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O choque pelo choque

por Marisa Furtado, em 27.08.14

Não consigo perceber o que leva as pessoas a publicarem nas suas páginas de Fecobook vídeos ou imagens desagradáveis. Na semana passada foi noticiada a morte do jornalista James Foley, que terá sido decapitado por um jihadista do Estado Islâmico. Para tornar a coisa ainda mais horrível a morte daquele homem foi gravada e colocada no YouTube. Como é que um vídeo com aquele conteúdo não é imediatamente apagado é uma coisa que eu não consigo perceber, mas pronto o vídeo estava online e quem quisesse podia vê-lo. O que não era o meu caso, que vi as notícias e achei que era o suficiente. Fiquei chocada só de ouvir os relatos portanto não havia qualquer necessidade de ir à procura das imagens. Já me disseram que eu, por me recusar a ver o vídeo, estou a fugir das coisas, que este é o mundo real e não posso fugir disso, mas parece-me que essa é uma maneira um bocadinho distorcida de ver as coisas. Eu não fujo de nada e é precisamente por isso que faço questão de ver todas as noites o telejornal, para estar a par do que se passa no mundo, porém isso não implica que tenha de ver um vídeo onde um homem está a ser degolado. Não quero nem tenho que ficar com essa imagem gravada na minha cabeça. É um direito meu. Posto isto, qual não é o meu espanto quando estou no Facebook a ver o meu feed de notícias e no meio de notícias cor-de-rosa, memes, vídeos de gatinhos e fotografias das férias alheias vejo que alguém publicou esse vídeo que, curiosamente, estava parado no frame em que se via a cabeça do homem ensanguentada caída no chão. Mas que tipo de pessoa é que publica estas coisas? Não pode ser para informar os restantes porque já toda a gente sabe que aquilo aconteceu. Passou em todos os canais e saiu em todos os jornais. Portanto só pode ser pelo gosto de chocar os outros, de impor aos demais aquelas imagens desagradáveis. Eu não quis ir à procura do raio do vídeo mas houve alguém que achou que eu e o resto da sua rede de amigos o devíamos ver e por isso pumba, tomem lá o vídeo já parado na imagem mais chocante e tudo. WTF?! Isto é o mesmo que aquelas pessoas que dizem gostar muito de animais passarem a vida a publicar fotos de animais atropelados ou com sinais visíveis de maus tratos. Mas qual é a ideia? Não é por eu ver essas imagens violentíssimas que vou ficar mais sensibilizada para determinada causa. Não é! A vontade que eu tenho é de apagar essa pessoa dos meus amigos as soon as possible porque, aos meus olhos, não passa de alguém extremamente sádico. Uma pessoa que gosta muito de animais não passa os dias a ver imagens de bichinhos a sofrer e a escolher a mais horrível para publicar no Facebook. Isto é apenas alguém que gosta de incomodar os outros mas que se esconde atrás de causas importantes para o fazer. "Eu não quero chocar ninguém, mas tenho mesmo de vos mostrar esta fotografia de um cão a morrer à fome para vos chamar a atenção do quão errado é abandonarem os vossos animais." Não. Errado. Gostar de incomodar as pessoas não é o mesmo que as alertar para determinada causa. Há muitas maneiras de o fazer mas chocar só porque sim não é uma delas.

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publicado às 10:08

Há dias um amigo meu que, claramente, não percebe nada de mulheres e, muito menos, de moda dizia-me que não entendia porque é que nós gastávamos tanto dinheiro e perdíamos tanto tempo sempre que precisávamos de comprar um vestido para levar a um casamento. "Podiam fazer como nós, que compramos um fato que nos dá para os casamentos dos próximos 10/15 anos. Inclusivé o nosso." Primeiro, vamos ignorar aquela parte em que se vai para o próprio casamento com um fato que já se usou não sei quantas vezes noutras ocasiões. Vou partir do princípio que ele estava a brincar e passar à frente. Depois, como é lógico, as mulheres não podem ter um único vestido que usam para ir aos casamentos todos. Primeiro porque é de muito mau gosto aparecer em fotografias de casamentos diferentes com a mesma roupa, parece que se está de farda; segundo, a maioria das mulheres adora ir às compras, estar a par das novas tendências e variar os looks; e terceiro, a escolha da indumentária para levar a um casamento depende de um milhão de variáveis.

