Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Ontem, depois de ler o texto da Alexandra Lucas Coelho no Público, senti-me indignada. Como pessoa inteligente que sou concordo com tudo o que ela ali escreveu, mas senti-me indignada porque aquele discurso me lembrou várias conversas que tenho tido nos últimos tempos à volta deste assunto. No artigo ela refere-se a quem faz vida da escrita mas, na verdade, hoje em dia aquilo aplica-se a tudo. Acho inacreditável ainda existirem empresas que acham normal contratarem pessoas para trabalharem à borla, ou quase! Há dias alguém me dizia que a empresa para onde trabalhava estava com imensas dificuldades em encontrar pessoas para exercer determinada função. Chocada, perguntei porquê, afinal há tanta gente desempregada, qual era a dificuldade? Resposta: "Porque só querem pessoas para estágio curricular." Ora bem, vamos lá pensar todos juntos. Porque raio de carga de água é que alguém no seu perfeito juízo, e que não precisa de um estágio curricular para terminar uma cadeira de faculdade, haveria aceitar trabalhar nas condições de um estágio desse género que nem remunerado é? Porquê?! Se precisam assim tanto de gente para trabalhar paguem-lhes! É assim tão complicado? Mas o mais grave é quando quem está à frente destas empresas ouve alguém com um discurso, lógico!, deste género e se sente insultado, tipo "Vejam-me só este pelintra a querer que eu lhe pague pelo trabalho que vai fazer! Primeiro vem para cá penar durante uns meses e depois logo decido se vale a pena ficar por cá. No limite faço-lhe um estágio profissional." Gente, tenham alguma noção. Se não estão dispostos a abrir os cordões à bolsa para contratar pessoas, não se queixem que é muito difícil encontrar quem queira trabalhar. O trabalho, seja ele qual for, tem de ser pago! E vocês, pessoas que estão à procura de trabalho, não aceitem trabalhar nessas condições com a desculpa de que é muito importante para ganhar currículo. Isso de trabalhar à borla é muito bonito e útil enquanto estão a fazer o curso. Ganham estaleca. Mas depois é urgente exigirem que vos paguem pelo vosso trabalho. Quando saí da faculdade também aceitei trabalhar para uma revista a custo zero. Seis meses a custo zero. Bastaram 15 dias para perceber o ridículo daquilo com que tinha concordado. Trabalho é trabalho e tem de ser remunerado. Sempre.


"sempre que aceitar trabalhar de graça está a prejudicar outros", é um facto. Cada pessoa que aceita trabalhar de borla está a baixar a fasquia dos que vêm atrás, que passam a achar natural que não lhes paguem, ou que lhes paguem 600€ pelo trabalho que desempenham. E isto leva-nos a outra questão: os trabalhos que são, efectivamente, pagos, mas, porém, mal pagos. Acho inacreditável que haja alguém que pense que um ordenado de 700€, 800€ ou 1000€ é um grande ordenadão. Não é! E é gravíssimo que alguns empregadores justifiquem os baixos salários aos mais jovens com o argumento de que estão em início de carreira. O que é que isto significa? Que até aos 30 não devemos aspirar a ter uma vida melhor, independente das ajudas alheias, uma casa, pensar em ter filhos, planear uma vida, porque somos novos e estamos em início de carreira? A partir de que idade deixamos de estar em início de carreira, afinal? São, agora, as empresas que decidem quando é que uma pessoa deve começar a fazer planos? Pior que isto é quando esses baixos ordenados se mantêm indefinidamente, mesmo quando a experiência aumenta. Tudo isto me revolta. Muito. Especialmente porque conheço muita gente nesta situação. Gente que tem a sorte de ter trabalho mas que não pode fazer nada da vida porque ganha uma miséria. Um dos casos mais flagrantes e que me toca cá dentro é o de uma amiga que durante anos trabalhou em jornalismo a recibos verdes e a ganhar pouquíssimo. Era o sonho dela, ser jornalista, escrever, dar a conhecer aos outros histórias que valem a pena ser contadas. E, à conta desse sonho, aceitou adiar todos os outros por falta de dinheiro, por falta de um pagamento justo pelo trabalho que desempenhava. Aceitou esse adiar de sonhos até ao dia em que teve uma proposta irrecusável no Dubai, numa área que nem sequer era a sua, e foi. Foi preciso ir para o outro lado do mundo para sentir que o trabalho dela era, de facto, valorizado. Bastava que lhe tivessem pago como deve ser cá para ela ter ficado e achar que era possível pôr em prática os outros sonhos que tinha. Simples, certo? "sempre que aceitar trabalhar de graça está a prejudicar outros. É isso, colegas, camaradas, escritores, estagiários, futuros jornalistas, ilustradores, desenhadores, fotógrafos: não trabalhem de graça para o mercado. O mercado que não paga o trabalho, ou não o paga decentemente, baixa a fasquia, apela à falta de alternativa, a quem precisa de ganhar curriculum. Trabalho mal pago não vai ser bom". Parece simples, porém, um discurso lógico como este, ainda é sentido por muitos como um insulto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:19

