui há dias entrei no comboio esbaforida como de costume, porque tive de sair quase a voar do metro sob pena de perder a porra do comboio, sentei-me e depois da habitual coreografia - tirar o casacão, encontrar uma maneira de arrumar o chapéu de chuva de forma a não estar sempre a cair para cima do desgraçado que se sentar à minha frente, procurar o telemóvel dentro do universo que é a minha mala para ver se há mensagens, procurar o iPod e os respectivos fones - oiço: 

- Porque eu já estou farta de dizer à mulher que não quero que o cão dela faça cocó por baixo da minha janela e se isso voltar a acontecer eu juro que mando com um pau à porcaria do cão e já lhe disse isso! E ainda chamo a polícia, que se ela fosse para o estrangeiro não podia deixar o cão fazer aquilo. Só aqui é que ninguém diz nada!

E eu com uma vontade de lhe dizer "oh minha senhora, se a polícia nem vai ao meu prédio dar um raspanete ao meu vizinho de cima que tem a mania que é DJ e que à meia-noite é que se lembra de começar a ouvir música aos berros, acha MESMO que se ia deslocar a sua casa por causa de umas caganitas?" Mas como não estava para isso pus os fones nos ouvidos, liguei o iPod e lá fui eu a ouvir a minha música. Mas não por muito tempo. Uns minutos depois o senhor que estava à minha frente levantou os olhos do jornal, olhou para a mulher que estava a falar e começou a rir-se. Ora como eu também me queria rir desliguei a música e pus-me à escuta. E escutei o seguinte:

- ... porque os miúdos hoje até são capazes de matar os pais. Tal como os pais matam os filhos! Já não há educação. Olhe eu tenho um filho com 24 anos e é uma jóia de pessoa. Até tirou um curso superior!

Como se isso hoje em dia fosse um grande feito! Se conseguir arranjar emprego aí sim, é um herói. Mas ela continuou:

-... e não é nenhum anormal, é bem normal até. E eu sacrifiquei bastante para lhe pagar o curso. Ah mas eu mereço sabe? Porque sou muito boa pessoa. Gosto muito de ajudar as pessoas que precisam. Os pobrezinhos, sabe? Mas olhe que é difícil encontrar pessoas que mereçam essa ajuda. Olhe a minha vizinha com o cão, aquela besta. Olhe às vezes penso que os animais são mais humanos que os humanos 'tá a perceber? Porque os animais não pensam, agora os humanos já não é bem assim!

Ora bem, esta pessoa está a afirmar que os animais são mais humanos que os humanos porque... não pensam! Apesar de ser o raciocínio que separa o animal racional do... exacto, irracional. Oh, então o desgraçado do Aristóteles andou anos a queimar pestanas para elaborar a teoria sobre o animal político para quê? Isso está tudo errado! Esta senhora é que a sabe toda.

- Hoje em dia já não há educação nenhuma! Como é que os pais podem dar uma boa educação aos filhos se vão para o cinema à noite e deixam crianças de 3 e 5 anos a dormir em casa sozinhas? Eu desde que tive os meus filhos nunca mais fui ao cinema à noite, que eu não ando a dar exemplos de boémice aos meus filhos nem ando em boîtes quando tenho os meus filhos em casa. E olhe herdei isto da minha mãe. O que dou aos meus filhos é o que a minha mãe me deu a mim, e não tenho razão de queixa. São óptimas pessoas. Uma raridade nos dias que correm...

Para quem se perdeu em "boémice", boémice vem de boémia. Vida boémia, estão a ver? Como, sei lá, ir ao cinema à noite e coisas desse estilo. Deus nos livre de ir despejar o lixo depois das 20h! Infelizmente não tenho mais ensinamentos para vos transmitir porque entretanto tive de sair do comboio e ir à minha vida. Mas a vontade de ficar era muita, acreditem. 
O que é que se retira disto? É simples: quando tiverem filhos livrem-se de virar uns ramboieiros e de ir ao cinema à noite, ou de fazer qualquer coisa que dê a entender que a vossa sanidade mental também é importante e que têm uma vida independente das vossas crias. Livrem-se de ter vida própria e de continuarem a alimentar a vossa vida social. Fiquem mas é em casa 'ssogaditas a ver o Você na TV e a Casa dos Segredos. Ah, e escusado será dizer, nada de sexo como é lógico. A partir do momento em que pomos filhos no mundo passamos a ser umas mulheres muito castas e puras, que os filhos podem ouvir qualquer coisa do outro lado da porta e ainda ficam traumatizados. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:22