A cor. Branco, bege, pérola e todas as variantes estão off-limits. Essa é a cor da noiva e se não querem ver a princesa transformar-se em bridezilla o melhor é optarem por outra coisa. Preto também não pode ser. Só há duas razões para usar preto durante o dia: ou estamos a ir para um funeral ou a chegar a casa depois de uma noite de rambóia. Se esta não for, que não é, nenhuma dessas ocasiões o little black dress deve ficar guardadinho no armário. Claro que mesmo assim ainda temos todo um leque de cores por onde escolher, mas nem todas são boas opções. Assim de repente lembro-me de umas quantas que já quase me cegaram em várias cerimónias: roxo, cor-de-laranja, vermelhão, castanho, verde, rosa-choque. São cores que ou fazem de nós umas verdadeiras ratazanas deprimidas ou nos transformam num wannabe da tia maluca da noiva. Como se pode ver uma coisa tão simples como escolher a cor do vestido pode transformar-se numa verdadeira dor de cabeça.

O casamento é de dia ou de noite? De manhã ou ao final do dia? Se vamos a um casamento que começa às 11h da manhã não faz muito sentido irmos de vestido de cocktail até aos pés, como se estivéssemos numa gala. Devemos ir com um vestido pelo joelho ou ligeiramente mais curto  - nada de trapos à Casa dos Segredos... -, mas se for um casamento que comece apenas ao final do dia já é apropriado levar uma coisa mais comprida.

É no Verão ou no Inverno? Se for em Agosto tem de ser uma coisa levezinha e assim para o esvoaçante, mas se for em Janeiro já temos de usar um vestidinho de manga comprida, com um tecido mais aconchegante. Mas depois ainda temos a Primavera e o Outono, estações onde não se pode usar nenhuma das opções anteriores. Já não está calor para usar o vestidinho esvoaçante mas também ainda não está frio que justifique ir de vestido de manga comprida. Temos de optar, então, por um trapinho de meia-estação, fresco q.b.. E a dificuldade que é encontrar um vestido deste género que sirva para ir a uma cerimónia?! A maioria dos vestidos que se vê nas lojas são muito giros para ir trabalhar ou para sair mas demasiado informais para se apresentarem num casamento. Só aqui, neste pequeno parágrafo, percebemos que temos de ter, pelo menos!, três vestidos diferentes. Três! Nunca, apenas, um.

Os sapatos: essa compra que se assemelha à subida do Everest para muitas mulheres. Sim, a compra dos sapatos tem tanto de emocionante como de desesperante. Tal como acontece com os vestidos, também a escolha do que vamos calçar depende muito das estações do ano. No Verão podemos usar sandálias mas no Inverno já se recomenda uns sapatinhos fechados. E a cor? Aquela triste ideia de comprar uns sapatos pretos e combiná-los com tudo e mais alguma coisa, "porque o preto dá bem com tudo", não passa disso mesmo, de uma triste, e muito pouco original, ideia. Os sapatos pretos até podem ir bem com tudo mas também podem ser os responsáveis por arruinarem todo um look. Imaginem que compraram um vestido azul. Por muito bonito e cheio de rococós que seja, se calçarem uns sapatos pretos matam logo todo o potencial que ali podia haver. Neste caso seria preferível comprar umas sandálias/sapatos prateadas ou nude para equilibrar a coisa. Com a carteira passa-se o mesmo: uma carteira preta não é a solução para todos os nossos males. Às vezes é mesmo aqui, neste pequeno objecto onde mal cabe o telemóvel e um batom, que está o factor diferenciador. Não há nada mais original que ir com um look muito romântico ou clássico e depois desconstruir tudo isso com uma carteira ou uns sapatos de uma cor mais arrojada ou com umas aplicações douradas ou prateadas para um toque mais sofisticado.

A partir do momento em que a noiva anuncia que se vai casar no dia x não é só ela que passa os meses seguintes a bater com a cabeça nas paredes até encontrar 'o' vestido. As convidadas passam por igual aperto. Posto isto, acho que está na hora de os homens serem um bocadinho mais compreensivos quando virem a sua cara metade a hiperventilar num dos provadores da Zara, rodeada de vestidos do avesso, e a gritar qualquer coisa como: "Nunca vou conseguir encontrar um vestido para levar ao casamento!! E já só faltam dois meses!".