Odeio as Finanças

por Marisa Furtado, em 27.05.14

Vocês nem imaginam a camada de nervos que eu já apanhei por causa do reembolso do IRS. Esta novela remonta ao início do mês da Abril quando entreguei a minha declaração de IRS. Fiquei descansada sabendo que tinha entregue tudo direitinho e dentro do prazo e descansada fui para Bruxelas, dia 8 de Maio. No dia 12 diz-me o meu homem todo contente no hotel: "Já recebi o reembolso do IRS!" Fui a correr consultar a minha conta, afinal entregámos os documentos ao mesmo tempo, faria todo o sentido recebermos o reembolso também no mesmo dia. Mas não. Na minha conta não tinha caído nada. Fui ao site das Finanças e a informação que lá estava era que o reembolso tinha sido emitido dia 5 de Maio. Torci o nariz mas como estava na Bélgica não havia grande coisa que pudesse fazer, por isso resolvi ignorar e esperar que alguma coisa mudasse até ao dia do regresso. Dia 14, já em Portugal e ainda sem reembolso, liguei para as Finanças. Do outro lado atendeu uma senhora.


 


Tentativa n.º 1:


- Bom dia. Estou a ligar porque no vosso site tenho a informação que o meu reembolso foi emitido dia 5 mas eu ainda não recebi, o que é estranho porque o meu namorado...


- Não faça comparações com o seu namorado! Nem com as suas amigas! Cada caso é um caso.


- Pois... mas nós entregámos as declarações ao mesmo tempo. Não é estranho ele ter recebido há 3 dias e eu não?


- Não! Se ele já recebeu é porque com os documentos dele correu tudo bem e teve sorte. Pronto, ainda bem para ele!


Não acham isto extraordinário? Nas Finanças, ao contrário dos outros sítios, quando as coisas correm bem é porque foi uma questão de sorte. Aquelas pessoas até devem ficar assim meio abananadas quando deste lado ninguém se queixa.


Dei o meu número de contribuinte a esta senhora tão despachada e que prontamente me respondeu.


- Pois. De facto aqui diz que já foi emitido. E no sistema até diz que foi dia 2 e não dia 5! Nos próximos dias deve receber. Esteja atenta à sua conta.


E foi isso que eu fiz. Estive atenta à minha conta até ao dia 21, dia em que voltei a ligar.


 


Tentativa n.º 2:


- Bom dia. A semana passada liguei para saber do meu reembolso, que foi emitido dia 2 ou 5, ainda não percebi, mas que ainda não me chegou à conta. A sua colega disse-me para esperar uns dias mas ainda não aconteceu nada.


- Pois. A informação que tenho aqui é que o reembolso foi emitido dia 5 mas que foi recusado pelo banco. Deve haver algum problema com o NIB.