Piropos à portuguesa, com certeza

por Marisa Furtado, em 21.01.15

Um dia, com tempo, gostava que alguém me explicasse qual é o objectivo de certos animais homens quando passam na rua por uma mulher que nunca viram na vida, nem hão-de voltar a ver, e soltam cumprimentos do género: "Olá linda", "Olá coisa fofa", "És toda boa", "Hum, que querida" ou, como tive o prazer de ouvir ontem, "Amo loiras, f.......". Mas o que é isto?!?! Juro que não percebo. Coisa fofa?! Querida? Mas de onde é que aquele caramelo me conhece para me estar a chamar coisa? E, pior ainda, fofa? Qual é o objectivo destas tiradas? Se é que há algum objectivo. Duvido que haja. O que é que eles acham que conseguem com isto? Será que estão à espera que nos viremos para trás a dizer: Olha que querido, muito obrigada, tu também não és nada de se deitar fora. Dá-me lá o teu número para combinarmos um cafézinho. Conheço um restaurante aqui perto que tem uns brunchs óptimos. Ou preferes ir já para um motel para despacharmos isto? Que eu, com essa pick up line refinadíssima, já estou aqui que não me aguento. É que podem tirar o cavalinho da chuva que isso só acontece nos filmes, e não é em todos, só naqueles de gosto duvidoso. Provavelmente os únicos que vêem.

Aquilo que sinto quando sou presenteada com estes "elogios" (des)inspirados é nojo. Nojo da pessoa que os diz, vergonha - aquela do "Amo loiras (...)" foi dita aos berros num sítio cheio de gente... - e sinto-me ofendida e zangada, de tal forma que a única vontade que tenho é de me virar para trás e pregar um valente estaladão no delicado focinho do indivíduo. A única mensagem que passam é a de que são uns rebarbadões de primeira apanha, a fina flor do entulho, e que não há mulher nenhuma no mundo que respeitem. Sexy, ãh? E ao mesmo tempo parece que sofrem de um espectro muito particular da síndrome de Tourette, que só se manifesta quando vêem uma mulher que lhes agrade. Ficam descontrolados e dizem a primeira coisa que lhes vem à cabeça. Vómito.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:07

#onrepeat | Sia - Elastic Heart

por Marisa Furtado, em 16.01.15




Não é só a música que está em repeat por estes lados. O (fantástico) vídeo também não me sai da retina. Muita coisa se poderia dizer sobre isto mas vou-me cingir a apenas três:

- A Sia continua a não desiludir. As músicas, não sendo muito elaboradas nem muito diferentes do que se tem ouvido até agora, ficam no ouvido. Mas para mim o melhor são mesmo as letras. É incrível a capacidade que ela tem de contar uma história em apenas 2 ou 3 minutos. Well, I've got thick skin and an elastic heart, / But your blade it might be too sharp / I'm like a rubber band until you pull too hard, / I may snap and I move fast. Estas analogias são tão boas que me matam aos bocadinhos. 

- O vídeo saiu a semana passada e, de repente, estoirou o escândalo. Que era uma pouca vergonha, que o vídeo era uma promoção clara da pedofilia, coitadinha da menina que só tem treze anos e anda ali a esfregar-se no Shia LaBeouf e rebeubéu pardais ao ninho. Vamos lá ter calma e pensar um bocadinho antes de dizer parvoíces. O que me parece é que o terror que nos entra em casa diariamente via telejornais e internet nos está a deixar maluquinhos. Mudem lá o chip. Isto é arte, não é crime. A coreografia está fantástica e eles os dois também. Já vi o vídeo milhentas vezes e não identifiquei nada que tivesse conotações sexuais.

- E não é que descobri o Shia LaBeouf?! E que bela descoberta foi esta! Já o tinha visto em alguns filmes, no New York, I Love You e, mais recentemente, no Ninfomaníaca, mas sempre o tinha achado assim um pãozinho sem sal. Um homem com cara de bebé - haverá maior turn off? - sem graça nenhuma. Mas de repente transforma-se nisto! Num pedaço de mau caminho. Num homem a sério, com uma barba hipster que deve fazer inveja a muitos homens. O mundo com este Shia LaBeouf é, sem dúvida, um mundo melhor. Belo casting senhora Sia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 11:19

Os 30 são os novos... 60?