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publicado às 10:31

Séries que valem a pena

por Marisa Furtado, em 21.08.14

Sou viciada em séries. Quando encontro uma que me prende vejo todos os episódios religiosamente e não descanso enquanto não chegar ao fim. E quando chego fico com aquele vazio esquisito, como se não houvesse mais nenhuma tão boa, que me prendesse tanto, como aquela. Acho que até hoje só houve uma que me tivesse desiludido a meio: a Anatomia de Grey. Tinha tudo para ser a melhor série de médicos, daquelas que se transformam em séries de culto, mas com a mania de esticarem as histórias ao máximo começou a perder qualidade. Todas as séries têm um fim e mais vale terminarem em grande, quando ainda são boas e nos prendem ao ecrã, do que quando já ninguém quer saber. Veja-se o exemplo de O Sexo e a Cidade e Friends. Duas séries excelentes - as únicas que revejo vezes sem conta sem me fartar - que terminaram na altura certa, antes de o espectador se começar a aborrecer. Mas felizmente ainda há óptimas séries que alimentam este meu vício. Homeland é uma delas, que vai recomeçar em Setembro, can't wait!, mas agora o vício cá em casa é a The Strain. Há uns dias o meu homem falou-me com bastante entusiasmo deste novo hype que tinha muito boa classificação no IMDB e que foi um sucesso desde o primeiro episódio. "É uma série de terror e ficção científica, baseada numa trilogia vampírica do Guillermo del Toro, sobre um vírus que se espalha pela cidade e contamina toda a gente." Ora bem, isto é só, assim de repente, tudo aquilo que eu não suporto em cinema/televisão. Detesto filmes de terror, a ficção científica aborrece-me de morte e nem me abriguem a falar de zombies e/ou vampiros. Torci o nariz mas ele estava tão entusiasmado com aquilo que lhe fiz a vontade e sentei-me com ele a ver. Meus amigos, pára tudo! Esta é, muito provavelmente, a melhor série de 2014! Sim, tem tudo aquilo que eu não gosto só que aqui as coisas estão tão bem feitas, a história está tão bem pensada, que é impossível ficar indiferente. O Guillermo del Toro é completamente fucked up e criou monstros aterradores que tornam quase impossível desviar os olhos do ecrã. Pode soar a contrassenso mas é o que é. Não tem nada a ver com aqueles vampiros hipsters com corpos de Adónis que brilham ao sol, nem com os mortos-vivos de 1982 que andam todos tortos e perdem braços pelo caminho. São monstros extremamente bem feitos e credíveis, que podem só estar ali em pé quietos, a olhar para a câmara, com um aspecto humano normalíssimo que já nos provoca arrepios na espinha, tal é a maldade que para ali vai. Bolas, têm mesmo de ver isto. I'm hooked. A primeira temporada vai a meio mas a segunda já está confirmada e vai estrear para o ano. 

 

 

 

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publicado às 11:15

Oh não. Elas voltaram.

por Marisa Furtado, em 19.08.14

Todos nós sabemos que a moda é cíclica. E isso é bom!, podemos sempre reutilizar algumas peças antigas. Mas será que os ciclos têm de ser assim tão curtos?

 