- Problema com o NIB? O NIB que está no site das Finanças é o mesmo para onde vocês enviaram o reembolso o ano passado e para onde vai o meu ordenado todos os meses. Não vejo que erro possa haver.


- Se calhar o NIB está incorrecto. Ou já não é o mesmo.


- Eu estou a verificar neste momento o NIB que está no vosso site com o que está no meu banco e é exactamente o mesmo. Está correcto e a funcionar como deve ser.


- Pois não sei. Mas olhe, foi emitido um cheque no dia 17 de Maio com o valor do reembolso. O mais tardar até dia 26 terá o cheque na sua morada.


Eu, já a prever que as coisas iam continuar a correr mal, aventuro-me: 


- Então e se o cheque não estiver em minha casa nessa data?


- Se por acaso acontecer alguma coisa, se a carta for extraviada por exemplo, pode pedir uma segunda via. Mas só a partir do dia 17 de Julho, que é quando a validade desse cheque termina.


Matem-me já!!!


Dia 26 abro o correio e tenho uma carta das Finanças. "É o reembolso! É o reembolso! É o reembolso". Não era. Era uma notificação de liquidação de IRS onde dizia, com todas as letrinhas, que o reembolso já tinha sido concretizado por transferência bancária para o NIB acima identificado. Olhei para cima e qual não foi o meu espanto quando percebi que o NIB que lá estava não era o meu! Não sei de quem era, ou onde é que aquela gente o foi buscar, mas não era meu. Não foi o que lhes forneci quando preenchi a declaração nem é o que está no site deles.


 


Tentativa n.º3:


Expliquei tooooooda a situação.


- (...) e pronto, supostamente já devia ter recebido o cheque mas só recebi esta carta com este NIB estranho.


- Só um momento. 


Vinte e nove minutos depois - 29!!!!!!!!!! - ainda estava de telefone colado à orelha com a porra da música a tocar. Comecei a imaginar que o rapazinho, assim que me pôs em espera, levantou o traseiro da cadeira para ir tomar um cafezito com os colegas e se esqueceu de mim.  Trinta e cinco - 35!!!!!! - minutos depois assumi que de facto aquela pesseoinha tinha ido à vida dela e me tinha deixado ali pendurada.


Desliguei a chamada e voltei a ligar.


 


Tentativa n.º 4:


Expliquei, novamente, toooooda a situação.


- Sim, de facto está aqui a informação de que o cheque foi emitido dia 17 de Maio, só que ainda não saiu dos nossos serviços.


- Olhe, desculpe lá, mas esta já é a quarta vez que vos ligo e em cada novo contacto vejo o meu reembolso cada vez mais longe de me chegar às mãos.


- (risos)


- ...


- Mas agora já sabe o que se passa. Ele ainda está nos nossos serviços e quando sair terá o cheque em casa 2 ou 3 dias depois.


- Claro. Mas como é que uma coisa que foi emitida dia 17 no dia 26 ainda não saiu dos vossos serviços?


- Não sei.


- E sabe dizer-me quando é que ele sai daí?


- Não lhe consigo dar essa informação.


- ...


- ...


- Não se esqueceram dele pois não? Já anda perdido no meio da vossa papelada?


- (risos). Não, não. Esteja descansada que ele não está esquecido. 


 


Qualquer pessoa, por mais sã que seja, desenvolve instintos assassinos com esta gente! É que eu quase que ponho as mãos no fogo em como estas coisas não acontecem a quem tem reembolsos chorudos. Aposto que essas pessoas receberam tudo no dia que era suposto, e eu, que fiquei toda contente porque ia ter um reembolso simpático, que já dava para pagar metade da renda, ando aqui a penar há quase um mês por causa da incompetência daquelas pessoas. Isto tira-me anos de vida. Anos!!!


To be continued... for sure.