por Marisa Furtado, em 15.01.15

No início da semana li um artigo sobre as diferenças entre as mulheres de 20 e as de 30 anos que me deixou boquiaberta. Sabem aquela frase que diz que os 30 são os novos 20? Pois, parece que para quem escreveu aquilo isso é mentira. Os 30 são os novos 60. Segundo o artigo aos 30 muda tudo, desde as mamas ao cabelo, passando pela conta bancária. E muda quase tudo para pior, não é fabuloso? Passamos de Cinderelas a bruxas velhas com pelos a crescer em sítios estranhos. Ainda não entrei nos intas, faço 29 este ano, mas a ideia que tenho da terceira década da vida de uma mulher não tem nada a ver com o pesadelo que nos querem vender aqui. Acho que aos 30 as mulheres ficam, por norma, mais interessantes, mais resolvidas, mais decididas e confiantes. Mas vejamos o que são os 30 para quem escreveu aquele texto:

- Os rituais de beleza mudam. Certo. Já ando a pesquisar quais os melhores séruns e anti-rugas para quando chegar a altura saber o que comprar e não andar às apalpadelas. A teoria de que aos 30 a pele muda é defendida por muitos dermatologistas. Perde elasticidade, brilho e pode ficar mais seca o que propicia o aparecimento das primeiras rugas. Mas dizer que "novas rugas parecem surgir todos os meses" parece-me um exagero. Por isso, sim, é essencial adaptar a rotina de beleza à nova fase da nossa vida mas sem entrar em histerismos.

- O metabolismo fica diferente. Ou seja, fica mais lento. Tenho várias amigas com 30 anos que confirmam isto. Se antes podiam comer tudo sem preocupações e/ou cuidados, aos 30 sentem que o chip mudou. Qualquer coisinha as deixa inchadas e, de repente, a balança passou a marcar mais 2 ou 3kg vindos não se sabe bem de onde. Vestem as mesmas roupas mas ficaram mais pesadas. É estranho. 

- As noitadas já não são o que eram. Também confere. As mesmas amigas que, agora, têm de ter mais cuidado com a alimentação também comentam que não conseguem recuperar tão bem de uma noite de rambóia. Se aos 20 saiam às quintas, sextas e sábados e na semana seguinte estavam frescas que nem uma alface, agora basta excederem-se um bocadinho no sábado à noite para na segunda-feira ainda estarem a recuperar. Life's a bitch.

- A gravidade não perdoa. É aqui que as coisas começam a descambar. "Aos 20, usar um soutien é opcional. Aos 30, a gravidade não concede dias livres." Ora bem, vamos lá ver uma coisa: em que universo é que as mulheres de 20 anos optam por não usar soutien? Não conheço uma única rapariga de 20 anos, uma única, que saia de casa sem soutien. É desconfortável e pouco estético. Quem é que quer andar o dia todo com as amigas a abanar livremente dentro da camisola? E quando estamos de saltos altos? Já imaginaram o espectáculo, qual Pamela Anderson no genérico do Baywatch? E quando temos frio? Há alguém que queira lidar com o embaraço de uma corrente de ar? Não me parece! As mulheres, quanto muito, andam sem soutien em casa. Mas assim que passam a porta o caso muda de figura. E isto é verdade aos 20, aos 30, aos 40 e por aí fora. A não ser que estejamos a falar de hippies. Mas esse é um assunto diferente. Ah, e isto da gravidade não funciona assim. Ora agora tenho 20 anos e estou aqui rijinha que nem um pêro e de repente fiz 30 e já as tenho de ir buscar ao chão. Por favor... 

- As franjas. "Aos 20 andamos de franja porque é giro. Aos 30 andamos de franja para tapar as rugas da testa" que não só aparecem num abrir e fechar de olhos, aparentemente, como parecem crateras, só pode...

- A preguiça. Estas pessoas dizem que aos 30 as mulheres têm companheiros de longa data e ficam umas preguiçosas de primeira apanha que nem a depilação fazem. Portanto, não só estão a assumir que aos 30 anos as mulheres já são todas casadas... há 10! como se estão a borrifar para a imagem e conforto e não se importam de andar com um arbusto a tapar a punani. O marido/companheiro que se aguente à bomboca. Don't think so.