Isto é quase tão mau como a moda dos Jeffrey Campbell, um hype que nunca entendi muito bem: são enormes, nada elegantes e dão a qualquer look um aspecto trashy. Agora é a moda das tenebrosas calças à boca de sino que parece estar de regresso. Eu já desconfiava, quando comecei a ver que a tendência boho chic estava a ganhar força mas pensei que se fosse ficar pelos padrões étnicos e pelas franjinhas em tudo quanto é peça. Mas não! As malvadas calças que usei durante toooooda a adolescência estão a querer voltar. Na altura gostava muito delas, claro, era moda, toda a gente usava, o difícil era encontrar umas com um corte diferente, e até acho que se conseguem looks muito interessantes com elas - basta ver as fotografias ali em cima - mas a verdade é que este é o modelo de calças que mais inconvenientes tem. Lembro-me que no inverno andava sempre, mas é que era sempre, com as calças todas encharcadas e cheias de terra. Estas calças querem-se é compridas - sim, por favor, que ninguém se lembre de usar corsários à boca de sino como se via no final dos anos 90. Ou melhor, que ninguém se lembre de usar corsários. -, quase a tocar no chão, o que em dias de chuva não é a coisinha mais prática que se pode tirar do armário; os sapatos não se vêem o que é uma chatice porque às vezes são mesmo eles que fazem o look; sempre que comprava um par tinha de o levar à costureira porque ficava sempre com, pelo menos, um palmo de tecido debaixo dos pés, e eu não sou baixinha, portanto todas as calças que comprava ficavam-me uns 5€ mais caras. E quando o trabalho não ficava bem feito? E quando havia uma perna que estava ligeiramente mais curta que a outra? Aaaiii, só tenho más memórias destas calças e não consigo acreditar que em pouco mais de 10 anos elas já estão aí, a espreitar e a ganhar o seu cantinho nas lojas. Vamos esperar que não seja uma tendência tão marcada como foi em tempos e que seja como os Jeffrey Campbell: nós sabemos que eles existem, que estão mesmo ali naquela prateleira a olhar para nós, a querer fazer de uma miúda trendy uma possível concorrente da Casa dos Segredos, mas se nos fizermos de mortas pode ser que saiam de circulação com a mesma rapidez com que entraram. 


Todas as imagens via Pinterest.

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publicado às 10:16

Get away | Aterra

por Marisa Furtado, em 18.08.14

Este "Get away" é um bocadinho diferente dos habituais simplesmente porque a minha experiência aqui não foi das melhores. Porém, sei que o problema é meu e não do sítio que, sei, fará as delícias de pessoas um bocadinho mais descontraídas que eu.

O ano passado eu e o meu homem, assumidas pessoas de hotéis e que prezam o conforto do betão, achámos que podia ser giro irmos acampar. Não sei porquê. Simplesmente um dia acordámos e achámos que era uma boa ideia. Eu, que não sou nada dada ao contacto com a natureza, que acho que a vida selvagem é muito bonita mas ao longe, aos domingos de manhã na SIC, e que fico histérica sempre que vejo um insecto, achei, por momentos, que acampar podia ser a coisa mais fixe de sempre. Go figure. Ainda andámos a ver umas tendas que, felizmente, não comprámos porque entretanto descobrimos o Aterra, um acampamento giríssimo em S. Teotónio, no meio de um bosque. A filosofia deste espaço é o eco camping in luxury, quer isto dizer que se trata de um acampamento de luxo no meio da vida selvagem. Pensámos "Olha! É mesmo isto. O melhor dos dois mundos. A essência do campismo mas com o conforto dos hotéis." Pois, isto não é beeeeeem assim. Pelo menos não para mim. É verdade que não há cá tendas que demoram horas a montar e sacos-cama desconfortáveis. Aqui as pessoas dormem em camas dentro de tendas bonitas, bem decoradas, com candeeiros e wifi mas no meio da bicharada que costuma habitar os bosques e nunca esquecendo, claro, os conceitos ecológicos.

Antes de aqui chegar a minha pegada ecológica resumia-se a não deixar a água a correr quando não estivesse a precisar dela, usar lâmpadas economizadoras, não acender as luzes durante o dia... mas isto vai muito para além disso como é lógico. No Aterra a ecologia é lavada ao extremo. O que é bom, não digo que não, mas não é para mim. Aqui há duas sanitas, dois chuveiros e dois lavatórios no meio do acampamento para toda a gente usar, e não são áreas fechadas, com paredes, são casinhas de bambu abertas em cima e em baixo por onde entra o ar e, claro, a bicharada. Quando reparei nisto pensei "Pronto, é diferente, é uma experiência nova. Até pode ser giro estar a tomar banho assim ao ar livre a ver o nascer ou o pôr-do-sol". Até aqui tudo bem. Sou suficientemente open minded para aceitar tomar banho naquelas condições. O problema foi quando a minha mente, até ali aberta, esbarrou nas sanitas. Aqui fechou-se a sete chaves e só se voltou a abrir quando cheguei a casa, três dias depois. Neste local a reciclagem está na ordem do dia por isso as casas de banho funcionam através da compostagem seca. Sentamo-nos na sanita, fazemos o que temos a fazer, depois enchemos uma caneca com serradura, tapamos tudo muito bem tapadinho e vamos à nossa vida. Isto ao fim do dia é retirado lá de dentro e usado para fertilizar as terras em redor do acampamento. Acho que foi mais ou menos por esta altura que senti a desenvolver-se em mim uma ligação emocional aos autoclismos. Sempre que ia à casa de banho, para além de inspeccionar todos os cantinhos daquela casota de madeira para ver se não havia nenhum bicho lá dentro, tinha noção que ali por baixo daquele montinho de serradura que já estava dentro da sanita estavam "presentes" deixados pelos outros hóspedes. Acredito que para muita gente isto é normalíssimo, é apenas um estilo de vida diferente, e não se chateiam nada com estas coisas, nem pensam nelas, mas eu sou muito picuinhas, gosto de ter tudo sob controlo, gosto de sanitas de loiça branca a brilhar e a cheirar a Sonasol e, portanto, estava completamente fora do meu ambiente. E isso notava-se. Ora vejam:

Na primeira noite, antes de ir dormir, desci até à zona das casas de banho para fazer a minha higiene e reparei que no espelho por cima do meu lavatório estava uma coisa estranha. Aproximei-me e pareceu-me um simples laçarote castanho. Um apontamento decorativo portanto. Apontamento esse que não existia no espelho ao lado... "Hum, que estranho." Vim a saber mais tarde que aquele artefacto não era nenhum laçarote, era mesmo uma larva em processo de transformação que esteve ali três dias muito quieta a olhar-me olhos nos olhos enquanto escovava os dentes.

Na manhã seguinte quando saímos para tomar o pequeno-almoço fomos informados que só podíamos entrar na área de refeições descalços. O caminho entre as tendas e a área de convívio é de terra batida e por isso os donos não querem que os hóspedes andem ali de sapatos. Até aqui tudo bem - mais ou menos, mas pronto - mas como tinha chovido na noite anterior o pavimento estava todo molhado e, por isso, senti-me relutante em entrar ali descalça. Não queria tomar o pequeno-almoço com os pés todos molhados, coisa que não aconteceria se pudesse estar calçada, nem pisar o mesmo chão de madeira que aquelas 8 ou 9 pessoas também estavam a pisar... não me pareceu uma coisa muito higiénica e a voz hipocondríaca da minha cabeça gritava "GERMES!". Só me lembrei da Carrie Bradshaw no episódio "A Woman's Right to Shoes". Bom, lá fomos tomar o pequeno-almoço de pés ao léu e ao som de umas músicas supostamente zen, com muitos sininhos e flautas, e cerca de uma hora depois voltámos para a tenda. Pelo caminho fui tropeçando nos habitantes lá do sítio: traças enormes, sapinhos, umas coisas tipo melgas mas meio transparentes e esverdeadas, aranhas com pernas enormes, lagartos, gafanhotos, besouros e mais uns quantos que nunca tinha visto na vida. Enfim, se há coisa de que ninguém se pode queixar é da falta de riqueza da fauna envolvente. Assim que entrei na tenda, toda arrepiada com aquela bicharada e a pensar que tinha de ir lavar os pés asap, vi que estava uma coisa preta em cima da minha almofada. Aproximei-me, a medo, para ver o que era e quando percebi que era um grilo, que tinha um grilo dentro do quarto, em cima do sítio onde ia deitar a cabeça naquela noite, desatei aos gritos e saí dali a correr. Claro que o bicho com tanta gritaria desatou aos saltos pelo quarto e desapareceu atrás de cama. Nunca mais o vimos. Nessa noite dormi tapada até às orelhas com medo do grilo. E isto foi sempre assim até ao fim. Havia bicharada em todo o lado, dentro e fora da tenda, o que me começou a deixar ansiosa e um bocado paranóica também. Sempre que sentia qualquer coisa a tocar-me na pele desatava a esbracejar feita parva.