 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:34

O poder do dinheiro

por Marisa Furtado, em 26.05.14

Ontem, por causa das eleições europeias, o The Voice, o meu programa de domingo à noite, não deu, por isso arrisquei o zapping pela SIC e a TVI e, meu Deus... abençoada tv por cabo. Como é má a televisão portuguesa! Nada que já não soubesse, mas parece que cada vez está pior. Acho muito bem que a RTP tenha abdicado do The Voice para fazer a cobertura das eleições, é serviço público e um assunto importante que merece tempo de antena, o que não achei nada normal foi a SIC ter interrompido a emissão noticiosa às 21h45 - 15 minutos antes dos resultados das eleições - para estrear um novo reality show que é só a coisa mais repugnante que vi em horário nobre. Uns dias antes vi uma publicidade ao programa e achei que fosse uma coisa má, sempre, mas um bocadito mais inteligente. Tipo, 10 casais fechados numa casa sujeitos às mais variadas pressões psicológicas para ver quem quebra primeiro. Mas não. São 10 casais que têm de se sujeitar a provas degradantes para provarem o amor uns pelos outros, como por exemplo estarem fechados numa redoma cheia de baratas ou andarem a chafurdar no meio de estrume à procura de malas. Só vi estas duas actividades e aquilo que senti foi muita, muita vergonha alheia. Não se iludam, isso não é o poder do amor é, sim, o poder da estupidez aliada ao poder do dinheiro. Uma das coisas mais ridículas que ali vi - para além da Cátia da Casa dos Segredos, de vestido, a roçar-se toda no estrume, com aquilo a entrar-lhe por todos os lados - foi a Cláudia Jacques apostar que o marido, vegetariano, ia conseguir comer testículos de boi e olhos de porco porque a amava muito. A sério Cláudia? É assim que se vê que a pessoa com quem estamos gosta muito de nós? Por pôr de lado as práticas alimentares que ele escolheu só porque tu apostaste 8 mil euros em como ele o faria? Isso a mim só me parece estúpido. Eu era incapaz de me enfiar numa redoma cheia de baratas para provar o amor que sinto pelo meu homem. E não é por não gostar dele! É só mesmo porque isso é humilhante e há mil e uma maneiras mais sinceras e menos traumáticas de mostrarmos o nosso amor por alguém. Enfim, depois de tanta parvoíce na SIC mudei para a TVI, na esperança de encontrar uma coisinha melhor mas não tive sorte. O que vi foi o José Carlos Pereira a mostrar a barriga agarrado ao Pedro Teixeira - que é um apresentador fraquinho, fraquinho e que está sempre com um ar confuso - enquanto gritavam um ao outro: "estás todo seco, mano!".


...


Pois, se isto já foi estranho o que se seguiu foi ainda mais: o José Carlos Pereira a cantar terrivelmente uma música do Michael Bublé enquanto os jurados, meio constrangidos, iam votando "sim". Até o desgraçado do Pedro Ribeiro, que parecia estar à procura de um buraco para se esconder, foi quase obrigado pelos colegas a votar a favor, porque parecia mal dizer a uma pessoa famosa que canta mal e que se devia dedicar à pesca. Só duas perguntinhas rápidas: porque é que o José Carlos Pereira, que é actor, foi ali cantar e sujeitar-se à votação do júri que, toda a gente percebeu, só votou a favor por obrigação, e, mais importante, o que é que o Pedro Ribeiro está ali a fazer?!?! Estava tão, mas tão melhor no The Voice que é um programa muito mais dignificante que este. Na ânsia de fazerem um programa muito moderno e com tecnologia de ponta acabaram por transformar o Rising Star numa coisa que parece feita por alguém numa trip de ácidos: a música de fundo está sempre altíssima, há luzes e écrans gigantes por todo o lado, os apresentadores estão sempre aos berros, o Pedro Teixeira parece-se cada vez mais com um porteiro de discoteca e, já agora, qual é a cena com a roupa justa?! Não têm calças e camisas para o tamanho do rapaz? Ah, e não sei se já tinha perguntado mas… o que é que o Pedro Ribeiro está ali a fazer?!? De certeza que estas pessoas só ali estão porque lhes pagam muito bem, tal como os outros do Poder do Amor. Só é pena investirem tanto dinheiro em programas muito, muito maus que, acredito, só provocam vergonha alheia em quem os vê, em vez de fazerem de facto coisas como deve ser. Basta porem os olhos no The Voice da RTP para perceberem como se consegue fazer um programa de qualidade sem envergonhar ninguém. Nem os concorrentes, nem o espectador.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:16