- Os pêlos. Esta é a parte que eu mais gosto. "Aos 20 a pinça está reservada às sobrancelhas. Aos 30, começam a surgir pelos em partes estranhas da cara e, quando damos por nós, estamos a usar a pinça diariamente." Whaaaaaaaaaaaaaaaaat?! Antes de mais quero sugerir-vos uma coisa: larguem as pinças e dirijam-se à Wink mais próxima. É a única técnica de remoção de pêlos que conheço que é rápida e não agride a pele, o que já não acontece com a depilação a cera - o puxão que é dado para arrancar a cera parte a pálpebra e é uma porta aberta para rugas precoces -, já para não falar das profissionais que respeitam o desenho da sobrancelha e não querem fazer dela o que ela não é. Mas voltemos ao que realmente interessa aqui: pêlos em partes estranhas da cara?! Aos 30?! A sério que estão a afirmar uma coisa destas? Quer dizer, não só somos umas desgraçadas de umas gordas preguiçosas como ainda temos de andar a arrancar pêlos do queixo e das orelhas é isso? Só falta a verruga na ponta do nariz para completar o quadro.

- Os cabelos brancos. Aqui afirmam mais ou menos o mesmo que no capítulo das franjas. Aos 20 pintamos o cabelo porque somos umas malucas e aos 30 porque ficamos com o cabelo grisalho. Eu não digo? Parecemos umas bruxas: pêlos em partes estranhas, rugas em tudo quanto é sítio, gordas e cansadas. Lamento mas isto depende só do factor sorte. Tanto nos podem começar a aparecer cabelos brancos aos 25 como aos 45. É genético. Não tem necessariamente a ver com a idade. 

- Os hábitos de limpeza. Acabamos em grande, com a cereja no topo do bolo. Ora vejam bem esta preciosidade, parece poesia, atentem: "Enquanto que, por limitações financeiras, aos 20 temos de aspirar e limpar a casa; aos 30 já temos conquistada a independência financeira e podemos tirar uma parte para a senhora das limpezas, que vai a casa uma vez por semana fazer o trabalho chato." Mas é claro!!! Toda a gente sabe que aos 30 anos toda a mulher que se preze tem, pelo menos, 100 ou 200€ por mês para pagar a uma empregada doméstica! Claro que sim. Especialmente com a economia fantástica que temos actualmente em Portugal. São raríssimas as pessoas desempregadas e ainda mais raras são as que ganham menos de 1500€.
...
Mas estão a brincar comigo? A maior parte das pessoas que conheço, homens ou mulheres, trabalha em regime de contrato a termo e não ganha mais de 800 ou 900€. E não me estou a cingir a jovens de 30 anos - sim, vamo-nos lá deixar de tretas, aos 30 ainda somos todos jovens - falo, infelizmente, de pessoas com mais de 50 anos. Das duas uma, ou quem escreveu isto vê demasiado Sexo e a Cidade, e, portanto, acredita que há quem consiga ter uma vida de luxo apenas por escrever meia dúzia de linhas num jornalzeco - ahahahah - ou vive noutro planeta, onde as mulheres não conseguem viver sem quem lhes vá lá a casa limpar o pó.
Deixem-se de merdas. Peguem no aspirador e no pano do pó e limpem a vossa própria casa. Poupam 100€ para uma viagem no final do ano, ou para um jantar fancy com a cara-metade, ou para aquele casaco que andam a namorar há imenso tempo e ainda abatem aqueles quilos a mais que apareceram como que por magia. Sim, que isto de limpar a casa cansa! Ah, e parem de aterrorizar as mulheres com o estigma da idade. Nós somos fabulosas em qualquer altura da nossa vida. O que conta verdadeiramente é como nos sentimos cá dentro. O resto não passa de um número.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:31

Dramas da vida doméstica, parte 2

por Marisa Furtado, em 14.01.15

Ele - Tu fazes sempre isto! Esperas até eu encontrar qualquer coisa na televisão que me interesse para te lembrares de contar tudo e mais alguma coisa. Quando não está a dar nada que tu gostes, de repente, ficas com imensas coisas para dizer.

Parece que ele, afinal, tem um bocadinho de razão.
Estávamos no sofá de portátil no colo. Ele fecha o dele e liga a televisão. Pára na Benfica TV. Eu fecho o meu portátil. Olho para a televisão e suspiro:

- Estou bored.

Ele - Pronto, já está... 