Como podem ver foram três dias muito pouco descontraídos. Todo aquele ambiente era demasiado freak para mim e não tinha mesmo nada a ver comigo. Foi uma experiência diferente que serviu para provar que esta não é mesmo nada a minha cena. As tendas até podem ser muito giras e o conceito muito interessante mas a quantidade de bicharada que conviveu de perto comigo deixaram-me com saudades dos hotéis construídos com o bom velho tijolo que não deixa entrar nem uma mosca. Portanto, se forem picuinhas como eu não vos aconselho este sítio. Se forem mais descontraídos, se não se importarem com os bichos, se tomar banho ao ar livre até for uma coisa que sempre gostaram de experimentar, se acharem interessante o conceito da compostagem e se comer de pés descalços num chão que pode, ou não, estar molhado não vos chateia nada... go for it, you'll love it.

 

 
 
 
 
 
 
 
Uma espécie de praia privada
 
 
A zona das casas de banho
 
 
 
A zona de refeições
 
Imagens via Facebook Aterra e Google

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publicado às 10:39

Dos hábitos irritantes

por Marisa Furtado, em 13.08.14

Alguém me consegue explicar qual é a cena fetichista de espremer borbulhas e pontos negros dos corpos alheios? Falo daquelas pessoas que assim que avistam uma borbulhinha nas costas ou na bochecha do vizinho do lado começa-lhes a tremer o sobrolho e em menos de nada é vê-las de polegares encostadinhos e de olhar semicerrado enquanto se aproximam daquele pequeno ponto. E depois estão ali a escarafunchar, a escarafunchar e só descansam quando aquilo que era apenas uma borbulhinha ou um pontinho negro, que iria cair por si mais cedo ou mais tarde, rebenta e começa a largar pus. Só aí é que elas ficam satisfeitas, a olhar para o pus a escorrer pela pele com um sorriso nos lábios e olhar vitorioso, com a sensação de dever cumprido. Sou só eu que acho isto a coisa mais nojenta de sempre? Acho que sou, porque praticamente toda a gente que conheço tem esta pancada. São aquelas pessoas que têm este hábito asqueroso mas que depois são muito selectas "Ai eu só faço isso ao meu marido!" com se fosse a derradeira prova de amor. E depois é vê-las na praia - sempre na praia... - sentadas em cima do rabo do desgraçado a inspeccionar-lhe as costas à procura de mais pontinhos para rebentar. Pessoas que fazem isto: entre vocês e aqueles macaquinhos que catam os piolhos uns dos outros não há diferença nenhuma. Não se iludam. E parem de falar disso como se fosse um acto de amor! Não é.


Já me cheguei a queixar a terceiros do facto de ter uma borbulha na ponta do nariz, ou na testa, ou no queixo, enfim, é sempre naqueles pontos estratégicos à vista de toda a gente que as p$#&s se instalam, e invariavelmente a resposta do outro lado foi "chega aqui que eu rebento-te isso." Mas... porque é que eu haveria de fazer uma coisa dessas? Porquê?! Se eu nem a mim própria faço isso, porque é que ia deixar que fosse outra pessoa a fazê-lo? Prefiro estar três dias a besuntar a malvada com Halibut do que estar a espremer seja o que for. Aposto que estas são as mesmas pessoas que vão para a praia de pinça em riste para passarem todo o santo dia a arrancar pelos das virilhas e das pernas. Será que o fazem porque não têm candeeiros de jeito em casa? Será que é para poupar na esteticista? Será que é para fazer render o tempo? Há coisas que eu, simplesmente, nunca vou entender.

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publicado às 10:10

O cinema está a ficar cada vez mais pobre

por Marisa Furtado, em 12.08.14

No passado fim-de-semana fui ao cinema ver A Most Wanted Man, o último filme completo de Philip Seymour Hoffman e saí da sala com um peso enorme no peito a pensar "Como é que um homem com um talento destes, próximo da genialidade, um dos melhores naquilo que faz, acaba assim com a vida?" Ontem, infelizmente, adormeci a pensar o mesmo. 


 


 




1951-2014

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publicado às 09:53

Look | Denim meets leather

por Marisa Furtado, em 11.08.14

Um dos truques mais simples para criar coordenados trendy é misturar diferentes texturas. A ganga e a pele, ou polipele, são dois básicos super fáceis de combinar e que, juntos, dão um aspecto edgy q.b. ao nosso look.