Hitler e Eva Braun do século XXI

por Marisa Furtado, em 20.05.14

Fiquei entusiasmada quando soube da existência de um novo jornal online. É sempre bom sinal quando surge um projecto novo, que dá trabalho a umas quantas pessoas e que, ainda por cima, quer contribuir "para a construção de uma sociedade mais bem informada e democrática". Mas depois li o artigo sobre a inspiradora história de amor entre o Mário Machado, ex-líder da Frente Nacional, e a Susana, militante do PS nascida e criada em Cascais, e o meu entusiasmo por este vanguardista  meio de comunicação social sumiu-se. Tudo o que ali está escrito não só é ridículo como é inacreditável que um jornal do século XXI se dedique a este tipo de branqueamentos, neste caso, da extrema direita.


Ora bem, o que é que este extenso artigo nos ensina? Várias coisas. Ficamos a saber que os pombinhos se conheceram num bar gótico em Lisboa e que ela assim que se viu rodeada de skinheads ficou cheia de medo e ele, esperto, aproveitou-se desse medo para ganhar a confiança dela. Não é genial? Quantos de nós já não fizemos isto? Usar o medo dos outros a nosso favor. Tooooda a gente. É uma situação perfeitamente normal! E a táctica resultou porque 10 anos depois continuam juntos e super felizes. Agora é vê-los nas esplanadas da cidade a discordarem um do outro porque, afinal, as diferenças ideológicas estão lá, e a resolverem as discórdias com beijinhos e carícias. Realmente, o que é que interessa aquilo em que nós acreditamos? Aquilo que define o que somos? NADA! Ele espancou uma pessoa até à morte por ter uma cor de pele diferente but who cares?! Ela é a primeira pessoa a esclarecer as nossas cabecinhas conservadoras: "Não concebia o discurso daqueles que diziam ‘pretos’. Achava horrível e ignorante, ainda assim ia com ele para todo o lado, mesmo não concordando.” Isto é genial! Então andamos nós durante anos e anos a desejar encontrar alguém que veja o mundo como nós e com quem nos identifiquemos quando, afinal, as bases para uma relação saudável são precisamente o oposto?! Achamos horrível e ignorante que se chame de preto alguém com uma cor de pele e uma origem diferente da nossa mas apoiamos o nosso amor na mesma! Se para ele essas pessoas são repugnantes e devem ser tratadas sem respeito absolutamente nenhum nós estamos lá para o apoiar! Porque é isso que uma boa namorada faz! Apoia o seu homem. Mesmo que isso signifique que tenha de anular por completo aquilo em que acredita. De início a Susana teve imensos problemas com a família que, retrógrada, não entendia este relacionamento. Mas, assim que conheceram o Mário Machado rapidamente respiraram de alívio. Afinal a imagem que passava na comunicação social era completamente manipulada por jornalistas sem escrúpulos. Afinal o Mário Machado é um homem "super educado e romântico". Depois desta chapada de luva branca ao leitor o Observador afirma: "As diferenças ideológicas foram-se atenuando à medida que o registo criminal de Mário Machado crescia." Oh por amor de Deus! Mas alguém me consegue explicar o que raio quer isto dizer? Eu não digo que neste artigo está tudo virado do avesso? Mas vamos seguir em frente, como fez o jornal, e entrar na daily life destas pessoas. Como o Mário está preso foi a Susana, feminista convicta, que assumiu o papel de chefe de família. E o que é que acham que o Mário acha disto? Fica orgulhoso da sua mulher que trabalha para sustentar o filho dos dois? Claro que não! Para o Mário uma mulher não deve trabalhar! Deve ficar em casa sossegadita a cuidar dos filhos e deixar-se sustentar pelo marido que, assim, tem uma falsa sensação de domínio sobre aquele ser frágil. Para Susana este é um cenário "impensável" mas, mais uma vez, o que é que isso interessa? Nada. Posto isto, o que é que duas pessoas fazem quando se apercebem que uma relação tem tudo para correr bem - como esta? Casam. E foi esse o passo que estes dois deram em 2011. O facto de ele estar preso não foi impedimento para nada. Ela vestiu-se de noiva e quando entrou na prisão, qual altar de uma imponente igreja, viu aquilo com que qualquer bride to be sonha: o futuro marido vestido "de fato macaco de recluso, dois guardas, uma técnica e a conservadora do registo civil." E pensar que há casais que se enchem de dívidas para poderem fazer uma grande festarola cheia de convidados e pratos gourmet. No fim da cerimónia ela foi para casa e ele voltou para a cela onde passava 23 horas por dia. Mas não sejamos insensíveis. O amor tem um poder transformador nas pessoas e Mário não é excepção. Quando se viu ali preso decidiu fazer algo de bom com tanto tempo livre e já está no último ano do curso de Direito da Universidade Autónoma. Para pagar as propinas tem a ajuda dos pais e dos sogros e conta também com o dinheiro que conseguiu poupar quando andava "a fazer aquelas habilidades", e por habilidades entenda-se encontros com traficantes de droga para lhes extorquir dinheiro, que um homem também tem de fazer pela vida. O Mário é o orgulho da Susana que, afirma, nem quer saber se ele cometeu crimes ou não! Ela sabe quem é o verdadeiro Mário: "Um excelente marido e um excelente pai. Sou completamente contra crimes, fui criada assim, mas ele é um ser humano”. É precisamente por isto que esta militante do PS diz com convicção e orgulho que vai votar no Partido Socialista. O Mário ouve e dá uma gargalhada. Tudo está bem quando acaba bem.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:06