 

Aqui me confesso: quando o meu homem está a ver coisas chatas na tv, e por coisas chatas entenda-se desporto, debates sobre desporto, programas sobre penhoras, pesca do atum..., cai sobre mim um aborrecimento de morte e fico com imensa coisa para lhe contar. Não consigo evitar. É mais forte que eu.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:32

Dramas da vida doméstica

por Marisa Furtado, em 13.01.15

Acho que nunca hei-de entender a dificuldade de algumas pessoas admitirem que adormecem no sofá. Ou melhor, que praticam o famoso pré-sono, popularizado pelo Ricardo Araújo Pereira. Falo de quem está claramente a passar pelas brasas, com direito a cabeçadas no ar e aquele ronronzinho característico que antecede o ressonar a sério, e que assim que alguém se atreve a mudar de canal ou a desligar a televisão o bicho acorda e solta com a voz entaramelada "Está quieto que eu estou a ver isso!", "Mas estás a dormir...", "Eu? Não estou nada!" Ou de quem, e passo a citar, se "mantém no sofá e irrita toda a gente que está acordada com a sua sonolência parva." O meu homem, por muito que lhe custe admitir, é uma destas pessoas.

Sexta-feira à noite. Estou alapada no sofá de portátil no colo a ver o que se passa no Facebook. O meu homem entra na sala, refastela-se ao meu lado e tapa-se quase até às orelhas com a manta polar. Só por isto já dá para ver o que aí vem. Começa a fazer zapping. Pára na TVI24 onde está a dar um programa de comentário desportivo.

Eu - Ah é verdade! Já estou para te contar isto há imenso tempo. Quer dizer, não é assim há tanto tempo, é só desde ontem. Era para te ter contado ontem à noite mas depois passou-me e lembrei-me agora. - contei-lhe o que tinha a contar e aproveitei o embalo para continuar a falar sobre a espuma dos dias. Ele sempre calado. - A que horas queres ir ao cinema amanhã? Preferes ir à noite para poderes ver o Benfica às 17h?

Silêncio. Continua de olhos vidrados na televisão.

Eu - Ouviste o que eu te disse?

Ele - Ãh? Não.

Eu - Estás a gozar? Estou para aqui a falar e tu não me estás a ouvir? - choque...

Ele - Tu fazes sempre isto! Esperas até eu encontrar qualquer coisa na televisão que me interesse para te lembrares de contar tudo e mais alguma coisa. Quando não está a dar nada que tu gostes, de repente, ficas com imensas coisas para dizer. Isto interessa-me, deixa-me ver isto.

Eu - Mas eles estão a falar do Porto! E tu és do Benfica. O que é que isso interessa?

Ele - Eu gosto de futebol e gosto de saber o que é que se passa com os rivais do Benfica. Deixa-me só ouvir o que ele está a dizer.

Eu - Pronto desculpa lá. Não te digo mais nada!

Dois minutos depois - dois!!! - olhei para ele.

....

Sim, estava a dormir...

Eu - É por isso que não queres que eu fale contigo?! - dá um salto assim que me ouve - Para poderes dormir à vontade?

Ele a rir-se - Eu não estou a dormir!!!! Bolas, não posso fechar um bocadinho os olhos que tu cais-me logo em cima. Pareces a polícia do sono!

E isto acontece praticamente todos os dias. Sempre que o apanho a dormir no sofá é todo um filme. Nunca está a dormir. Nunca! Nunca adormece no sofá. Tirando os dias em que adormece que são assim, tipo, quase todos. Mas qual é o problema em admitir que, como qualquer pessoa normal, às vezes se deixa vencer pelo cansaço? E mais: se tem sono porque é que não vai dormir para a cama?! É que este filme acaba sempre da mesma maneira: adormece no sofá; nega que está a dormir no sofá; uma ou duas horas depois levanta-se, vai lavar os dentes e quando, finalmente, se deita na cama... exacto, fica, milagrosamente sem sono e refila porque não tem sono. Um clássico.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:17

100 Montaditos em Lisboa!!!

por Marisa Furtado, em 12.01.15

No verão passado escrevi um post onde falava de uma descoberta gastronómica que fiz em Ayamonte durante as férias. Dava pelo nome de 100 Montaditos e o conceito era o mais simples possível: 100 tapas deliciosas, feitas na hora, cujos preços variavam entre 1€ e 2€, excepção feita às quartas e domingos quando era tudo 1€. Ali, entre tábuas de presunto e queijo, saladas, baguetes quentinhas recheadas de coisas boas - salsicha, bacon, presunto, tomate, atum, frango, queijo de cabra... - o difícil era escolher. Na altura comentei que não entendia como é que este conceito ainda não tinha chegado a Lisboa. Comfort food a 1€? A sério? Isto é um sucesso em qualquer parte! Pois bem, parece que alguém ouviu as minhas lamúrias, porque na passada sexta-feira os 100 Montaditos chegaram à capital e montaram arraiais no Príncipe Real! Ainda não passei por lá porque deve andar tudo histérico com a novidade e esse histerismo costuma traduzir-se em filas intermináveis, mas quando o hype passar vou lá fazer uma visita, for sure.