 

 

 

 

 

 

 

 

 






 

Camisa - Stradivarius

 

Skorts - Zara

 

Óculos - Ray-Ban

 

 

Ténis - All Star

 


 

 

Aqui ficam mais looks do género para inspiração:

 



 



 



 



 



 



 



 



 



 

 

 


Todas as imagens via Pinterest.

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publicado às 11:15

Divulgação | Palavras Ditas

por Marisa Furtado, em 08.08.14
Este Verão está a ser fértil em projectos interessantes e de valor. Depois de se ter levantado a ponta do véu sobre a NiT é agora a vez do arranque do Palavras Ditas, um novo centro de formação profissional na área da comunicação liderado pelo Nuno Azinheira, antigo director do 24Horas e actual director da Notícias TV. É um projecto ambicioso, que vem preencher um vazio que havia nesta área de formação e que, por isso, tem tudo para correr bem. O Nuno conseguiu reunir um conjunto de profissionais de excelência que, acredito, faz inveja a muitas escolas de comunicação. Afinal, quem não gostaria de aprender com o Nuno Santos, a Joana Latino, o Ricardo Costa, o Daniel Oliveira, a Teresa Guilherme ou com o Nuno Artur Silva? Não é todos os dias que nos é dada a oportunidade de ir beber conhecimento a estas fontes. É um privilégio podermos aprender e partilhar experiências com estas pessoas que vivem da comunicação e que são os melhores naquilo que fazem. E este foi só um pequeno exemplo do gabarito dos formadores que se encontram no Palavras Ditas, para saberem quem são os outros basta clicarem aqui.
A oferta deste centro de formação divide-se entre os cursos tecnológicos e regulares, ambos de 25 horas, e os workshops de 12 horas, e os preços variam entre os 150€ e os 350€, com modalidades especiais de pagamento para desempregados. Para quem, como eu, tem imensa vontade de aprender coisas novas nas áreas de comunicação e cultura mas que ainda não se tenha entusiasmado com nenhuma das ofertas que há no mercado, penso que esta seja a solução. Tivesse eu tempo e dinheiro para investir - sim, que isto é um investimento. Em nós. - inscrevia-me logo em 4 ou 5! Fiquei de olho nos cursos Sangue Suor e Lágrimas, Jornalismo em Agência, Jornalismo Desportivo, que acho que seria um complemento interessante à actividade que já desempenho, Jornalismo Online, O Mercado Editorial da Língua Portuguesa e no workshop Liderança, Gestão e Programação, administrado pelo Nuno Santos. Como vêem oferta não falta. Há tantos cursos e tão bons que acho que o difícil é mesmo escolher. Para quem gosta disto dos blogs e quer começar um com o pé direito pode aproveitar o curso Como Criar um Blogue de Sucesso onde terá como mentor o Ricardo Martins Pereira. Há melhor? 
São projectos como este que me inspiram e que devem inspirar cada um de nós. São estes projectos que nos mostram que é possível fazer mais e melhor, que é possível ir mais além. Que com sorte - sempre! - e com as pessoas certas ao nosso lado, os nossos sonhos, os nossos projectos de vida, se podem transformar numa promissora realidade. Já disse aqui que nem toda a gente tem em si o espírito guerreiro do empreendedor, e não há mal nenhum nisso, mas é impossível não me sentir inspirada com estes exemplos de sucesso. É impossível não sentirmos, ainda que por uns segundos, que não somos obrigados a uma vida de resignação a fazer uma coisa que não nos preenche, que um não ou uma porta fechada no nosso nariz não é obrigatoriamente o fim de um projecto em que acreditamos. Às vezes pode mesmo ser a oportunidade para uma janelinha se abrir. Quem sabe? Desejo, de coração, o maior sucesso a todos os envolvidos no Palavras Ditas. Da minha parte fica a vontade de me inscrever num dos cursos ou workshops e deixar-me inspirar, uma vez mais, por estes monstros da comunicação.