Look | Printed tee

por Marisa Furtado, em 19.05.14

As camisolas com dizeres estão de volta e são uma das peças tendência da próxima estação, que teima em não assentar arraiais no nosso rectângulo à beira-mar plantado. Esta comprei-a nos saldos a 2.99€ para usar nas aulas de pilates, mas depressa a comecei a preferir para compor coordenados casuais, tipo model off duty.


 


 








Óculos - Ray-Ban

Blazer - Stradivarius

Tee - Pull&Bear

Mala - Stradivarius

Relógio - Komono

Ténis - Converse



Para inspiração:





















Todas as imagens via Pinterest.










Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:00

Get away | Gent, as fotos

por Marisa Furtado, em 16.05.14

Depois de Bruges rumámos a Gent, uma cidade a 30 minutos de Bruxelas onde só se fala holandês. É mais moderna que Bruges, à excepção do centro histórico que se vê bem em duas horas, é também mais pequena e menos interessante mas, ainda assim, vale a visita. Quanto mais não seja para ver o Graslei, o porto medieval da cidade ladeado de edifícios históricos. A ponte que liga Graslei a Korenlei, as duas margens do rio, fez-me lembrar a Charles Bridge em Praga - um dos sítios mais bonitos onde já estive -,  embora numa escala bem menor. O tempo, esse, foi só mais do mesmo: vento com fartura, frio e chuva.

 

 

 


 

 

 

Graslei e Korenlei

 

 

 


 

 

 

 

O mesmo local visto de outra perspectiva

 

 

 



 

 

A tal ponte que une as duas margens

 

 

 



 

Tal como em Bruges aqui os canais também podem ser navegados em barquinhos

 



 

Nesta cidade a maior parte das pessoas desloca-se de bicicleta. Este jardim em frente à estação dos comboios é uma espécie de estação central das bicicletas. Eram às centenas!