 

17252168_nI9m6.jpeg

Quando me lembro destas baguetes quentinhas fico logo com água na boca... 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:24

Então e os saldos?

por Marisa Furtado, em 06.01.15

Muitas comprinhas? Grandes achados? Já substituíram aquelas camisolas de inverno velhas por umas novas e já começaram a compôr o armário para o verão? Sim? Good for you. Este inverno a minha ida aos saldos resume-se a uns óculos de sol da Mango que me custaram 9.99€. Ali por alturas do Natal estava em pulgas para que os saldos começassem; sonhava com camisolas de caxemira da Zara a 20€ e calças de ganga a preço de chuva mas os planos saíram-me todos furados. E a razão é só uma: as pessoas que parecem ter enlouquecido. Todas as lojas onde pus os pés só me deram vontade de fugir. Roupas ao molho, calças de ganga misturadas com t-shirts, descontos miseráveis de 5€ e muita, muita, muita gente em todo o lado: no meio da loja a remexer na roupa, em filas intermináveis para os provadores e em filas maiores para pagar... nunca uma ida à Zara foi tão rápida. Entrei a medo e a meio da loja já estava a desistir. Sou uma pessoa ansiosa, que volta e meia tem uns ataques de nervos jeitosos, e sítios cheios de gente dão cabo de mim. Começo logo a hiperventilar perante a possibilidade de ter de estar 30 minutos em pé, com roupa até ao queixo, para entrar num provador e depois idêntica tortura para pagar. Credo! Não me lembro de haver igual histerismo nos anos anteriores por causa dos saldos. Ou se calhar era igual e eu é que mudei. De repente foi-se-me a paciência para andar nas compras nestas condições adversas. 
Como as lojas andam impossíveis tenho optado por vigiar os sites do costume e o resultado não é mais animador. As minhas wishlists e o cesto virtual da Zara - quando, mas quando é que a Zara vai permitir a criação de whislists no site? Dá imenso jeito e deve ser a única marca que não permite tal coisa - estão a abarrotar mas ainda não encontrei assim nenhuma peça que queira mesmo, mesmo muito. Por isso vou enchendo as whislists de coisas giras, mas que não me fazem particular falta, e pouco depois, tudo somado, chega a valores ridículos que ultrapassam os 100€... o da Zara, com apenas 23 pecinhas, ultrapassa os 500€... no can't do. E assim se resume a minha não ida aos saldos.
O que eu queria mesmo, mesmo, mesmo muito era uns Gazelle e uns Stan Smith, ambos Adidas, mas esses só devem entrar em saldos lá para Outubro.
Aqui ficam alguns objectos do meu desejo:

 

Sem título #47

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:18

Life resolution

por Marisa Furtado, em 02.01.15

f78e622168101e7bdbf19d1de347054e.jpg

 

 

Para além dos habituais desejos de saúde, amor e dinheiro todos os anos há uma passa reservada para as viagens. Para mim viajar é tão essencial como ter comida no prato. Ouvir novos idiomas, experimentar novas comidas, estar em contacto com novas culturas, com diferentes ritmos de vida, ver coisas que nunca veria no meu país... é uma lufada de ar fresco e o único investimento que faço com a certeza de que vou ficar mais rica depois. Agora resta-me respirar fundo, receber de braços abertos o novo ano e... um novo destino. Feliz 2015!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:15


talk to me!

theallengirlblog@gmail.com

Mais sobre mim

foto do autor


passaram por cá



no tumblr

Allen girl

no polyvore

my Polyvore

no pintarest

Pinterest

Follow



Comentários recentes

  • Carla Marques

    E os comentários dos defensores do piropo no Faceb...

  • isabel

    Quem consegue sair de casa e deixar para trás um r...

  • Marisa Furtado

    Não! Apeteceu-me apenas mudar-lhe o nome e o visua...

  • Pedro

    Por momentos pensei que o blog estaria de saída do...

  • Restaurante A Mexicana

    Sr. Miguel Diniz, obrigado pelo elogio!Quanto ao p...



Pesquisar

  Pesquisar no Blog