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publicado às 10:13

Multiopticas, a pior oferta sempre

por Marisa Furtado, em 07.08.14

O mês passado, como habitualmente, encomendei online as minhas lentes de contacto para os próximos 6 meses e enviei a factura para a Multicare a fim de me restituírem parte do valor pago. Uns dias depois ligaram-me a dizer que a minha apólice tinha sido renovada e que por isso tinha de lhes enviar uma nova receita ou relatório médico para o reembolso ser efectuado. Cada renovação da apólice obriga a novo envio de receita médica para comprovar que preciso mesmo delas e não ando a gastar dinheiro em lentes de contacto só porque me apetece. "Não precisa de ir a um oftalmoligista de propósito. Nós aceitamos receitas passadas pelo optometrista, daquelas ópticas de centro comercial", explicou-me a menina da Multicare. Tudo certinho. Peguei no telefone e liguei para a Multiopticas do Colombo. O que se segue é a conversa SURREAL que tive com aquela gente:


 


- Boa tarde, queria saber qual é o preço de uma consulta de optometria.


- As consultas são gratuitas.


Eu, já a saber o que a casa gasta: - Sim, são gratuitas mediante a compra dos óculos ou das lentes aí, certo? Quanto é a consulta se não precisar comprar nada?


- As consultas são sempre gratuitas mas não lhe damos a receita.


- Não me dão a receita? Então mas eu não tenho direito a uma receita ou um relatório médico sobre a condição da minha vista?


- Só lhe damos a receita se comprar aqui os óculos ou as lentes.


- Pois mas o que se passa é o seguinte - expliquei-lhe tudo muito bem explicadinho -, portanto não preciso de comprar nada. Preciso só mesmo da fazer a consulta para enviar o relatório com a graduação para a seguradora.


- Sim, eu acredito nisso tudo, mas nós não fazemos isso. Como não cobramos a consulta não temos obrigação de fornecer a receita ao cliente.


- O quê? Não têm obrigação? Mas isso não faz sentido nenhum! Isso é a mesma coisa que eu ir a uma farmácia fazer um exame gratuito ao colesterol e só me darem o resultado se eu comprar lá qualquer coisa. Obrigarem os clientes a comprarem aí os óculos ou as lentes para terem direito à receita é uma forma indirecta de lhes cobrarem a consulta, já pensou nisso? Para além do mais eu acho que isso nem é legal! Um paciente quando vai a uma consulta tem direito a sair de lá com um relatório médico se assim o entender.


- Tem mais alguma questão?


- Por acaso tenho, mas já vi que não é aqui que vou ter as respostas.


 


Desliguei e liguei para a Mais Optica, também do Colombo, onde me explicaram que, à semelhança do que fazem na Multiopticas, também ali as consultas são gratuitas se o cliente adquirir as lentes ou os óculos na loja, mas se não quiser comprar lá nada são-lhe cobrados 20€ e é-lhe entregue a respectiva receita e um relatório médico com a indicação da graduação. Isto sim, é um serviço como deve ser! Na Multiopticas são tão bons ou tão maus que só dão ao desgraçado do cliente uma coisa a que ele tem direito depois de largar lá os 80€ ou 90€ das lentes. Mas as consultas são "grátis"... lucky me.


Esta já não é a primeira vez que entro em conflito com a Multiopticas. Há quatro anos, quando comecei a usar lentes de contacto, fui à loja do Chiado para me informar do preço que eles faziam para as lentes que eu ia precisar e a funcionária que me atendeu já me queria vender as lentes, ali na hora. Expliquei-lhe que não ia comprar nada naquele momento, que estava a ser seguida no Hospital da Luz e que dali a uns dias ia fazer o teste das lentes, para aprender a pôr e a tirar, e só dali a um mês é que ia começar a comprar os packs de lentes. Resposta extremamente profissional:


- Mas isso é ridículo! Não é preciso ir ao hospital para isso! Nós aqui também fazemos esse acompanhamento e leva logo as lentes.


- ...


- ...


- Pois, olhe eu não vim aqui saber a sua opinião sobre o facto de eu estar a ser seguida pelo oftalmologista do Hospital da Luz. Vim só saber qual era o preço das lentes desta marca com esta graduação, mas agora nem nisso estou interessada. Boa tarde.


Virei as costas e fui andando. Mas como não gosto de fazer julgamentos precipitados decidi dar-lhes uma nova oportunidade quando me ligaram da seguradora. Fiz mal, está visto. Só me enervei, mais uma vez, e não tive aquilo que precisava, mais uma vez. E assim se perdem clientes. Multiopticas, a pior oferta. Sempre.


 

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publicado às 10:15

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