 



 

Dia cinzento, frio e chuvoso. Um dia normal numa cidade belga.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:08

Get away | Bruges, as fotos

por Marisa Furtado, em 15.05.14

Como se a chuva com que Bruxelas nos presenteou não fosse suficiente, ainda fomos a Bruges, que é a cidade onde mais chove na Bélgica. Mas valeu a pena. Bruges mantém o aspecto medieval dos tempos idos, por isso assim que lá chegamos parece que entramos noutra dimensão. Se na capital da Europa me fazia confusão ouvir duas línguas em simultâneo em Bruges a coisa acalma um bocadinho visto ali só se falar francês. Gostei de tudo nesta pequena cidade a uma hora de Bruxelas: da simpatia das pessoas, dos edifícios e, sobretudo, do sossego. É uma cidade com ambiente de aldeia e uma óptima opção para uma escapadela romântica de dois ou três dias fora de terras lusas, fugindo aos clichés de Veneza ou Paris. Aliás, como tem os canais como imagem de marca, Bruges é conhecida como a Veneza do Norte. Nunca fui a Veneza mas já posso dizer que fui à next best thing.

 

Ficam algumas imagens:

 

 

 

 

 

 

Os barquinhos que levam as pessoas a pessear pelos canais da cidade

 

 

 



 

Chuva na principal praça de Bruges

 



 

 

Os canais

 



 

O sossego das ruas numa tarde de sábado

 



 

Casinha amorosa à beira-rio

 



 

Uma loja de dois andares que vende apenas decorações de natal. O ano todo! Todas as peças, desde os penduricalhos para as árvores aos relógios que mostro na imagem seguinte, são feitas à mão. Um amor.

 



 

 



 

Novamente os canais. Sempre.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:09

Get away | Bruxelas, as fotos

por Marisa Furtado, em 14.05.14

Da minha viagem à Bélgica trouxe o início de uma constipação, dores de garganta que me estão a deixar cada vez mais rouca - está-me cá a parecer que, pelo caminho que isto está a levar, amanhã acordo afónica -, menos dinheiro na carteira porque, como já disse, as coisas naquela terra são caríssimas, e muitas fotografias. Sou assumidamente uma nerd da fotografia e quando o assunto são viagens fico possuída. Quero sempre fotografar tudo, desde os pormenores dos prédios à essência de uma rua mais pitoresca. Assim se a memória se for esvanecendo à medida que o tempo passa tenho sempre maneira de me voltar a recordar. Estas são uma pequena amostra dos registos fotográficos de Bruxelas:


 


 


 




Grand Place com sol!





Relógio da Maison du Roi, o edifício mais imponente da Grand Place







Manneken Pis, uma das maiores atracções da cidade que, ironia das ironias, é uma estátua de meio metro. Costuma estar nú mas, volta e meia, aparece todo pimpolho com roupas feitas à medida. Aqui está vestido com o equipamento da selecção belga.






Waffles com tudo a que temos direito






Suspiros gigantes!





Chocolates






Chocolates





E mais chocolates





Nougats gigantes!







As ruas de Bruxelas






 




A imponente escadaria do Palácio da Justiça





Jardim Monts des Arts





Manneken Pis com nova fatiota





O Palácio Real






 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:04

Get away | Bruxelas, Bélgica

por Marisa Furtado, em 11.05.14

A chegada a Bruxelas não foi fácil. Dormi cerca de duas horas na noite anterior e isso fez com que acordasse muito atordoada e enjoada. Nem consegui tomar o pequeno-almoço. Quando entrei no avião tive um pequeno ataque de pânico, coisa que nunca me tinha acontecido. Estou habituada aos aviões da TAP e da Iberia, espaçosos e com bom aspecto, e estes da Ryanair são um bocadinho pavorosos. O interior tem um ar muito plástico e frágil, tudo em tons de amarelo e azul, tipo cadeia de fast food, e não há espaço quase nenhum entre os bancos, as pessoas vão todas coladas umas às outras. Comecei com palpitações e com faltas de ar e só me apetecia sair dali a correr. Ainda pensei em pedir ao assistente de bordo um saco para respirar lá para dentro mas, aos poucos, fui-me conseguindo acalmar sozinha e assim que o avião levantou voo adormeci. Quando acordei só faltava meia-hora para a aterragem. Menos mal.

 

Depois de ter aterrado em segurança e de já cá estar há quase uma semana já me sinto capaz de reunir alguns fun facts sobre a capital da Europa. A saber:

 

- Chove. Muito. Desde que aqui estou choveu todos os dias. Nuns choveu mais que noutros mas nunca pudemos ir passear sem chapéu de chuva.

 

- Os locals não querem saber da chuva. No primeiro dia estava a desesperar porque chovia imenso e eu andava de ténis, mas à minha volta a maior parte das raparigas andava de all star ou de sabrinas como se estivesse um lindo dia de sol. Chapéus de chuva também são coisas que pouca falta lhes faz. Andar mais depressa ou pôr um capuz é a solução.

 

- Há chocolates em tooooda a parte, mas é na zona da Grand Place que se encontram as principais chocolateries. É impossível não ficarmos a babar para cima das montras. Até há Ferreros Rocher XL, senhores!

 

- Um dos cheiros característicos das zonas turísticas é o dos waffles acabadinhos de fazer. Uma delícia.

 

- Aqui as mulheres andam sempre mega produzidas. Pelo menos nas zonas que frequentei. Sempre muito maquilhadas, muitas vezes em excesso, e com os cabelos impecavelmente arranjados. Nunca vi tanto brio com a aparência em mais lado nenhum. Nem em Paris.

 

- É muito estranho estarmos num sítio onde se falam duas línguas - o francês e o holandês - que nós não entendemos.

 

- A comida é cara. Para estas pessoas restaurantes com affordable prices são aqueles em que os pratos variam entre os 13€ e os 16€.

 

- Aqui começam a jantar quase à nossa hora do lanche. Às 18h/19h já há pessoas a comer nos restaurantes. Na primeira noite fomos jantar às 20h30 e os únicos sítios abertos eram os bares e uma ou outra pizzaria com mau aspecto.

 

- Nas máquinas multibanco os levantamentos express, que em Portugal, se não me engano, são de 20€, 40€, 60€, aqui são de 100€, 200€, 300€... e o levantamento mínimo permitido é de 20€.

 

- Anoitece tarde, por volta das 22h, o que é óptimo para quem gosta de fazer sightseeing até tarde.

 

- As coisas são todas bonitas, não só em Bruxelas mas também em Bruges e Gent, mas já tenho saudades do sol e das temperaturas amenas de Lisboa. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:24

Get away | Bélgica

por Marisa Furtado, em 07.05.14

As previsões são de temperaturas fresquinhas, ali a rondar os 16ºC/17ºC, e de chuva. Andei eu a maldizer o tempo ranhoso que nos estragou o início da Primavera e agora que o calor parece ter chegado para ficar vou voltar a calçar as biker boots e recuperar as camisolas de malha. Apesar do tempo cinzento alegra-me saber que vou ver coisas novas e bonitas. Nos próximos dias vou andar por aqui:

 

 

 

 

 

 

Bruxelas

 

 

 


 


 

Bruges

 




 

Gent

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:16

Pág. 1/2



talk to me!

theallengirlblog@gmail.com

Mais sobre mim

foto do autor


passaram por cá



no tumblr

Allen girl

no polyvore

my Polyvore

no pintarest

Pinterest

Follow



Comentários recentes

  • Carla Marques

    E os comentários dos defensores do piropo no Faceb...

  • isabel

    Quem consegue sair de casa e deixar para trás um r...

  • Marisa Furtado

    Não! Apeteceu-me apenas mudar-lhe o nome e o visua...

  • Pedro

    Por momentos pensei que o blog estaria de saída do...

  • Restaurante A Mexicana

    Sr. Miguel Diniz, obrigado pelo elogio!Quanto ao p...



Pesquisar

  Pesquisar no Blog